terça-feira, 2 de junho de 2026

Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)

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Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) tem chamado atenção pelos resultados obtidos no desenvolvimento de uma nova estratégia para combater o câncer. O estudo utiliza nanopartículas de sílica para transportar medicamentos quimioterápicos diretamente até as células cancerígenas, buscando tornar o tratamento mais eficiente e menos agressivo ao organismo.
Nos testes experimentais, os pesquisadores conseguiram frear em até 99,6% o crescimento de células cancerígenas. Na prática, isso significa que as células tratadas tiveram sua capacidade de multiplicação quase totalmente bloqueada. O resultado é considerado promissor porque aponta para uma forma mais precisa de atacar os tumores, preservando melhor os tecidos saudáveis.
Além de reduzir drasticamente o crescimento das células cancerígenas, a tecnologia também apresentou resultados expressivos na diminuição dos tumores analisados durante os experimentos. Segundo os pesquisadores, o método combina nanopartículas com medicamentos já utilizados na quimioterapia, aumentando a capacidade de direcionar o tratamento exatamente para as áreas afetadas pela doença.
Outro diferencial da pesquisa é o uso de ácido fólico para ajudar as nanopartículas a localizar as células tumorais. Como muitos tipos de câncer apresentam grande quantidade de receptores para essa substância, os medicamentos conseguem alcançar os tumores com maior precisão, potencializando sua ação e reduzindo efeitos indesejados em outras partes do organismo.
Apesar dos resultados animadores, os cientistas destacam que a tecnologia ainda está em fase experimental e não representa uma cura para o câncer. Novos estudos e testes serão necessários antes que o tratamento possa ser aplicado em pacientes. Mesmo assim, a descoberta representa um importante avanço da ciência brasileira e abre caminho para o desenvolvimento de terapias mais eficazes no futuro.
Fonte:Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS); Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (Fundect)

segunda-feira, 1 de junho de 2026

TJ condena cidade a pagar R$100 mil a família de gestante morta após parto

 Paciente morreu há 18 anos, após complicações no parto em maternidade de Contagem; Justiça apontou falha no acompanhamento médico pós-operatório

01/06/2026


TJMG confirmou a responsabilidade do município de Contagem pela morte de uma paciente após complicações decorrentes de uma cesariana realizada em maternidade da cidadecrédito: Envato Elements / Imagem ilustrativa

Dezoito anos após a morte de uma paciente durante o pós-operatório de uma cesariana em uma maternidade de Contagem, na Grande BH, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) manteve a condenação do município por negligência médica e determinou o pagamento de indenização e pensão aos quatro filhos da vítima. A mulher morreu seis dias depois de dar entrada na unidade para um parto de urgência, em novembro de 2007, após falhas no acompanhamento médico.

Durante o processo, os filhos relataram que a mãe recebeu alta médica mesmo apresentando fortes dores e distensão abdominal. Ao retornar ao hospital com agravamento do quadro, ela não teria recebido diagnóstico adequado em tempo hábil. A mulher morreu em decorrência de infecção generalizada causada por perfuração no cólon – parte central e mais extensa do intestino grosso, um órgão vital do sistema digestivo – durante a cirurgia.

Os filhos da vítima acionaram a Justiça alegando que a mãe não recebeu o acompanhamento necessário após o procedimento cirúrgico. A perícia judicial concluiu que a perfuração intestinal era um risco possível em cirurgias do tipo e apontou que houve falha grave da equipe médica no monitoramento pós-operatório, já que os sinais de infecção teriam sido ignorados.

Em sua defesa, o município de Contagem negou a existência de erro médico e afirmou que a equipe seguiu os protocolos adequados durante o atendimento e que a perfuração era risco próprio da cesariana. A defesa ainda questionou a representação processual dos filhos da vítima e pediu a redução das indenizações e da pensão.

Em primeira instância, a Comarca de Contagem condenou o município ao pagamento de R$ 25 mil para cada um dos quatro filhos da paciente, totalizando R$ 100 mil por danos morais, além de pensão mensal equivalente a um salário-mínimo, dividida entre os beneficiários. No entanto, o município recorreu da decisão.

    Ao examinar o recurso, o relator do caso, desembargador Júlio Cezar Guttierrez, destacou que o município foi responsável por se omitir nos cuidados pós-operatórios. "O óbito da paciente se deu não apenas em razão da perfuração propriamente dita, mas também da falta de intervenção corretiva e de diligência por parte dos médicos que lhe acompanhavam.”

    O magistrado também ressaltou que os sintomas infecciosos foram ignorados, impedindo intervenção médica capaz de evitar o agravamento do quadro clínico.

