quarta-feira, 2 de setembro de 2015

PAIS DE JOVEM EM ESTADO VEGETATIVO RECORREM DA DECISÃO QUE ILIBA HOSPITAL DE BRAGA







PAIS DE JOVEM EM ESTADO VEGETATIVO RECORREM DA DECISÃO QUE ILIBA HOSPITAL DE BRAGA

Menino com 19 anos permanece em estado vegetativo desde o nascimento
29 de janeiro de 2014 - 11h55



A família do menino em estado vegetativo desde o nascimento vai recorrer "até às últimas" da sentença do Supremo Tribunal Administrativo que anula a condenação do Hospital de São Marcos, Braga, por negligência durante o parto, há 19 anos.



Em declarações à agência Lusa, Benedito Vilela disse que pode recorrer para o Tribunal Constitucional e para os tribunais europeus, garantindo que não vai desistir da "luta" para que o filho Pedro, a quem "só bate o coração", receba uma indemnização do hospital para "poder ter algum conforto já que vida não tem". "Nem que eu venda a casa", acrescenta.



O Supremo Tribunal Administrativo anulou na terça-feira a condenação do hospital ao pagamento aos pais da vítima de uma indemnização superior a 450 mil euros por negligência num parto realizado há 19 anos. A condenação agora anulada fora decidida pelos tribunais Administrativo e Fiscal de Braga e Administrativo Central Norte, depois da mãe da criança ter estado mais de 16 horas à espera de ordem médica para ser submetida a uma cesariana para dar à luz o menino Pedro, a 19 de dezembro de 1994.



"Já estou a falar com o meu advogado. Vou recorrer até às últimas. Nem que eu venda a casa que é o que me resta. Não quero o dinheiro para mim, mas o meu filho precisa dele para ter algum conforto já que vida não tem. Nunca andou, falou, riu, nunca se sentou. Isto é uma vergonha", disse Benedito Alves.



No acórdão do Supremo Tribunal Administrativo, a que a agência Lusa teve acesso, considerou-se "não se ter provado o nexo de casualidade entre os serviços prestados à mãe e às lesões sofridas" pelo bebé.



Pedro, agora com 19 anos, sofre de Incapacidade Permanente Total de 100%, é detentor de um nível de inteligência de 10%, não reage visualmente, mas reage ao som, tem um encefalopatia refratária grave que lhe impede o controlo dos movimentos, e precisa de atenção constante.



"A minha mulher deixou de trabalhar. Eu já estou reformado. Não recebo qualquer tipo de ajuda. É com 500 euros que sobrevivemos. Não vivemos, sobrevivemos. Do hospital nunca tivemos uma palavra, uma ajuda. Nada", disse.



Benedito não se conforma com a decisão do Supremo, depois do Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga ter considerado "existência de culpa do serviço" do ‘São Marcos’, frisando a prática irregular por parte do hospital, determinante na "existência de facto ilícito e culposo, que não sendo imputável em concreto a um qualquer funcionário [do hospital], tem de ser reputada como falta grave no funcionamento dos serviços prestados" à parturiente.


"A ele [Pedro] só lhe bate o coração e ninguém se parece importar", lamentou o pai.



Lusa
artigo do parceiro:Nuno Noronha


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