sábado, 8 de agosto de 2026

Biomédica indiciada por morte de paciente é presa pela terceira vez

 Lorena Marcondes alegou que estava passando mal e foi levada para um hospital onde permanece internada sob escolta

09/05/2024 

Lorena Marcondes deixou o presídio Floramar em Divinópolis no dia 2 de maio

crédito: Reprodução/Redes Sociais

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu novamente a biomédica Lorena Marcondes, de 34 anos, em Nova Lima, na Região Metropolitana, nesta quinta-feira (9/5), oito dias após ela deixar a prisão. Indiciada por homicídio qualificado em decorrência da morte de uma paciente, de 45 anos, em maio do ano passado, essa é a terceira vez que ela é presa.


Durante o cumprimento da medida judicial, realizada pela equipe de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, a biomédica informou estar passando mal. Diante dos fatos, os policiais acionaram o Serviço Móvel de Urgência (Samu), que a conduziu a uma unidade de saúde. A suspeita permanece internada sob escolta policial.
 

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) entrou com uma nova ação, com pedido de liminar, contra a decisão do juiz Ivan Pacheco que revogou a prisão da biomédica no dia 30 de abril deste ano. A expedição do alvará de soltura ocorreu no dia 2 de maio. Ela estava presa no presídio Floramar, em Divinópolis.
 

A desembargadora Paula Cunha e Silva, da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG), entendeu pela nova prisão preventiva de Lorena. Ela lembrou, na decisão, que Lorena descumpriu as medidas cautelares, tentando intimidar testemunhas e causar confusão durante o processo.
 

Arguiu que ela, “reiteradamente, demonstrou disposição em descumprir decisões judiciais e prejudicar o andamento da ação penal de origem".
 


Prisões


A biomédica chegou a ser presa pela primeira vez em 8 de maio de 2023 – mesmo dia da morte de Iris Nascimento, em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas. Inquérito da Polícia Civil, aponta que a biomédica submeteu a paciente a uma lipoaspiração. 
 

Ainda conforme as investigações, uma série de eventos levou a paciente ao óbito, como traumatismo abdominal, choque hemorrágico e intoxicação anestésica.
 

No dia 23 de maio de 2023, Lorena deixou o presídio Floramar em Divinópolis e permaneceu em prisão domiciliar até agosto seguinte, quando foi liberada.
 

Em março deste ano, por descumprir medidas cautelares impostas pela Justiça, ela voltou para o presídio. Na ocasião, a biomédica, que estava proibida de fazer publicações nas redes sociais, seguiu fazendo divulgações, além de comentar sobre o inquérito em curso contra ela.
 

No dia 30 de abril, o juiz da Primeira Vara Criminal Ivan Pacheco revogou a prisão alegando que o tempo de recolhimento foi suficiente para demonstrar que o Poder Judiciário está atento ao cumprimento e descumprimento de suas ordens.
 

“Enfim, depois de mais de um mês afastada do convívio familiar e social por desrespeito a uma obrigação fixada por este juízo, tenho que a acusada se encontra preparada para acompanhar a tramitação do feito em liberdade, sem interferir – ou tentar novamente fazê-lo”, afirma o juiz na decisão.
 

No dia 02 de maio, ela deixou o presídio e retornou à Nova Lima, onde está morando.
 


O caso


Iris Nascimento Martins morreu no dia 8 de maio de 2023, em Divinópolis, depois de sofrer uma parada cardiorrespiratória durante um procedimento estético na clínica da biomédica. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou a socorrê-la e a levou para o Complexo de Saúde São João de Deus. Contudo, ela morreu.
 

Em outubro do ano passado, a Polícia Civil a indiciou por homicídio qualificado. O delegado responsável pelo caso, Marcelo Nunes, apontou duas qualificadoras que corroboram o indiciamento.
 

"Por motivo torpe, porque ela só visava o lucro. As planilhas não têm dados científicos do paciente, apenas questões financeiras. Pena mínima de 12 a 30 anos. Traição, ela enganava os pacientes. Ela falava que não era procedimento invasivo. Só no corpo de Iris foram 12 infusões. Se isso não é invasivo, o que é então? Ela enganava as pacientes (...)."
 

Ao contrário do serviço "vendido" - lipolaser, a vítima tinha 12 perfurações, 10 no abdômen e duas nos glúteos.
 
