Médico antivacina Roberto Petrella foi preso na Itália Foto: Reprodução/Redes sociais
CATANZARO, ITÁLIA — Um médico antivacina foi preso nesta segunda-feira na comuna de Catanzaro, na Itália. Roberto Petrella, de 75 anos, é acusado de homicídio culposo pela morte de um paciente. A vítima foi atendida apenas por telefone e tratada com métodos não científicos, como misturas à base de cogumelos.
Petrella é ginecologista e atua na cidade de Téramo. No entanto, ele atendeu pacientes de diferentes regiões da Itália por telefone e também usou suas redes sociais para divulgar "tratamentos alternativos", sem fundamentação científica, para os pacientes.
O suspeito foi colocado em prisão domiciliar após uma investigação do Ministério Público de Catanzaro. Os investigadores realizaram interceptações telefônicas e registraram conversas nas quais o médico não teria diagnosticado corretamente um doente com patologias graves anteriores.
O paciente teve um ataque cardíaco em 2007 e sofria de hipertensão, hipercolesterolemia, diabetes e problemas de próstata. Apesar do histórico médico, Petrella prescreveu tratamento não reconhecido pelos órgãos oficiais da Itália.
De acordo com a investigação, o médico também aconselhou o paciente a adiar a internação. "Não, se você for para o hospital morre, eles entubam", diz o médico em uma conversa telefônica interceptada. O paciente posteriormente morreu de ataque cardíaco.
Em 2020, Petrella afirmou que a pandemia é um "hype da mídia" e declarou que as vacinas são inúteis e prejudiciais. Ele também respondeu a um procedimento disciplinar da Ordem dos Médicos em 2019, quando encabeçou uma campanha contrária à vacinação de crianças contra o HPV.
- Autonomia Médica e Sem Infração Ética: O CFM estabeleceu que, diante da excepcionalidade da pandemia e da falta de tratamentos curativos comprovados, o médico teria a prerrogativa de prescrever cloroquina ou hidroxicloroquina, não sendo considerado infração ética, desde que baseado em critérios clínicos.
- Consentimento do Paciente: O uso foi condicionado à vontade do paciente (ou seus representantes), que deve ser informado sobre a falta de evidências científicas robustas de eficácia e os possíveis efeitos colaterais (uso compassivo).
- Sem Recomendação Obrigatória: O CFM deixou claro que a permissão não significava uma recomendação de uso obrigatório, mas sim a autorização para que o médico decidisse.
- Sem Evidências Sólidas: O próprio conselho reconheceu, em abril de 2020, que não existiam ensaios clínicos robustos (randomizados e publicados em revistas de alto impacto) que comprovassem a eficácia do medicamento contra a COVID-19.
- Controle de Receita: O CFM solicitou à Anvisa que a venda de cloroquina e hidroxicloroquina fosse realizada apenas com receita médica especial, para evitar o desabastecimento de pacientes que necessitam do remédio para doenças crônicas, como lúpus e artrite.
- Uso Experimental: Em 2021, o CFM definiu como experimental o uso da hidroxicloroquina e cloroquina por inalação.
Apesar de estudos internacionais e da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontarem a ineficácia do medicamento, o CFM manteve sua posição de permitir o uso baseada na autonomia médica. Essa postura gerou críticas e até ações judiciais, como uma ação da Defensoria Pública da União (DPU) pedindo indenização por danos morais coletivos, argumentando que o conselho não revisou sua posição à luz de novas evidências científicas.
- Roberto Kalil Filho: Cardiologista do Hospital Sírio-Libanês, admitiu ter usado hidroxicloroquina durante sua internação por COVID-19 em abril de 2020 e também prescreveu o medicamento a pacientes no início da pandemia.
- Davi Uip: Infectologista e, na época, chefe do Centro de Contingência de Combate à Doença em São Paulo. Uma receita assinada por ele circulou na época, e embora tenha havido incertezas, ele confirmou ser a sua receita.
- Francisco Eduardo Cardoso Alves: Médico que atuou na linha de frente e defendeu o uso da cloroquina como "fármaco reposicionado".
- Paolo Zanotto: Virologista que debateu a eficácia da cloroquina.
- Grupo de "10 mil" médicos: Houve um movimento organizado de médicos que apoiava o uso de "tratamento precoce", incluindo cloroquina, com forte aproximação com o governo de Jair Bolsonaro.
- Representantes no CFM: Médicos defensores do uso de cloroquina e do "tratamento precoce" (como o caso citado na reportagem da CNN Brasil em agosto de 2024, onde um médico com essa postura foi eleito representante de SP no Conselho Federal de Medicina) ganharam destaque e posições.
- Protocolo do Ministério da Saúde: Em maio de 2020, o Ministério da Saúde emitiu um protocolo que permitia o uso de cloroquina para casos leves de COVID-19.
- Posição das Associações: A Associação Médica Brasileira (AMB) posicionou-se posteriormente, defendendo o banimento do uso de cloroquina e outros remédios sem eficácia comprovada.
- Eficácia: Estudos posteriores e a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomendaram o uso dessas substâncias para o tratamento da COVID-19.




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