terça-feira, 10 de março de 2026

Portugal entre os países onde Interpol apreendeu 50,4 milhões de medicamentos ilícitos

 A "Operação Pangea XVII" decorreu entre dezembro de 2024 e maio de 2025, levando à detenção de 769 suspeitos e ao desmantelamento de 123 grupos criminosos. Em Portugal, foram descobertos esteroides e anabolizantes em oito prisões. 

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Uma operação coordenada pela Interpol em 90 países, incluindo Portugal, resultou na apreensão de 50,4 milhões de produtos farmacêuticos ilícitos, no valor de 65 milhões de dólares, numa "escala alarmante" do comércio global de medicamentos não autorizados e falsificados.

Uma informação publicada esta quarta-feira no 'site' da Interpol refere que a "Operação Pangea XVII", que se realiza internacionalmente há 17 anos e que decorreu entre dezembro de 2024 e maio de 2025, resultou na prisão de 769 suspeitos e no desmantelamento de 123 grupos criminosos em todo o mundo.

No que se refere a Portugal, a Interpol refere que esteroides e anabolizantes foram descobertos em oito prisões do país, "revelando evidências de uma rede criminosa que contrabandeia substâncias ilícitas para unidades correcionais", mas sem referir detenções nem o valor dos produtos apreendidos.

A Interpol refere que as prisões e as apreensões são as maiores nos 17 anos de história da operação, salientando que agentes para o sistema nervoso, incluindo psicoestimulantes, ansiolíticos e medicamentos para a doença de Parkinson, lideraram a lista do tipo de produto mais apreendidos, com os medicamentos para disfunção erétil em segundo lugar.

Outros tipos de produtos habitualmente apreendidos incluem esteroides anabolizantes, medicamentos antidiabéticos, produtos antitabagismo, agentes dermatológicos, suplementos de saúde, produtos fitoterápicos e agentes psicoterapêuticos.

O diretor da área de Crime Organizado e Emergente da Ingterpol,David Caunter, destaca na publicação que medicamentos falsificados e não aprovados "representam um sério risco para a saúde pública", pois podem conter ingredientes perigosos ou ilegais, com potencial para causar doenças graves ou até mesmo a morte.

Afirma ainda que "o rápido crescimento das plataformas online tornou mais fácil para essas drogas perigosas chegarem às pessoas, além de abrir novas oportunidades para redes criminosas explorarem", salientando, a importância das operações "Pangea" para, num trabalho conjunto, os países tomarem medidas para proteger a saúde das pessoas e manterem os sistemas de saúde seguros.

Esta mais recente operação revelou uma procura crescente por medicamentos antidiabéticos e suplementos peptídicos (moléculas formadas pela união de dois ou mais aminoácidos), impulsionada pelo aumento da automedicação.

Essa tendência está, segundo a Interpol, a ser impulsionada pela ampla promoção e disponibilidade desses medicamentos nas redes sociais e online, criando oportunidades lucrativas e de risco relativamente baixo para redes criminosas que vendem produtos falsificados ou de baixa qualidade.

Dados dos países participantes indicam uma circulação crescente de medicamentos antidiabéticos ilícitos em todo o mundo devido aos seus efeitos de perda de peso, com medicamentos não aprovados e potencialmente falsos apreendidos na Ásia-Pacífico, Europa e América do Norte.

As apreensões corroboram alertas recentes da Organização Mundial da Saúde e de vários reguladoras nacionais de saúde a alertar sobre riscos emergentes associados aos medicamentos injetáveis relacionados ao GLP-1 (Medicamentos análogos ao GLP-1 são utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade).

A Interpol adianta que a "Operação Pangea XVII" revelou outra tendência emergente, que é a crescente procura por suplementos peptídicos devido aos seus benefícios estéticos e de melhoria de desempenho, especialmente em países da Europa, América do Norte e Oceânia.

No total, agências de segurança em todo o mundo iniciaram 1.728 investigações e emitiram 847 mandados de busca contra redes criminosas envolvidas na distribuição ilícita de produtos farmacêuticos.

Cerca de 93% dos produtos farmacêuticos ilícitos apreendidos não tinham aprovação regulatória das autoridades nacionais de saúde e os 7% restantes foram confirmados como produtos falsificados, desviados ou com marca incorreta.