 
A reportagem entrou em contato com o advogado de defesa Tiago Lenoir, porém não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Família e amigos se despedem de jovem morta em cirurgia plástica em BH

 Bárbara Laura Souza Félix, de 27 anos, morreu ontem, em decorrência de complicações após um procedimento estético feito no Instituto Mineiro de Obesidade

Estudante de Jornalismo na PUC Minas. No Estado de Minas desde 2023. Repórter de Gerais

27/05/2026

Enterro de Bárbara Laura Souza Félix, que teve uma embolia pulmonar, seguida de parada cardiorrespiratória, durante procedimento conhecido como lipoenxertia, no Cemitério da Paz

crédito: Gladyston Rodrigues/EM/D.A. Press


O corpo de Bárbara Laura Souza Félix, de 27 anos, foi sepultado sob forte dor e comoção na tarde desta quarta-feira (27/5), no Cemitério da Paz, no Bairro Caiçara, Região Noroeste de Belo Horizonte. A jovem morreu ontem, em decorrência de complicações após um procedimento estético realizado no Instituto Mineiro de Obesidade, no Bairro de Lourdes, Região Centro-Sul da capital.

Bárbara morreu depois de fazer uma lipoaspiração nas regiões abdominal e dorsal, seguida de lipoenxertia nos glúteos. Durante o procedimento, o anestesista teria percebido alterações na ventilação pulmonar da paciente. Bárbara sofreu uma embolia pulmonar e, em seguida, uma parada cardiorrespiratória. Foram realizadas manobras de reanimação por 1h12, mas a morte foi confirmada ainda na unidade hospitalar.

A despedida de Bárbara reuniu uma multidão de amigos e familiares, que formaram uma roda e a homenagearam com salvas de palmas. À imprensa, a avó da vítima, Consuelo de Souza, lamentou a perda. "Criei ela desde os 3 anos. Era o sonho dela fazer a cirurgia. Ela saiu bem, falei com ela às 6h, estava tranquila. Ela foi com uma amiga do trabalho", comentou. A familiar destacou o quanto a neta era saudável, se alimentava-se bem, praticava esportes e ia à academia todos os dias.

O sentimento da avó é de busca por justiça. "Vou querer saber o que aconteceu. Porque ela fez todos os exames, e estavam bons. Quero justiça para que não haja outras Bárbaras. Porque não é a primeira. Não estou acusando, mas vou esperar o laudo para ver o que aconteceu", desabafou.

Consuelo ainda disse que, caso o laudo tenha alguma alteração, a família não deixará impune. "Nós vamos lutar até o fim, para que não aconteça com mais nenhuma outra pessoa", afirmou ela. A familiar não deixou de rasgar elogiou à Bárbara, e disse que ela era uma moça alegre, extrovertida e muito amada. "Foi embora um pedaço de mim", lamentou.

A prima, Ingrid Ester, também relatou como a notícia abalou a família. "Recebemos a notícia era quase 13h. A Bárbara chegou na clínica às 7h. Quem nos procurou foi a amiga, eles não nos procuraram para dar a notícia, nem suporte nenhum, até o momento", mencionou.

Ela ainda comentou que foi a família quem foi até o local e acionou as polícias Militar e Civil. "A amiga nos ligou após ser avisada de que a Bárbara havia tido uma embolia pulmonar. A amiga só soube porque foi até o local, já que a cirurgia estava demorando muito", destacou. Conforme a prima, o procedimento foi às 7h, e por volta das 11h30, ainda não tinha nenhum aviso sobre a situação. "Não sabemos nada, estamos esperando o laudo", disse a prima. A família quer esclarecimentos sobre o caso e afirma suspeitar de erro médico.

Moradora do Bairro Concórdia, na Região Nordeste de BH, Bárbara era solteira, não tinha filhos e, segundo a família, sonhava há anos em fazer a cirurgia estética. De acordo com familiares, a vítima frequentava academia diariamente e não tinha problemas de saúde.

Segundo Ingrid, a cirurgia era a realização de um sonho antigo da jovem. “Ela estava muito feliz, juntou dinheiro durante muito tempo para conseguir fazer o procedimento, porque era algo que incomodava muito ela”, disse.

