que não atenderia apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ("Não atendo petistas vagabundos"), alegando possuir "recursos" para essa rejeição.
Principais pontos do caso:
Posicionamento do Hospital Israelita Albert Einstein: O Hospital Israelita Albert Einstein emitiu uma nota oficial repudiando de forma veemente as declarações do profissional. O hospital informou que o médico atua como profissional autônomo (entre cerca de 20 mil prestadores de serviço e médicos associados) e que manifestações individuais não representam a instituição, acrescentando que o caso passou a ser tratado conforme o código de ética e as diretrizes internas.
Relação com a Clínica de David Uip: A assessoria do infectologista David Uip esclareceu que Clederson Dina não possui vínculo empregatelício com sua clínica, apenas aluga uma sala comercial no mesmo edifício. Após a repercussão, as menções ao hospital e à clínica foram removidas da biografia do Instagram do médico.
Código de Ética Médica: A conduta gerou questionamentos por violar o Código de Ética Médica e a Resolução 2.217/2018 do Conselho Federal de Medicina (CFM), a qual estabelece que a medicina deve ser exercida a serviço da saúde humana sem qualquer tipo de discriminação.
Associação Paulista de Medicina (APM): A Associação Paulista de Medicina também se manifestou, pontuando que divergências políticas são legítimas, mas não justificam ataques pessoais ou discursos de intolerância.
O cardiologista Clederson Henry Dina, que atua no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, gerou repercussão após declarar nas redes sociais que não atende pacientes petistas e que possui recursos para evitar esse tipo de atendimento.
A declaração levantou questionamentos sobre as possíveis consequências para o profissional. Segundo o Código de Ética Médica, é proibido discriminar pacientes por qualquer motivo, incluindo posicionamentos e preferências políticas.
Caso seja comprovada uma infração ética, o médico poderá enfrentar sanções que vão desde advertências e censuras até suspensão temporária do exercício profissional. Em situações consideradas mais graves, a legislação brasileira também prevê a cassação do direito de exercer a medicina.
Entretanto, a perda do registro profissional não acontece automaticamente. Para isso, é necessário um processo ético-profissional, com análise das provas, direito à defesa e confirmação da penalidade pelo Conselho Federal de Medicina.
É importante destacar que as declarações atribuídas ao cardiologista, por si só, não comprovam que algum paciente tenha efetivamente recebido uma negativa de atendimento por motivos políticos.
Até o momento, não há confirmação de que o profissional esteja respondendo a um processo disciplinar relacionado ao episódio.
Kethiny entrou no centro cirúrgico por volta das 13h de terça-feira (20/10). Ao término da operação, os médicos informaram à mãe da paciente que houve uma complicação decorrente de hipóxia cerebral: a falta de oxigenação no cérebro
crédito: Tupi
A jovem Kethiny Evinlyn, de 24 anos, morreu na madrugada de quinta-feira (22/10) após passar por uma cirurgia de correção maxilar em Guaratinguetá, no interior paulista. De acordo com o portal Metrópoles, ela sofreu complicações no centro cirúrgico e precisou de transferência para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde faleceu dois dias depois.
Diante da ausência de respostas conclusivas da equipe médica sobre o quadro clínico, os parentes registraram a ocorrência na polícia. A família busca entender os fatores que provocaram o falecimento.
Complicações no centro cirúrgico e internação
Kethiny entrou no centro cirúrgico por volta das 13h de terça-feira (20/10). Ao término da operação, os médicos informaram à mãe da paciente que houve uma complicação decorrente de hipóxia cerebral: a falta de oxigenação no cérebro.
O hospital alertou sobre o risco de morte e sobre a necessidade de avaliar possíveis danos neurológicos. Chamados durante a madrugada, familiares encontraram a jovem entubada, sedada e desacordada na UTI.
O quadro clínico se manteve crítico e estável, mas piorou subitamente na madrugada de quinta-feira. Naquele momento, os profissionais confirmaram a morte da paciente.
Na véspera da intervenção, a jovem havia publicado um vídeo relatando insônia gerada pela ansiedade antes da operação. Na gravação, ela afirmou estar "muito preocupada", mas destacou que o procedimento representava a sua "cirurgia dos sonhos".
Relato da família e investigação policial
A irmã da vítima declarou à polícia que os familiares receberam a informação de um problema referente ao material utilizado na cirurgia. A notícia levantou entre os parentes a hipótese de falha médica.
O registro policial detalha que as explicações fornecidas pela equipe foram vagas e insuficientes. Mesmo após o óbito, os médicos não apresentaram diagnóstico definitivo sobre a origem da falta de oxigênio no cérebro nem sobre as causas do falecimento.
A Delegacia Seccional de Guaratinguetá instaurou inquérito para apurar a ocorrência classificada como morte suspeita. A identificação das causas exatas do óbito depende do resultado de exames periciais solicitados pelos investigadores.
