sábado, 15 de agosto de 2026

Médica americana que matou seus três filhos pesquisou antes sobre alucinações, psicose e efeitos de remédios

 Clancy é acusada de matar os três filhos em 2023; defesa afirma que ela sofria de transtorno bipolar e psicose pós-parto, enquanto a promotoria sustenta que os crimes foram planejados.

Por Redação g1

Lindsay Clancy durante seu julgamento por homicídio. — Foto: AP/Josh Reynolds, Pool

Lindsay Clancy durante seu julgamento por homicídio. — Foto: AP/Josh Reynolds, Pool


Semanas antes de estrangular seus três filhos, em janeiro de 2023, Lindsay Clancy fez diversas buscas na internet sobre alucinações, psicose e os efeitos colaterais de remédios que estava tomando. A informação veio de uma análise do celular de Clancy, apresentada nesta quinta-feira (13) durante seu julgamento por assassinato.

    Segundo os dados apresentados, no fim de dezembro de 2022 Clancy pesquisou sobre métodos de suicídio, transtorno bipolar e insônia.

    Já em janeiro, passou a buscar informações sobre depressão pós-parto. Em outubro do mesmo ano, ela também havia escrito um bilhete detalhado no qual expressava dúvidas sobre suas escolhas como mãe, questionava a decisão de ter parado de amamentar o filho mais novo, então com 8 meses, e reconsiderava os planos do casal de ter um quarto filho.

    A defesa argumenta que a ex-enfermeira obstétrica de 36 anos agia sob efeito de transtorno bipolar e psicose pós-parto — uma condição rara que pode alterar a percepção de realidade de mulheres após o parto. Um psiquiatra forense diagnosticou Clancy com essas duas condições depois dos assassinatos.

    No bilhete, ela demonstrava principalmente receio de não conseguir dar ao filho caçula a mesma atenção dedicada aos dois mais velhos, de 3 e 5 anos, e descrevia sentir-se sobrecarregada pelo excesso de informação sobre maternidade a que tinha se exposto nos últimos anos.

    Clancy se declarou inocente das acusações de assassinato das crianças Callan, Dawson e Cora. O pai das crianças as encontrou no porão da casa da família, na cidade litorânea de Duxbury, ao sul de Boston. A mãe foi encontrada no quintal, após pular pela janela do segundo andar — ela ficou paraplégica em consequência da queda.

    Mensagens trocadas entre Lindsay e seu então marido, Patrick Clancy, mostram o casal lidando com a rotina da paternidade no dia do crime, incluindo um momento em que ele a elogiou como mãe e ela respondeu com emojis. O perito da Polícia Estadual de Massachusetts, Tim Chiappini, leu essas mensagens durante o julgamento, que tem sido transmitido ao vivo e atraído grande atenção pública, com jornalistas e espectadores lotando o tribunal.

    Os advogados de Clancy não negam que ela matou as crianças, mas defendem que o júri não deve responsabilizá-la criminalmente, alegando que ela agia sob transtorno mental e acreditava ouvir vozes ordenando que tirasse a vida dos filhos e a própria.

    Já a promotoria sustenta que houve premeditação: segundo os promotores, Clancy teria se articulado para tirar o marido de casa — mandando-o comprar comida e ir à farmácia, no dia 24 de janeiro de 2023 — antes de estrangular as crianças com faixas elásticas de exercício. A promotora Shanan Buckingham pediu ao júri que não tratasse o caso como um debate público sobre saúde mental feminina.

    Se condenada por assassinato, Clancy pode pegar prisão perpétua sem direito a liberdade condicional. Caso seja considerada não responsável criminalmente por conta da doença mental, ela seria internada em uma instituição psiquiátrica estadual.

    A defesa afirma que Clancy buscou ajuda por diversos caminhos antes da tragédia: consultou vários profissionais de saúde mental, testou diferentes medicamentos prescritos, ligou para uma linha de apoio a pessoas em crise, foi a um pronto-socorro, tentou (sem sucesso) vaga em um programa hospitalar de tratamento intensivo para mulheres com problemas psiquiátricos pós-parto, e chegou a se internar voluntariamente em uma clínica psiquiátrica por alguns dias.