      A indenização foi mantida pelos magistrados, que consideraram o valor proporcional aos danos sofridos pela família, especialmente pelo fato de uma das filhas da vítima ser recém-nascida na época da morte. Já o valor da pensão mensal foi reduzido de um salário-mínimo para dois terços do salário-mínimo, conforme entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

      O caso foi acompanhado pelos desembargadores Raimundo Messias Júnior e Maria Inês Souza, que seguiram o voto do relator.

      quinta-feira, 28 de maio de 2026

      Familiares de mulher que morreu durante lipoaspiração em BH cobram esclarecimentos

       Familiares de Bárbara Laura Souza Félix, de 27 anos, cobram investigação sobre a morte da jovem após procedimento estético em hospital da Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

      Por g1 Minas — Belo Horizonte

      Parentes e amigos se despedem de jovem que morreu durante cirurgia

      Parentes e amigos se despedem de jovem que morreu durante cirurgia


      A família de Bárbara Laura Souza Félix, de 27 anos, busca respostas sobre a morte da jovem durante um procedimento estético realizado no Hospital IMO, no bairro Lourdes, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Durante o enterro, a avó da vítima disse querer que o caso seja esclarecido e um primo cobrou investigação.

      Consuelo Martins dos Santos afirmou que falou com a neta poucas horas antes da cirurgia e disse não entender o que pode ter provocado a morte.

      “Eu falei com ela às 6h da manhã, ela estava bem tranquila. Porque ela é uma menina saudável, alimenta bem, pratica esporte, academia todos os dias, não tem nenhuma enfermidade. Agora eu vou querer saber o que aconteceu porque fez todos os exames, todos os exames estavam bons”, questionou Consuelo.

        A prima da jovem, Lara Félix, contou que a família ainda tenta assimilar a morte repentina de Bárbara.

        “Ninguém acreditou. Acho que a nossa ficha ainda não caiu porque ontem ela estava aqui com a gente. Hoje já não está mais, né? Pra fazer uma cirurgia que ela acreditava, provavelmente, que ia ser só mais um procedimento. E infelizmente não foi", lamentou Lara.

        Outro primo da vítima, Thiago Silva, cobrou que as autoridades tomem providências.

        “Precisa também alguém ir lá investigar melhor, vistoriar aquela clínica melhor diante dessas histórias. Já que eles se intitulam hospital, que seja investigado, que o Ministério Público vá lá fazer a auditoria, a investigação correta, para que outras mulheres e outras famílias não sofram o que a nossa família está sofrendo nesse momento", disse Thiago.

        O corpo de Bárbara foi enterrado na tarde desta quarta-feira (27), no Cemitério da Paz, na Região Noroeste de Belo Horizonte.

        Avó pede investigações das autoridades durante entrevista à TV Globo — Foto: Reprodução/TV Globo

        Avó pede investigações das autoridades durante entrevista à TV Globo — Foto: Reprodução/TV Globo

        Entenda o caso

        Bárbara Laura Souza Félix morreu nesta terça-feira (26) enquanto realizava uma lipoaspiração com enxertia nos glúteos no Hospital IMO, no bairro Lourdes.

        Segundo informações registradas pela Polícia Militar, a jovem chegou ao hospital por volta das 6h30, acompanhada de uma amiga, para os procedimentos pré-operatórios. A cirurgia começou entre 7h40 e 8h30.

        De acordo com o médico responsável, Bárbara apresentou alteração na capnografia — exame que monitora a ventilação pulmonar — durante uma etapa da cirurgia. Em seguida, sofreu uma parada cardiorrespiratória.

        A equipe médica iniciou manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP), que duraram cerca de 1 hora e 12 minutos, mas a paciente não resistiu.

        A principal hipótese apontada inicialmente pelos médicos é de embolia gordurosa, complicação rara associada a procedimentos como a lipoescultura.

        O Hospital IMO informou, em nota, que todos os protocolos foram seguidos, que os exames pré-operatórios estavam normais e que a família recebeu toda a documentação solicitada.

        A Polícia Civil realizou perícia no hospital e informou que o caso será investigado.

        Enterro ocorreu durante a tarde desta quarta-feira (27), em Belo Horizonte — Foto: Reprodução/TV Globo

        Enterro ocorreu durante a tarde desta quarta-feira (27), em Belo Horizonte — Foto: Reprodução/TV Globo

        Hospital já registrou outra morte após cirurgia estética

        Esta não é a primeira morte relacionada a procedimentos estéticos no mesmo hospital. Em dezembro de 2021, a servidora pública Lidiane Aparecida Fernandes Oliveira, de 39 anos, morreu após passar por uma abdominoplastia e uma lipoaspiração no IMO.

        Na época, familiares relataram que ela começou a sentir fortes dores e falta de ar horas depois da cirurgia. Ela chegou a ser transferida para o Hospital Vera Cruz, mas morreu no dia seguinte. Segundo a Polícia Civil, a causa da morte foi embolia pulmonar.

          Fotos mostram mulher de 27 anos morre durante procedimento estético em BH — Foto: Reprodução/Redes Sociais

          Fotos mostram mulher de 27 anos morre durante procedimento estético em BH — Foto: Reprodução/Redes Sociais

          Morte em lipoaspiração em BH: família de Bárbara cobra respostas | G1