Ministério Público acusa grupo de participar de esquema para fraudar inventário de fundador do grupo Unip/Objetivo no valor de 845 milhões
Por 31 mar 2026, 12h49 • Atualizado em 31 mar 2026, 13h13
O médico Luiz Teixeira: um dos alvos do Gaeco (Instagram/Divulgação)
O médico e empresário Luiz Teixeira da Silva Junior é um dos alvos de operação desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), nesta terça-feira, 31, para cumprir mandado de prisão temporária no âmbito de investigação que apura formação de grupo criminoso para fraudar inventário do fundador do grupo Unip/Objetivo, João Carlos Di Genio, no valor de 845 milhões de reais.
Luiz Teixeira é citado pelo MP como responsável por fraudar laudo médico sobre internação pelo uso de cocaína contra o então candidato à Prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL) na reta final do primeiro turno de 2024. O falso documento foi divulgado pelo adversário Pablo Marçal (PRTB, à época).
“A falsidade do referido laudo foi tecnicamente atestada tanto pela Superintendência da Polícia Técnico-Científica do Instituto de Criminalística da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, quanto pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, conferindo elevado grau de credibilidade à imputação. Ademais, o mesmo Luiz Teixeira responde criminalmente em outro processo por falsificação de assinaturas de representantes da empresa Planova Planejamento e Construções Ltda, com a finalidade de viabilizar a venda de lotes a terceiros sem o conhecimento ou anuência da própria empresa”, sustenta a acusação do Ministério Público. O espaço está aberto para manifestação dos acusados.
Marçal, que posteriormente afirmou que não sabia se tratar de um documento falso, foi condenado pela Justiça paulista a pagar indenização por dano moral de 100 mil reais ao hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República.
Operação desta terça
Autoridades públicas foram às ruas nesta terça-feira para cumprir 9 mandados de prisão — um deles contra Luiz Teixeira — diante de uma investigação que apontou para “uma atuação estruturada de indivíduos com longo histórico criminal, que se valeram de falsidade documental, fraude processual, corrupção, além da simulação de procedimentos arbitrais, com o objetivo de dar aparência de legalidade a cobranças milionárias indevidas”, disse o MP.
Segundo o apurado, o grupo investigado teria tentado obter vantagem ilícita de 845 milhões por meio da criação de contratos falsos, posteriormente utilizados para embasar demandas judiciais e procedimentos arbitrais simulados, com o intuito de induzir vítimas e o próprio Poder Judiciário a erro.
De acordo com decisão do juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, do dia 23 de março, a prisão temporária (máximo de cinco dias) foi decretada contra Anani Candido de Lara, Luiz Teixeira da Silva Junior, Wagner Rossi Silva, Patricia Alejandra Ormart Barreto, Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira, Camilla Mariana Alejandra Piaggio Nogueira Ormat, Carlos Xavier Lopes, Rubens Maurício Bolorino e Aline Cordeiro de Oliveira Boaventura. O espaço está aberto para manifestação das defesas.
“Em razão da natureza dos crimes apurados, especialmente aqueles que envolvem falsificação documental, fraude processual e corrupção, a liberdade dos investigados representa risco concreto à eficácia das diligências em curso, notadamente quanto à ocultação, destruição ou adulteração de documentos e à influência indevida sobre terceiros. Como se vê, a medida pleiteada se mostra necessária para o prosseguimento das diligências a fim de desmantelar por completo o grupo criminoso em tela”, citou o magistrado em trecho da decisão.

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