  • Thiago Augusto Alves é primo de Bárbara Laura, e contou que, há três anos, uma amiga morreu no mesmo local. "Com essa síndrome de perfeição que o mundo vem buscando hoje, minha prima era lindíssima, só que nesse anseio foi numa clínica, esperava um cuidado. Se dizem hospital, mas não é, não teve socorro, suporte, não deram retorno adequado à família", reiterou. Ele deixou um alerta às mulheres quanto ao cuidado em meio ao culto à beleza. "Não estão zelando pela vida", concluiu ele.

O que diz o cirurgião

Em nota enviada pelo escritório Raul Canal Advogados, que representa o cirurgião-plástico Pablo Meneghetti, a defesa lamentou a morte de Bárbara Laura Souza Félix e afirmou que a jovem fez exames e avaliações pré-operatórias antes da cirurgia, que, segundo a equipe médica, indicavam condições adequadas para o procedimento.

A defesa informou ainda que Bárbara recebeu assistência médica durante toda a cirurgia e que foram adotadas medidas clínicas e cirúrgicas na tentativa de reverter o quadro, mas ela não resistiu às complicações.

  • A equipe médica também afirmou que os familiares acompanharam a evolução do quadro clínico e receberam informações ainda no hospital.

O cirurgião informou, por meio da defesa, que aguarda a conclusão do laudo pericial para esclarecimento das circunstâncias da morte da paciente e manifestou solidariedade aos familiares e amigos de Bárbara.

Já o Hospital IMO afirmou, em nota, que o procedimento realizado em Bárbara não foi conduzido pela equipe própria de cirurgia plástica da unidade. Segundo a nota, o cirurgião Pablo Meneghetti e a Clínica Meneghetti, que tem CNPJ próprio, alugaram o bloco cirúrgico do IMO para a realização da cirurgia.

A unidade lamentou a morte da jovem e informou que prestou acolhimento e suporte à família desde os primeiros momentos após a confirmação do óbito. Segundo o hospital, foram disponibilizados apoio psicológico e documentos solicitados pelos familiares, como exames pré-operatórios, registros assistenciais e termos de consentimento assinados pela paciente.

O IMO informou ainda que todos os protocolos pré-operatórios, intraoperatórios e assistenciais foram seguidos e que os recursos necessários para o atendimento da urgência foram utilizados.

Conforme a nota, uma avaliação preliminar da Comissão de Óbito da unidade levantou a hipótese de embolia gordurosa, complicação considerada rara, mas descrita na literatura médica em procedimentos como lipoaspiração e enxertia de gordura. O hospital ressaltou, porém, que a hipótese ainda depende da confirmação do laudo oficial do Instituto Médico-Legal 

'Foi embora um pedaço de mim': avó lamenta perda de neta morta em cirurgia

 Consuelo de Souza afirmou que a família irá 'lutar até o fim' para descobrir o que aconteceu com Bárbara Laura Félix, que morreu após complicações em cirurgia

Estudante de Jornalismo na PUC Minas. No Estado de Minas desde 2023. Repórter de Gerais

27/05/2026

N foto, a avó da vítima, Consuelo de Souza

crédito: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

"Nós vamos lutar até o fim." A afirmação é de Consuelo de Souza, avó de Bárbara Laura Souza Félix, de 27 anos, que morreu nesta terça-feira (26/5), decorrente de complicações após um procedimento estético realizado no Instituto Mineiro de Obesidade (IMO), no Bairro Lourdes, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O velório e sepultamento da vítima foram realizados nesta quarta-feira (27/5).Fique por dentro das notícias que importam para você!

Durante a despedida, a "avó-mãe" da moça, como se definiu por ter criado Bárbara desde que ela tinha 3 anos, lamentou a perda precoce. "Era o sonho dela fazer a cirurgia. Ela saiu bem, falei com ela às 6h, estava tranquila. Ela foi com uma amiga do trabalho", contou à imprensa. A familiar destacou o quanto a neta era saudável, se alimentava bem, praticava esportes e ia à academia todos os dias. "Era muito alegre extrovertida", acrescentou ela.