Grandes apreensões de vários produtos farmacêuticos ilícitos foram relatadas de forma semelhante no Canadá, Irlanda, Malásia, Holanda, Portugal, Espanha, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos, entre outros países.

A "Operação Pangea XVII" levou também ao encerramento de aproximadamente 13.000 sites, canais e bots (computador projetado para executar tarefas automatizadas de forma repetitiva e rápida) ligados a criminosos e usados para comercializar e vender medicamentos ilegais ou falsificados.

Com Lusa

Médico condenado por receitar medicamento comparticipado a doentes sem diabetes

 O clínico indicava o medicamento para ajudar os pacientes a perderem peso. No entanto, o fármaco só poderia ser comparticipado no caso de doentes diabéticos. O Estado terá sido lesado em 99 mil euros.



Um médico de uma clínica em Lisboa foi condenado a uma pena suspensa de dois anos e quatro meses por burla qualificada. 

A notícia foi avançada pelo Correio da Manhã. Durante mais de três anos, o médico passou quase mil receitas a pessoas com obesidade de um medicamento que é comparticipado apenas para diabéticos, mas que é eficaz na perda de peso. 

Os utentes pagavam apenas 10% do valor deste medicamento, tendo o médico lesado o Estado em 99 mil euros por comparticipação indevida. 

O arguido, de 71 anos, alegou no processo que não tinha nenhuma intenção de cometer um crime de burla. Ainda assim, o Supremo Tribunal de Justiça confirmou a aplicação da pena.

Médico condenado por receitar medicamento comparticipado a doentes sem diabetes - SIC Notícias

Médico antivacina que prescreveu 'tratamentos alternativos' é preso acusado de homicídio na Itália

 

Roberto Petrella atendeu um paciente apenas por telefone e receitou medicamentos à base de cogumelos; o enfermo morreu de ataque cardíaco

Médico antivacina Roberto Petrella foi preso na Itália Foto: Reprodução/Redes sociais

CATANZARO, ITÁLIA — Um médico antivacina foi preso nesta segunda-feira na comuna de Catanzaro, na Itália. Roberto Petrella, de 75 anos, é acusado de homicídio culposo pela morte de um paciente. A vítima foi atendida apenas por telefone e tratada com métodos não científicos, como misturas à base de cogumelos.

Petrella é ginecologista e atua na cidade de Téramo. No entanto, ele atendeu pacientes de diferentes regiões da Itália por telefone e também usou suas redes sociais para divulgar "tratamentos alternativos", sem fundamentação científica, para os pacientes.

O suspeito foi colocado em prisão domiciliar após uma investigação do Ministério Público de Catanzaro. Os investigadores realizaram interceptações telefônicas e registraram conversas nas quais o médico não teria diagnosticado corretamente um doente com patologias graves anteriores.

O paciente teve um ataque cardíaco em 2007 e sofria de hipertensão, hipercolesterolemia, diabetes e problemas de próstata. Apesar do histórico médico, Petrella prescreveu tratamento não reconhecido pelos órgãos oficiais da Itália.

De acordo com a investigação, o médico também aconselhou o paciente a adiar a internação. "Não, se você for para o hospital morre, eles entubam", diz o médico em uma conversa telefônica interceptada. O paciente posteriormente morreu de ataque cardíaco.

Em 2020, Petrella afirmou que a pandemia é um "hype da mídia" e declarou que as vacinas são inúteis e prejudiciais. Ele também respondeu a um procedimento disciplinar da Ordem dos Médicos em 2019, quando encabeçou uma campanha contrária à vacinação de crianças contra o HPV.


