quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Médica chama pacientes de petistas, tenta vetar alta e é afastada

 Marcella Segato de Sousa é chefe do setor de ginecologia da Maternidade Célia Câmara, em Goiânia; hospital pede desculpas aos pacientes e funcionários

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Mensagem com preconceito político foi compartilhado em grupo com outros profissionais

A médica chefe do setor de ginecologia, Marcella Segato de Sousa Melo, foi afastada temporariamente da escala do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara (HMMCC), em Goiânia, após publicar uma mensagem em um grupo com outros profissionais orientando a não dar alta a pacientes durante o fim de semana das eleições. Nas palavras da profissional, "a maioria é petista".

A mensagem foi enviada no final da tarde de sexta-feira (2), dois dias antes do primeiro turno das eleições, em um grupo de WhatsApp que reunia médicos e estudantes de medicina. O afastamento foi confirmado por nota do hospital público na segunda-feira (5).

“Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista”, diz a mensagem.

Após a repercussão negativa do caso nas redes sociais e divulgação pela imprensa, a médica comentou que a manifestação foi "uma brincadeira feita em um grupo privado". 

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Mensagens incluem ameaças e intimidação




Mensagens a qual o iG teve acesso mostra diversas ofensas difundidas de forma constante e repetida pela médica no grupo, inclusive com intimidações à residentes e ameaça relacionadas com a escala. Outra médica ginecologista e obstetra que atende no HMMCC, Priscila Elena, escreveu: "Quem não votar 22 não tá liberado da escala".

O também médico ginecologista Yassar Armad responde ao comentário de Priscila e diz que quem não votar "nem finaliza o rodízio", referindo-se ao período de estágio prático em que estudantes de medicina (no internato) ou médicos residentes alternam entre diferentes setores, especialidades e níveis de atenção à saúde para ganhar experiência prática.



A reportagem tentou contato com os demais médicos citados, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

Preconceito em meio a falas profissionais

Em  meio às dezenas de comentários e ofensas políticas, outros profissionais conversavam sobre plantões, receitas, altas e retirada de medicamentos em farmácias.


O conteúdo das conversas foi alvo de uma representação encaminahda encaminahda ao Ministério Público Federal. O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) disse que denúncias relacionadas à conduta ética de médicos são apuradas sob sigilo e que solicita esclarecimentos ao responsável técnico pela instituição citada..

Hospital anuncia apuração e pede desculpas

Em nota, a maternidade afirmou que as manifestações ocorreram em um grupo interno e privado e têm caráter pessoal, sem representar a administração ou a entidade responsável pela gestão da unidade.

O hospital ressaltou que decisões sobre internação, permanência e alta devem seguir exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança, independentemente das convicções políticas dos pacientes. Também anunciou procedimentos internos para apurar os fatos, com garantia de contraditório, e afirmou que adotará as medidas cabíveis caso identifique condutas incompatíveis com as normas.

A direção apresentou desculpas formais a pacientes e colaboradores que tenham se sentido atingidos. A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que adotou medidas administrativas para apurar a conduta e reforçou às equipes a orientação de garantir atendimento adequado e respeitoso aos usuários do SUS.

Leia a nota na íntegra:

“O Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara informa que não adota posicionamento político-partidário e pauta sua atuação exclusivamente pelos princípios que regem a assistência pública à saúde, pela ética profissional e pelos critérios técnicos e assistenciais aplicáveis a cada paciente.

As manifestações mencionadas na solicitação encaminhada pela imprensa ocorreram em grupo interno e privado de profissionais médicos e constituem manifestações de caráter pessoal de seus participantes, não representando, em nenhuma hipótese, posicionamento da Administração do Hospital ou da instituição responsável pela gestão da unidade.

O Hospital ressalta, ainda, que manifestações ou preferências políticas de caráter pessoal não se confundem com as condutas médicas e assistenciais adotadas na unidade. Decisões relativas à internação, permanência hospitalar e alta devem observar exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança do paciente, independentemente de qualquer convicção política, ideológica, religiosa ou de outra natureza.

Diante das informações recebidas, a Administração adotará os procedimentos internos apropriados para apuração dos fatos e de seu contexto, assegurados o contraditório, a adequada instrução e a observância das normas institucionais e profissionais aplicáveis. Caso sejam constatadas condutas incompatíveis com essas normas, serão adotadas as medidas cabíveis.

O Hospital reafirma seu compromisso com uma assistência impessoal, humanizada, ética e tecnicamente orientada, garantindo tratamento isonômico a todos os usuários do Sistema Único de Saúde.

A direção do HMMCC lamenta o ocorrido e apresenta desculpas formais aos colaboradores e pacientes que por algum motivo se sentirem atingidos pelo fato. Reitera ainda não pactuar com nenhuma forma de discriminação de qualquer natureza.

Por fim, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia informa que, assim que tomou conhecimento dos fatos relatados, adotou as medidas administrativas cabíveis para a apuração da conduta mencionada.

A Secretaria também reforçou a orientação às equipes quanto à necessidade de garantir atendimento adequado, ético e respeitoso a todos os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara – Secretaria Municipal de Saúde (SMS)”

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Veja o que se sabe sobre o caso da médica suspeita de orientar a não dar alta a pacientes 'petistas' no dia da eleição, em Goiás

 Mensagens escritas por Marcella Segato de Sousa Melo motivaram denúncia ao Ministério Público Federal. Administração do hospital de Goiânia em que a ginecologista e obstetra trabalha apura o caso.