O sentimento da avó é de busca por justiça. "Vou querer saber o que aconteceu. Porque ela fez todos os exames, e eles estavam bons. Quero justiça para que não haja outras Bárbaras. Porque não é a primeira. Não estou acusando, mas vou esperar o laudo para ver o que aconteceu", desabafou. Consuelo ainda disse que, caso tenha alguma alteração na autópsia, a família não deixará impune. "Foi embora um pedaço de mim. Nós vamos lutar até o fim, para que não aconteça com mais nenhuma outra pessoa", afirmou ela. 

A prima, Ingrid Ester Martins, também contou como a notícia abalou a família. "Recebemos a notícia era quase 13h. A Bárbara chegou na clínica às 7h. Quem nos procurou foi a amiga, eles não nos procuraram para dar a notícia, nem deram suporte nenhum, até o momento", mencionou. Ela ainda comentou que foi a família quem foi até o local e acionou as polícias Militar e Civil.

"A amiga nos ligou após ser avisada de que a Bárbara havia tido uma embolia pulmonar. A amiga só soube porque foi até o local, já que a cirurgia estava demorando muito", relatou. Conforme a prima, o procedimento foi às 7h e, por volta das 11h30, ainda não tinha recebido nenhum aviso sobre a situação. "Não sabemos nada, estamos esperando o laudo", mencionou Ingrid. A família cobra esclarecimentos sobre o caso e afirma suspeitar de erro médico.

Thiago Augusto Alves é primo de Bárbara Laura e disse que, além da perda da prima, uma amiga morreu no mesmo local, há três anos. "Com essa síndrome de perfeição que o mundo vem buscando hoje, minha prima era lindíssima, só que nesse anseio, foi numa clínica, esperava um cuidado. Se dizem hospital, mas não é, não teve socorro, suporte, não deram retorno adequado à família", reiterou. Ele deixou um alerta às mulheres quanto ao cuidado em meio ao culto à beleza. "Não estão zelando pela vida", concluiu o parente.

Moradora do Bairro Concórdia, na Região Nordeste de BH, Bárbara era solteira, não tinha filhos e, segundo a família, sonhava há anos em realizar a cirurgia estética. De acordo com familiares, a vítima não tinha problemas de saúde. “Ela estava muito feliz, juntou dinheiro durante muito tempo para conseguir fazer o procedimento, porque era algo que incomodava muito ela”, disse Ingrid.

 

O que diz o cirurgião 

Em nota enviada pelo escritório Raul Canal Advogados, que representa o cirurgião plástico Pablo Meneghetti, a defesa lamentou a morte de Bárbara Laura Souza Félix e afirmou que a jovem realizou exames e avaliações pré-operatórias antes da cirurgia, que, segundo a equipe médica, indicavam condições adequadas para o procedimento.

A defesa informou ainda que Bárbara recebeu assistência médica durante toda a cirurgia e que foram adotadas medidas clínicas e cirúrgicas na tentativa de reverter o quadro, mas ela não resistiu após sofrer complicações.

A equipe médica também alegou que os familiares acompanharam a evolução do quadro clínico e receberam informações ainda no hospital. A defesa do cirurgião disse que aguarda a conclusão do laudo pericial para esclarecimento das circunstâncias da morte da paciente e manifestou solidariedade aos familiares e amigos de Bárbara.

Já o IMO afirmou, também em nota, que o procedimento realizado na jovem não foi conduzido pela equipe própria de cirurgia plástica da unidade. Segundo o posicionamento da unidade, Pablo Meneghetti e a Clínica Meneghetti, que possui CNPJ próprio, realizaram a locação do bloco cirúrgico, ou seja, alugaram o lugar, para a realização da cirurgia.

A unidade lamentou a morte da jovem e garantiu que prestou acolhimento e suporte à família desde os primeiros momentos após a confirmação da morte. Segundo o hospital, foram disponibilizados apoio psicológico e documentos solicitados pelos familiares, como exames pré-operatórios, registros assistenciais e termos de consentimento assinados pela paciente.

O IMO comunicou ainda que todos os protocolos pré-operatórios, intraoperatórios e assistenciais foram seguidos e que os recursos necessários para o atendimento da urgência foram utilizados.

Investigação

Ainda conforme a nota, uma avaliação preliminar da Comissão de Óbito da unidade levantou a hipótese de embolia gordurosa, complicação considerada rara, mas descrita na literatura médica em procedimentos como lipoaspiração e enxertia de gordura. O hospital ressaltou, porém, que a hipótese ainda depende da confirmação do laudo oficial do Instituto Médico-Legal (IML). 