    Lindsay Clancy durante seu julgamento por homicídio. — Foto: David L. Ryan/The Boston Globe via AP, Pool

    Lindsay Clancy durante seu julgamento por homicídio. — Foto: David L. Ryan/The Boston Globe via AP, Pool

    Segundo a família e os advogados, em vez de melhorar, seu quadro piorou com a combinação de remédios psiquiátricos prescritos — alguns deles considerados problemáticos para pacientes bipolares.

    A promotoria, por sua vez, busca demonstrar que Clancy teve acesso a uma ampla rede de serviços de saúde mental, mas ignorou orientações médicas e interrompeu o uso de alguns medicamentos por conta própria.

    Vários profissionais que a atenderam foram ouvidos como testemunhas e afirmaram que ela nunca mencionou um plano concreto para se machucar ou machucar os filhos, nem apresentou sinais de psicose ou mania — embora tenha relatado pensamentos suicidas.

    Antes de matar seus filhos, Lindsay Clancy pesquisou sobre alucinações | G1

    sábado, 8 de agosto de 2026

    Biomédica indiciada por morte de paciente é presa pela terceira vez

     Lorena Marcondes alegou que estava passando mal e foi levada para um hospital onde permanece internada sob escolta

    09/05/2024 

    Lorena Marcondes deixou o presídio Floramar em Divinópolis no dia 2 de maio

    crédito: Reprodução/Redes Sociais

    A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu novamente a biomédica Lorena Marcondes, de 34 anos, em Nova Lima, na Região Metropolitana, nesta quinta-feira (9/5), oito dias após ela deixar a prisão. Indiciada por homicídio qualificado em decorrência da morte de uma paciente, de 45 anos, em maio do ano passado, essa é a terceira vez que ela é presa.


    Durante o cumprimento da medida judicial, realizada pela equipe de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, a biomédica informou estar passando mal. Diante dos fatos, os policiais acionaram o Serviço Móvel de Urgência (Samu), que a conduziu a uma unidade de saúde. A suspeita permanece internada sob escolta policial.
     

    O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) entrou com uma nova ação, com pedido de liminar, contra a decisão do juiz Ivan Pacheco que revogou a prisão da biomédica no dia 30 de abril deste ano. A expedição do alvará de soltura ocorreu no dia 2 de maio. Ela estava presa no presídio Floramar, em Divinópolis.
     

    A desembargadora Paula Cunha e Silva, da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG), entendeu pela nova prisão preventiva de Lorena. Ela lembrou, na decisão, que Lorena descumpriu as medidas cautelares, tentando intimidar testemunhas e causar confusão durante o processo.
     

    Arguiu que ela, “reiteradamente, demonstrou disposição em descumprir decisões judiciais e prejudicar o andamento da ação penal de origem".
     


    Prisões


    A biomédica chegou a ser presa pela primeira vez em 8 de maio de 2023 – mesmo dia da morte de Iris Nascimento, em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas. Inquérito da Polícia Civil, aponta que a biomédica submeteu a paciente a uma lipoaspiração. 
     

    Ainda conforme as investigações, uma série de eventos levou a paciente ao óbito, como traumatismo abdominal, choque hemorrágico e intoxicação anestésica.
     

    No dia 23 de maio de 2023, Lorena deixou o presídio Floramar em Divinópolis e permaneceu em prisão domiciliar até agosto seguinte, quando foi liberada.
     

    Em março deste ano, por descumprir medidas cautelares impostas pela Justiça, ela voltou para o presídio. Na ocasião, a biomédica, que estava proibida de fazer publicações nas redes sociais, seguiu fazendo divulgações, além de comentar sobre o inquérito em curso contra ela.
     

    No dia 30 de abril, o juiz da Primeira Vara Criminal Ivan Pacheco revogou a prisão alegando que o tempo de recolhimento foi suficiente para demonstrar que o Poder Judiciário está atento ao cumprimento e descumprimento de suas ordens.
     

    “Enfim, depois de mais de um mês afastada do convívio familiar e social por desrespeito a uma obrigação fixada por este juízo, tenho que a acusada se encontra preparada para acompanhar a tramitação do feito em liberdade, sem interferir – ou tentar novamente fazê-lo”, afirma o juiz na decisão.
     