Por Rafaella Barros, Letícia Fiuza, g1 Goiás e TV Anhanguera

Médica é suspeita de orientar funcionários a ‘não dar alta para petistas’

Médica é suspeita de orientar funcionários a ‘não dar alta para petistas’


O caso da médica suspeita de ter orientado outros profissionais de saúde a não dar alta a "pacientes petistas" que estavam internados na enfermaria da Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, está sendo investigado pela Prefeitura. Marcella Segato de Sousa Melo, chefe da ginecologia e obstetrícia da unidade, foi afastada das funções durante a apuração.

O g1 entrou em contato com Marcella, que disse que vai se manifestar sobre o caso ainda nesta quarta-feira (07), "assim que possível".

Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) disse que as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos, recebidas pelo Cremego ou das quais toma conhecimento, são apuradas e tramitam em total sigilo (leia a íntegra da nota ao final da reportagem).

Veja abaixo os principais pontos do caso, que foi alvo de uma denúncia feita ao Ministério Público Federal.

Quando e como aconteceu

No dia 2 de outubro, dois dias antes das eleições do primeiro turno, Marcella, que é ginecologista e obstetra, publicou mensagens em grupo de WhatsApp que reúne profissionais da maternidade, sugerindo que não permitissem que supostos eleitores ou simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT) não fossem liberados.

"Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista", escreveu a médica, conforme mostram prints mostrados pela TV Anhanguera.

Médica é suspeita de orientar funcionários a ‘não dar alta para petistas’ em dia de eleição — Foto: Reprodução/TV Anhaguera

Médica é suspeita de orientar funcionários a ‘não dar alta para petistas’ em dia de eleição — Foto: Reprodução/TV Anhaguera

Como foram as reações

Na conversa, é possível ver que 12 participantes do grupo reagiram com emojis de risada, de sinal de positivo e da bandeira do Brasil.

Um dos colegas chegou a responder: 'Combinado'. Não é possível afirmar, porém, se alguém realmente seguiu a recomendação da médica e deixou de dar alta a algum paciente.

Em qual grupo as mensagens foram escritas

De acordo com a assessoria da Maternidade Jaime Câmara, Marcella é contratada pela empresa que presta serviços para a Organização Social (OS) que faz a gestão da unidade.

Em nota, a maternidade afirmou que as mensagens foram escritas por Marcella em um grupo privado de médicos e "constituem manifestações de caráter pessoal de seus participantes, não representando, em nenhuma hipótese, posicionamento da Administração do Hospital ou da instituição responsável pela gestão da unidade" (leia a íntegra abaixo).

O que diz o Cremego

"O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) esclarece que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos, recebidas pelo Cremego ou das quais toma conhecimento, são apuradas e tramitam em total sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico. O Cremego também solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição citada nas denúncias".

O que diz o hospital

Leia a íntegra da nota da maternidade:

"O Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara informa que não adota posicionamento político-partidário e pauta sua atuação exclusivamente pelos princípios que regem a assistência pública à saúde, pela ética profissional e pelos critérios técnicos e assistenciais aplicáveis a cada paciente.

As manifestações mencionadas na solicitação encaminhada pela imprensa ocorreram em grupo interno e privado de profissionais médicos e constituem manifestações de caráter pessoal de seus participantes, não representando, em nenhuma hipótese, posicionamento da Administração do Hospital ou da instituição responsável pela gestão da unidade.

O Hospital ressalta, ainda, que manifestações ou preferências políticas de caráter pessoal não se confundem com as condutas médicas e assistenciais adotadas na unidade. Decisões relativas à internação, permanência hospitalar e alta devem observar exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança do paciente, independentemente de qualquer convicção política, ideológica, religiosa ou de outra natureza.

Diante das informações recebidas, a Administração adotará os procedimentos internos apropriados para apuração dos fatos e de seu contexto, assegurados o contraditório, a adequada instrução e a observância das normas institucionais e profissionais aplicáveis. Caso sejam constatadas condutas incompatíveis com essas normas, serão adotadas as medidas cabíveis.

O Hospital reafirma seu compromisso com uma assistência impessoal, humanizada, ética e tecnicamente orientada, garantindo tratamento isonômico a todos os usuários do Sistema Único de Saúde.

Por fim, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia informa que, assim que tomou conhecimento dos fatos relatados, adotou as medidas administrativas cabíveis para a apuração da conduta mencionada.

A Secretaria também reforçou a orientação às equipes quanto à necessidade de garantir atendimento adequado, ético e respeitoso a todos os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara - Secretaria Municipal de Saúde (SMS)".

O que diz a lei

Em entrevista ao g1, Bruno Pena, advogado especialista em Direito Eleitoral, explicou que o artigo 297 do Código Eleitoral estabelece que é crime impedir ou embaraçar o exercício do voto.

"Se for demonstrado que uma paciente que estava clinicamente apta à alta teve sua liberação retardada, ainda que por algumas horas, por causa dessa orientação eleitoral, para dificultar que fosse votar, o artigo 297 já está consumado", explicou o advogado.

De acordo com o especialista, a pena prevista para esse tipo de crime é de detenção de até seis meses, além do pagamento de 60 a 100 dias-multa.

Médica que orientou a não dar alta a pacientes 'petistas': entenda | G1