Mensagem com preconceito político foi compartilhado em grupo com outros profissionais
A médica chefe do setor de ginecologia, Marcella Segato de Sousa Melo, foi afastada temporariamente da escala do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara (HMMCC), em Goiânia, após publicar uma mensagem em um grupo com outros profissionais orientando a não dar alta a pacientes durante o fim de semana das eleições. Nas palavras da profissional, "a maioria é petista".
A mensagem foi enviada no final da tarde de sexta-feira (2), dois dias antes do primeiro turno das eleições, em um grupo de WhatsApp que reunia médicos e estudantes de medicina. O afastamento foi confirmado por nota do hospital público na segunda-feira (5).
“Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista”, diz a mensagem.
Após a repercussão negativa do caso nas redes sociais e divulgação pela imprensa, a médica comentou que a manifestação foi "uma brincadeira feita em um grupo privado".
Reprodução
Mensagens incluem ameaças e intimidação
Mensagens a qual o iG teve acesso mostra diversas ofensas difundidas de forma constante e repetida pela médica no grupo, inclusive com intimidações à residentes e ameaça relacionadas com a escala. Outra médica ginecologista e obstetra que atende no HMMCC, Priscila Elena, escreveu: "Quem não votar 22 não tá liberado da escala".
O também médico ginecologista Yassar Armad responde ao comentário de Priscila e diz que quem não votar "nem finaliza o rodízio", referindo-se ao período de estágio prático em que estudantes de medicina (no internato) ou médicos residentes alternam entre diferentes setores, especialidades e níveis de atenção à saúde para ganhar experiência prática.
A reportagem tentou contato com os demais médicos citados, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Preconceito em meio a falas profissionais
Em meio às dezenas de comentários e ofensas políticas, outros profissionais conversavam sobre plantões, receitas, altas e retirada de medicamentos em farmácias.
O conteúdo das conversas foi alvo de uma representação encaminahda encaminahda ao Ministério Público Federal. O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) disse que denúncias relacionadas à conduta ética de médicos são apuradas sob sigilo e que solicita esclarecimentos ao responsável técnico pela instituição citada..
Hospital anuncia apuração e pede desculpas
Em nota, a maternidade afirmou que as manifestações ocorreram em um grupo interno e privado e têm caráter pessoal, sem representar a administração ou a entidade responsável pela gestão da unidade.
O hospital ressaltou que decisões sobre internação, permanência e alta devem seguir exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança, independentemente das convicções políticas dos pacientes. Também anunciou procedimentos internos para apurar os fatos, com garantia de contraditório, e afirmou que adotará as medidas cabíveis caso identifique condutas incompatíveis com as normas.
A direção apresentou desculpas formais a pacientes e colaboradores que tenham se sentido atingidos. A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que adotou medidas administrativas para apurar a conduta e reforçou às equipes a orientação de garantir atendimento adequado e respeitoso aos usuários do SUS.
Leia a nota na íntegra:
“O Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara informa que não adota posicionamento político-partidário e pauta sua atuação exclusivamente pelos princípios que regem a assistência pública à saúde, pela ética profissional e pelos critérios técnicos e assistenciais aplicáveis a cada paciente.
As manifestações mencionadas na solicitação encaminhada pela imprensa ocorreram em grupo interno e privado de profissionais médicos e constituem manifestações de caráter pessoal de seus participantes, não representando, em nenhuma hipótese, posicionamento da Administração do Hospital ou da instituição responsável pela gestão da unidade.
O Hospital ressalta, ainda, que manifestações ou preferências políticas de caráter pessoal não se confundem com as condutas médicas e assistenciais adotadas na unidade. Decisões relativas à internação, permanência hospitalar e alta devem observar exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança do paciente, independentemente de qualquer convicção política, ideológica, religiosa ou de outra natureza.
Diante das informações recebidas, a Administração adotará os procedimentos internos apropriados para apuração dos fatos e de seu contexto, assegurados o contraditório, a adequada instrução e a observância das normas institucionais e profissionais aplicáveis. Caso sejam constatadas condutas incompatíveis com essas normas, serão adotadas as medidas cabíveis.
O Hospital reafirma seu compromisso com uma assistência impessoal, humanizada, ética e tecnicamente orientada, garantindo tratamento isonômico a todos os usuários do Sistema Único de Saúde.
A direção do HMMCC lamenta o ocorrido e apresenta desculpas formais aos colaboradores e pacientes que por algum motivo se sentirem atingidos pelo fato. Reitera ainda não pactuar com nenhuma forma de discriminação de qualquer natureza.
Por fim, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia informa que, assim que tomou conhecimento dos fatos relatados, adotou as medidas administrativas cabíveis para a apuração da conduta mencionada.
A Secretaria também reforçou a orientação às equipes quanto à necessidade de garantir atendimento adequado, ético e respeitoso a todos os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara – Secretaria Municipal de Saúde (SMS)”
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