    No dia 02 de maio, ela deixou o presídio e retornou à Nova Lima, onde está morando.
     


    O caso


    Iris Nascimento Martins morreu no dia 8 de maio de 2023, em Divinópolis, depois de sofrer uma parada cardiorrespiratória durante um procedimento estético na clínica da biomédica. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou a socorrê-la e a levou para o Complexo de Saúde São João de Deus. Contudo, ela morreu.
     

    Em outubro do ano passado, a Polícia Civil a indiciou por homicídio qualificado. O delegado responsável pelo caso, Marcelo Nunes, apontou duas qualificadoras que corroboram o indiciamento.
     

    "Por motivo torpe, porque ela só visava o lucro. As planilhas não têm dados científicos do paciente, apenas questões financeiras. Pena mínima de 12 a 30 anos. Traição, ela enganava os pacientes. Ela falava que não era procedimento invasivo. Só no corpo de Iris foram 12 infusões. Se isso não é invasivo, o que é então? Ela enganava as pacientes (...)."
     

    Ao contrário do serviço "vendido" - lipolaser, a vítima tinha 12 perfurações, 10 no abdômen e duas nos glúteos.
     
     
    A reportagem entrou em contato com o advogado de defesa Tiago Lenoir, porém não obteve retorno até a publicação desta matéria.

    Família e amigos se despedem de jovem morta em cirurgia plástica em BH

     Bárbara Laura Souza Félix, de 27 anos, morreu ontem, em decorrência de complicações após um procedimento estético feito no Instituto Mineiro de Obesidade

    Estudante de Jornalismo na PUC Minas. No Estado de Minas desde 2023. Repórter de Gerais

    27/05/2026

    Enterro de Bárbara Laura Souza Félix, que teve uma embolia pulmonar, seguida de parada cardiorrespiratória, durante procedimento conhecido como lipoenxertia, no Cemitério da Paz

    crédito: Gladyston Rodrigues/EM/D.A. Press


    O corpo de Bárbara Laura Souza Félix, de 27 anos, foi sepultado sob forte dor e comoção na tarde desta quarta-feira (27/5), no Cemitério da Paz, no Bairro Caiçara, Região Noroeste de Belo Horizonte. A jovem morreu ontem, em decorrência de complicações após um procedimento estético realizado no Instituto Mineiro de Obesidade, no Bairro de Lourdes, Região Centro-Sul da capital.

    Bárbara morreu depois de fazer uma lipoaspiração nas regiões abdominal e dorsal, seguida de lipoenxertia nos glúteos. Durante o procedimento, o anestesista teria percebido alterações na ventilação pulmonar da paciente. Bárbara sofreu uma embolia pulmonar e, em seguida, uma parada cardiorrespiratória. Foram realizadas manobras de reanimação por 1h12, mas a morte foi confirmada ainda na unidade hospitalar.

    A despedida de Bárbara reuniu uma multidão de amigos e familiares, que formaram uma roda e a homenagearam com salvas de palmas. À imprensa, a avó da vítima, Consuelo de Souza, lamentou a perda. "Criei ela desde os 3 anos. Era o sonho dela fazer a cirurgia. Ela saiu bem, falei com ela às 6h, estava tranquila. Ela foi com uma amiga do trabalho", comentou. A familiar destacou o quanto a neta era saudável, se alimentava-se bem, praticava esportes e ia à academia todos os dias.

    O sentimento da avó é de busca por justiça. "Vou querer saber o que aconteceu. Porque ela fez todos os exames, e estavam bons. Quero justiça para que não haja outras Bárbaras. Porque não é a primeira. Não estou acusando, mas vou esperar o laudo para ver o que aconteceu", desabafou.

    Consuelo ainda disse que, caso o laudo tenha alguma alteração, a família não deixará impune. "Nós vamos lutar até o fim, para que não aconteça com mais nenhuma outra pessoa", afirmou ela. A familiar não deixou de rasgar elogiou à Bárbara, e disse que ela era uma moça alegre, extrovertida e muito amada. "Foi embora um pedaço de mim", lamentou.

