quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Abuso sexual e tortura: 6 são presos em operação que apura crimes em clínicas clandestinas de Montes Claros

 De acordo com a delegada Karine Maia, os abusos sexuais eram praticados principalmente pelo proprietário das clínicas, preso durante a operação. Os outros alvos são funcionários dele.

Por Michelly Oda, Carla Marques, g1 Grande Minas

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Momento em que alguns dos presos chegam na viatura da PCMG — Foto: Jhullie Rodrigues

Momento em que alguns dos presos chegam na viatura da PCMG — Foto: Jhullie Rodrigues


Seis pessoas foram presas durante a Operação Refúgio Seguro, em Montes Claros. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), a ação investiga crimes cometidos dentro de clínicas clandestinas. Dez vítimas de abuso sexual já foram identificadas.

De acordo com a delegada Karine Maia, os abusos sexuais eram praticados principalmente pelo proprietário das clínicas, preso durante a operação. Os outros alvos são funcionários dele. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados, o que dificulta a localização de suas defesas.

➡️Contexto: A Operação Refúgio Seguro é um desdobramento da Operação Amparo. Na ocasião, duas adolescentes foram resgatadas e 16 mulheres foram encontradas em condições precárias, dormindo no chão e sem higiene adequada. Também foram encontrados medicamentos e receitas médicas em branco.

Segundo a investigação, o proprietário mantinha relações sexuais com internas por meio de chantagens, ameaças e oferta de vantagens.

"Além das agressões físicas, da tortura, ele também mantinha relações sexuais com essas meninas, chantageando-as, que se tivessem relação sexual, ele ia deixá-las sair, ir embora mais cedo da clínica, senão ia mantê-las lá. Ou às vezes [chantageando-as] com ameaças, às vezes oferecendo dinheiro para as meninas, oferecendo droga."

A Polícia Civil acredita que os familiares das vítimas não sabiam o que ocorria dentro das unidades. Conforme a delegada, durante as visitas, os funcionários monitoravam as conversas e intimidavam as internas.

"Todas as vezes que familiares iam visitar, essas pessoas que agrediam as meninas ficavam perto para observar o que que elas falavam com os familiares. E sempre ameaçando que, caso elas falassem alguma coisa, iam ser agredidas posteriormente."

As irregularidades começaram a ser detectadas após visitas feitas pela Vara da Infância e Juventude.

"O Ministério Público começou a fazer um trabalho de visita nessas instituições e detectou que tinha crianças junto com maiores, que as condições eram sub-humanas, que tinha irregularidades com relação a remédios, ao tempo de internação."

A partir disso, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Polícia Civil instauraram procedimentos de investigação que já duram três anos. A situação também passou a ser acompanhada pela Vigilância Sanitária.

Dono fechava e abria clínicas

A delegada explicou que, inicialmente, as clínicas eram abertas de forma regular. As internas chegavam aos locais por encaminhamento do Poder Judiciário ou de forma particular.

Segundo ela, há informações de que as vítimas eram dopadas para permanecer mais tempo internadas.

"Há informações de que ele dopava, de que ele drogava as vítimas, para que elas ficassem mais tempo na clínica e continuassem recebendo esses valores."

Karine Maia afirmou ainda que o proprietário utilizava uma estratégia para dificultar a fiscalização e o trabalho das autoridades.

"Ele fechava uma clínica quando ela era interditada e abria em outro lugar, lugares afastados, zona rural, que ficava difícil da gente detectar."

Ao longo da apuração, a polícia conseguiu identificar seis clínicas abertas com diferentes Cadastros Nacionais de Pessoas Jurídicas (CNPJs).

Dificuldade para reunir provas

A delegada relatou que uma das dificuldades da investigação foi a coleta de provas.

"As internas prestavam depoimento, mas retiravam o que falavam por causa de pressão dele, por causa de medo, muitas estavam envolvidas com drogas. O depoimento acabava não tendo credibilidade perante a Justiça. O advogado fazia mostrava que ele não tinha credibilidade e trazia a vítima para um outro depoimento."

Segundo Karine Maia, os investigadores apuram crimes contra a saúde pública, tortura, abuso sexual e outros delitos.

A polícia também investiga duas mortes registradas dentro das unidades.

"Tivemos duas meninas que se suicidaram lá dentro, isso precisa ser investigado. São muitos crimes que agora vão ser investigados."

Clínicas clandestinas em Montes Claros: 6 presos por abuso e tortura | G1

sábado, 26 de setembro de 2026

Falso médico é preso enquanto atendia criança com tumor cerebral no RJ. Veja vídeo

 Suspeito usava o CRM de um médico e, segundo a Polícia Civil, realizou ao menos seis atendimentos domiciliares a uma paciente de 10 anos

07/08/2026
Material cedido ao Metrópoles
Falso médico é preso enquanto atendia criança com tumor cerebral no RJ
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Um homem identificado como Diogo dos Santos Serpa foi preso em flagrante nessa quinta-feira (6/8), em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, suspeito de se passar por médico para atender uma criança de 10 anos diagnosticada com um tumor cerebral maligno de crescimento rápido. A prisão foi realizada por policiais civis da 63ª Delegacia de Polícia (Japeri).

Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ), Diogo foi detido no momento em que realizava mais um atendimento domiciliar à criança, diagnosticada com meduloblastoma grau IV, utilizando a identidade e o registro profissional (CRM) do médico Jeferson Targino Sampaio.

As investigações apontam que o suspeito se apresentava, desde outubro de 2025, como responsável pelo atendimento de home care da paciente. Nesse período, ele teria realizado pelo menos seis consultas, prescrito medicamentos, solicitado exames e emitido encaminhamentos médicos sem possuir formação ou habilitação para exercer a profissão.

De acordo com a polícia, a conduta colocou a criança em risco, já que prescrições inadequadas, erros de dosagem ou interações medicamentosas poderiam causar danos irreversíveis durante o tratamento oncológico.

Descoberta da fraude

Diogo passou a ser desmascarado quando a mãe da menina estranhou inconsistências nas prescrições médicas e decidiu consultar o cadastro do Conselho Regional de Medicina (CRM). Ao verificar o registro, percebeu que a fotografia vinculada ao documento não correspondia ao homem que frequentava a residência da família.

Após a denúncia, equipes da 63ª DP foram até o imóvel e aguardaram o fim de mais um atendimento. Segundo os investigadores, ao ser chamado de “Dr. Jeferson”, o suspeito respondeu prontamente “oi”, assumindo a identidade do médico na presença dos policiais.

No local, foram apreendidos carimbo e receituários de controle especial em nome do profissional, além de receituários já carimbados em nome de outro médico e diversos blocos de receituários timbrados.

Antecedentes

Ainda conforme a Polícia Civil, Diogo possui registros de outros procedimentos por falsidade ideológica, furtos e peculato.
Ele foi indiciado pelos crimes de exercício ilegal da medicina com fins lucrativos, uso de documento particular falso, falsa identidade, estelionato tentado e perigo para a vida ou saúde de outra pessoa. A autoridade policial também representou pela conversão da prisão em flagrante em preventiva.

As investigações continuam para identificar possíveis outras vítimas, apurar a real condição do suspeito como estudante de medicina e esclarecer como ele obteve os documentos e materiais médicos utilizados nos atendimentos.