AQUI NO BRASIL MEDICOS DEFENDERAM O USO DO MEDICAMENTO SEM NEMHUMA COMPROVAÇAO CIENTIFICA. E NIMGUEM FOI PUNIDO, POIS O CONSELHO FEDERAL DE MEDICIA SE CALOU..E DEU CARTA BRANCA.PODEM FAZER O QUE QUISER...
                                                 

     


A posição do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre o uso da cloroquina e hidroxicloroquina para COVID-19, consolidada durante a pandemia (especialmente a partir de abril de 2020), baseou-se na autonomia médica, não configurando infração ética o uso do medicamento, desde que respeitados certos critérios.
Aqui estão os pontos principais baseados nos pareceres e ações do CFM:
  • Autonomia Médica e Sem Infração Ética: O CFM estabeleceu que, diante da excepcionalidade da pandemia e da falta de tratamentos curativos comprovados, o médico teria a prerrogativa de prescrever cloroquina ou hidroxicloroquina, não sendo considerado infração ética, desde que baseado em critérios clínicos.
  • Consentimento do Paciente: O uso foi condicionado à vontade do paciente (ou seus representantes), que deve ser informado sobre a falta de evidências científicas robustas de eficácia e os possíveis efeitos colaterais (uso compassivo).
  • Sem Recomendação Obrigatória: O CFM deixou claro que a permissão não significava uma recomendação de uso obrigatório, mas sim a autorização para que o médico decidisse.
  • Sem Evidências Sólidas: O próprio conselho reconheceu, em abril de 2020, que não existiam ensaios clínicos robustos (randomizados e publicados em revistas de alto impacto) que comprovassem a eficácia do medicamento contra a COVID-19.
  • Controle de Receita: O CFM solicitou à Anvisa que a venda de cloroquina e hidroxicloroquina fosse realizada apenas com receita médica especial, para evitar o desabastecimento de pacientes que necessitam do remédio para doenças crônicas, como lúpus e artrite.
  • Uso Experimental: Em 2021, o CFM definiu como experimental o uso da hidroxicloroquina e cloroquina por inalação.
Contexto e Controvérsias:
Apesar de estudos internacionais e da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontarem a ineficácia do medicamento, o CFM manteve sua posição de permitir o uso baseada na autonomia médica. Essa postura gerou críticas e até ações judiciais, como uma ação da Defensoria Pública da União (DPU) pedindo indenização por danos morais coletivos, argumentando que o conselho não revisou sua posição à luz de novas evidências científicas.
                                                                   



Durante a pandemia de COVID-19 no Brasil, diversos médicos e grupos médicos defenderam e receitaram cloroquina e hidroxicloroquina, impulsionados por um contexto de incerteza inicial e pelo incentivo político, apesar da falta de evidências científicas robustas de sua eficácia e das recomendações contrárias de órgãos internacionais.
Aqui estão alguns dos nomes e grupos mencionados em relatórios e notícias da época:
  • Roberto Kalil Filho: Cardiologista do Hospital Sírio-Libanês, admitiu ter usado hidroxicloroquina durante sua internação por COVID-19 em abril de 2020 e também prescreveu o medicamento a pacientes no início da pandemia.
  • Davi Uip: Infectologista e, na época, chefe do Centro de Contingência de Combate à Doença em São Paulo. Uma receita assinada por ele circulou na época, e embora tenha havido incertezas, ele confirmou ser a sua receita.
  • Francisco Eduardo Cardoso Alves: Médico que atuou na linha de frente e defendeu o uso da cloroquina como "fármaco reposicionado".
  • Paolo Zanotto: Virologista que debateu a eficácia da cloroquina.
  • Grupo de "10 mil" médicos: Houve um movimento organizado de médicos que apoiava o uso de "tratamento precoce", incluindo cloroquina, com forte aproximação com o governo de Jair Bolsonaro.
  • Representantes no CFM: Médicos defensores do uso de cloroquina e do "tratamento precoce" (como o caso citado na reportagem da CNN Brasil em agosto de 2024, onde um médico com essa postura foi eleito representante de SP no Conselho Federal de Medicina) ganharam destaque e posições.
Contexto Importante:
  • Protocolo do Ministério da Saúde: Em maio de 2020, o Ministério da Saúde emitiu um protocolo que permitia o uso de cloroquina para casos leves de COVID-19.
  • Posição das Associações: A Associação Médica Brasileira (AMB) posicionou-se posteriormente, defendendo o banimento do uso de cloroquina e outros remédios sem eficácia comprovada.
  • Eficácia: Estudos posteriores e a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomendaram o uso dessas substâncias para o tratamento da COVID-19.
Nota: Esta lista baseia-se em reportagens publicadas entre 2020 e 2024 e reflete o cenário de polarização da época.
                                                       VERGONHA



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