    A prima, Ingrid Ester, também relatou como a notícia abalou a família. "Recebemos a notícia era quase 13h. A Bárbara chegou na clínica às 7h. Quem nos procurou foi a amiga, eles não nos procuraram para dar a notícia, nem suporte nenhum, até o momento", mencionou.

    Ela ainda comentou que foi a família quem foi até o local e acionou as polícias Militar e Civil. "A amiga nos ligou após ser avisada de que a Bárbara havia tido uma embolia pulmonar. A amiga só soube porque foi até o local, já que a cirurgia estava demorando muito", destacou. Conforme a prima, o procedimento foi às 7h, e por volta das 11h30, ainda não tinha nenhum aviso sobre a situação. "Não sabemos nada, estamos esperando o laudo", disse a prima. A família quer esclarecimentos sobre o caso e afirma suspeitar de erro médico.

    Moradora do Bairro Concórdia, na Região Nordeste de BH, Bárbara era solteira, não tinha filhos e, segundo a família, sonhava há anos em fazer a cirurgia estética. De acordo com familiares, a vítima frequentava academia diariamente e não tinha problemas de saúde.

    Segundo Ingrid, a cirurgia era a realização de um sonho antigo da jovem. “Ela estava muito feliz, juntou dinheiro durante muito tempo para conseguir fazer o procedimento, porque era algo que incomodava muito ela”, disse.

    • Thiago Augusto Alves é primo de Bárbara Laura, e contou que, há três anos, uma amiga morreu no mesmo local. "Com essa síndrome de perfeição que o mundo vem buscando hoje, minha prima era lindíssima, só que nesse anseio foi numa clínica, esperava um cuidado. Se dizem hospital, mas não é, não teve socorro, suporte, não deram retorno adequado à família", reiterou. Ele deixou um alerta às mulheres quanto ao cuidado em meio ao culto à beleza. "Não estão zelando pela vida", concluiu ele.

    O que diz o cirurgião

    Em nota enviada pelo escritório Raul Canal Advogados, que representa o cirurgião-plástico Pablo Meneghetti, a defesa lamentou a morte de Bárbara Laura Souza Félix e afirmou que a jovem fez exames e avaliações pré-operatórias antes da cirurgia, que, segundo a equipe médica, indicavam condições adequadas para o procedimento.

    A defesa informou ainda que Bárbara recebeu assistência médica durante toda a cirurgia e que foram adotadas medidas clínicas e cirúrgicas na tentativa de reverter o quadro, mas ela não resistiu às complicações.

    • A equipe médica também afirmou que os familiares acompanharam a evolução do quadro clínico e receberam informações ainda no hospital.

    O cirurgião informou, por meio da defesa, que aguarda a conclusão do laudo pericial para esclarecimento das circunstâncias da morte da paciente e manifestou solidariedade aos familiares e amigos de Bárbara.

    Já o Hospital IMO afirmou, em nota, que o procedimento realizado em Bárbara não foi conduzido pela equipe própria de cirurgia plástica da unidade. Segundo a nota, o cirurgião Pablo Meneghetti e a Clínica Meneghetti, que tem CNPJ próprio, alugaram o bloco cirúrgico do IMO para a realização da cirurgia.

    A unidade lamentou a morte da jovem e informou que prestou acolhimento e suporte à família desde os primeiros momentos após a confirmação do óbito. Segundo o hospital, foram disponibilizados apoio psicológico e documentos solicitados pelos familiares, como exames pré-operatórios, registros assistenciais e termos de consentimento assinados pela paciente.

    O IMO informou ainda que todos os protocolos pré-operatórios, intraoperatórios e assistenciais foram seguidos e que os recursos necessários para o atendimento da urgência foram utilizados.

    Conforme a nota, uma avaliação preliminar da Comissão de Óbito da unidade levantou a hipótese de embolia gordurosa, complicação considerada rara, mas descrita na literatura médica em procedimentos como lipoaspiração e enxertia de gordura. O hospital ressaltou, porém, que a hipótese ainda depende da confirmação do laudo oficial do Instituto Médico-Legal