No boletim de ocorrência da Polícia Militar, no entanto, consta que foi realizada uma lipoaspiração nas regiões abdominal e dorsal, seguida de lipoenxertia nos glúteos. Durante o procedimento, o anestesista teria percebido alterações na ventilação pulmonar da paciente, e que Bárbara sofreu uma embolia pulmonar, seguida de parada cardiorrespiratória. Foram realizadas manobras de reanimação por 1hora e 12 minutos, mas a morte foi confirmada ainda na unidade hospitalar.

Morte de mulher em cirurgia é a terceira registrada no hospital IMO

 Antes de Bárbara Laura Souza Félix, de 27 anos, morrer ao sofrer complicações decorrentes de uma lipoaspiração, outras duas mulheres vieram a óbito no local

Estudante de Jornalismo na PUC Minas. No Estado de Minas desde 2023. Repórter de Gerais

27/05/2026

Instituto Mineiro de Obesidade (IMO) possui autorização para atividades médicas

crédito: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

A morte de Bárbara Laura Souza Félix, de 27 anos, é a terceira registrada no Instituto Mineiro de Obesidade (IMO) em cinco anos. A jovem morreu na terça-feira (26/5), após complicações decorrentes de uma lipoaspiração nas regiões abdominal e dorsal, seguida de lipoenxertia nos glúteos.

Em abril de 2023, a técnica de enfermagem Gleyciane Alves Maciel Brito, de 38 anos, morreu após complicações de uma abdominoplastia e uma lipoaspiração realizadas pelo médico-cirurgião Lucas Mendes no mesmo local.

Em dezembro de 2021, Lidiane Aparecida Fernandes Oliveira, de 39 anos, morreu em condições semelhantes: ela sofreu complicações após passar por procedimentos de abdominoplastia e lipoaspiração realizados no IMO.

À reportagem, a empresária Escarlete Vilete, de 31 anos, relatou que também passou por procedimento nas dependências do IMO e, por sorte, saiu com vida. Ela realizou uma lipoenxertia glútea em janeiro do ano passado. “Tive uma intercorrência, acordei no meio da cirurgia e solicitei mais anestesia. Depois, fui levando essa situação por um ano, com o médico que me garantia solução para o meu problema”, relembrou.

Ela relatou que sofreu queimaduras secundárias à lipoenxertia na região das costas, próximo à cintura. “Essas queimaduras foram analisadas por outro médico e são cicatrizes irreversíveis. Posso fazer agora alguns tratamentos paliativos, mas essas marcas sempre vão me acompanhar”, desabafou. Escarlete ainda falou dos traumas psicológicos que ficaram. “São marcas que ficaram não só no meu corpo, mas também na minha autoestima, na minha alma”, concluiu.

O que diz o hospital?

Questionado sobre as perdas, o IMO afirmou que "nosso índice de complicações é muito baixo" e que "as mesmas intercorrências acontecem em outros hospitais, em proporções muito maiores e não têm a mesma atenção. Os baixos índices de complicações que o hospital tem são frutos de um trabalho sério e constante."

O Instituto pontuou que é "importante contextualizar este caso (a morte de Bárbara), também, a partir dos indicadores assistenciais do hospital. Quando comparados aos dados médios de serviços semelhantes, nossos índices de complicações são historicamente baixos, o que demonstra o rigor dos protocolos adotados pela instituição".

Ainda segundo o hospital, "a hipótese preliminar é compatível com embolia gordurosa, ainda pendente de confirmação pelo laudo oficial do Instituto Médico Legal (IML). Trata-se de uma complicação grave e inerente a procedimentos como a lipoescultura, podendo ocorrer independentemente da capacitação do cirurgião ou da estrutura hospitalar onde o procedimento é realizado".

A instituição também declarou que "todos os cuidados pré-operatórios, intraoperatórios e assistenciais foram adotados, mas infelizmente existem riscos inerentes a qualquer procedimento cirúrgico, mesmo quando conduzido dentro dos melhores padrões técnicos".

Por outro lado, o IMO ponderou que "nada reduz a gravidade da perda. Nós nos solidarizamos profundamente com a família da paciente neste momento de dor e estamos prestando todo o suporte necessário, com transparência e respeito".