segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Médico é preso suspeito de negar socorro a recém-nascido no Maranhão


Segundo a polícia, Paulo Roberto Penha Costa alegou que não atenderia paciente de outro município. Bebê morreu, e médico foi atuado em flagrante por homicídio culposo



Por G1 MA
 
Médico é preso acusado de omitir socorro a recém-nascido no Maranhão


O médico Paulo Roberto Penha Costa, de 44 anos, foi preso na madrugada desta quinta-feira (1º) após negar socorro a um recém-nascido, que acabou morrendo, no município de Pinheiro, a 333 km de São Luís.

Segundo informações da Polícia Militar, o recém-nascido chegou em estado grave ao Hospital Materno Infantil em uma ambulância da cidade de São Bento, que fica a 40 km de Pinheiro. No entanto, Paulo Roberto alegou que não atenderia um paciente de outro município por determinação do hospital,

O G1 entrou em contato por telefone com o advogado do médico, mas ele ainda não atendeu as ligações.

Por meio de nota, a direção do Hospital Materno Infantil informou ao G1que ao chegar à unidade de saúde o recém-nascido já estava morto por conta das condições inadequadas de transporte em que a criança foi levada até o hospital. O hospital alega que a responsabilidade do óbito é do médico que autorizou o deslocamento do bebê de São Bento até Pinheiro e informou ainda que todos os hospitais do município de Pinheiro sempre prestam atendimento aos pacientes de todos os municípios do Maranhão. (leia a íntegra da nota abaixo)


Paulo Roberto foi autuado em flagrante por homicídio culposo e, se não pagar fiança correspondente a 50 salários mínimos (equivalente a R$ 47,7 mil) será transferido para o presídio ainda nesta quinta

Paulo Roberto Penha Costa foi preso acusado de omitir socorro a recém-nascido em Pinheiro (MA). (Foto: Divulgação)
Paulo Roberto Penha Costa foi preso acusado de omitir socorro a recém-nascido em Pinheiro (MA). (Foto: Divulgação
Ainda de acordo com a polícia, o médico não saiu do seu quarto nem para atender a criança e nem para dar explicações aos policiais. Diante da recusa de Paulo Roberto, os policiais decidiram prender o médico pelo crime de omissão de socorro


O bebê, que segundo a polícia apresentava insuficiência respiratória, morreu minutos depois dentro da ambulância na porta do hospital.


Por telefone, o delegado de Pinheiro, Carlos Renato de Azevedo, disse ao G1 que o médico contou em seu depoimento que não prestou socorro devido a uma determinação da direção do hospital para que não atendessem pacientes de outras cidades – que deveriam ser levados para Viana, município a 126 km de Pinheiro
Para ser liberado, médico deverá pagar fiança correspondente a 50 salários mínimos. (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Para ser liberado, médico deverá pagar fiança correspondente a 50 salários mínimos. (Foto: Divulgação/Polícia Civil
Na madrugada do dia 01/02, às 2:05 da manhã, chegou na unidade de saúde Materno Infantil de Pinheiro, uma ambulância de São Bento transportando um Neonato de 01 dia de nascido, grave, em uso de Droga vasoativa (adrenalina) que de forma alguma pode ser ministrado por técnico de enfermagem, em companhia apenas de um técnico de enfermagem, de forma inadequada, sem acompanhamento médico e/ou do enfermeiro e sem ambulância adequadamente equipada para esse transporte de Neonato segundo resolução 1.673/2003 do CFM e resolução 375/2011 do COFEM artigo 1 (em anexos).

Na chegada a unidade, o Neonato não foi nem retirado da ambulância e foi comunicado à equipe de plantão, que já constatou que o mesmo já se encontrava em óbito. Visto o caso referido, a responsabilidade é inteiramente do médico responsável pelo transporte do hospital de São Bento.


Informamos ainda que os hospitais do município de Pinheiro sempre prestam atendimento a todos os pacientes de todos os municípios, estando pactuados ou não e que segundo o código de ética profissional, se faz claro que todos pacientes graves sejam atendidos e que dessa forma, visto que o paciente já se encontrava em óbito, não caracteriza o fato acima como omissão de socorro.

O Hospital Nossa Senhora das Mercês (Materno Infantil) lamenta profundamente que vidas ainda sejam perdidas por conta da omissão do cumprimento das normas e leis de saúde; o transporte adequado dos pacientes de outros municípios para nossas unidades pólo podem determinar a vida e a morte da população

Nos solidarizamos profundamente com a dor da família em luto e afirmamos que nunca omitimos ou omitiremos socorro e que lamentamos imensamente não poder salvar as vidas que chegam até nós de forma irremediável.


Médico Paulo Roberto Penha Costa  é acusado de omitir socorro no Hospital Materno Infantil de Pinheiro (Foto: Divulgação/Prefeitura de Pinheiro)


Médico Paulo Roberto Penha Costa é acusado de omitir socorro no Hospital Materno Infantil de Pinheiro (Foto: Divulgação/Prefeitura de Pinheiro

Médico é preso suspeito de negar socorro a recém-nascido no Maranhão | Maranhão | G1

Médica negou atendimento porque paciente era criança, diz diretora da Cuidar

Médica negou atendimento porque paciente era criança, diz diretora da Cuidar

Breno morreu ontem no prédio da família, no Recreio dos Bandeirantes
Breno morreu ontem no prédio da família, no Recreio dos Bandeirantes Foto: Arquivo pessoal
Rodrigo Bertolucci
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A médica Haydee Marques da Silva, da Cuidar Emergências Médicas, que não prestou socorro a Breno Rodrigues Duarte da Silva, de 1 ano e 6 meses, na manhã desta quarta-feira, negou o atendimento quando soube que o paciente era uma criança. A informação é de uma diretora da empresa, que pediu para não ter seu nome divulgado.
Breno sofria de uma doença neurológica chamada síndrome de ohtahara, que provoca convulsões severas. Na quarta-feira de manhã, ele apresentou um quadro infeccioso, e a família chamou uma ambulância da Cuidar, por meio do plano de saúde Unimed-Rio. O veículo chegou com Haydee por volta de 9h no condomínio da criança, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. Mas, conforme mostrou o EXTRA nesta quarta, a profissional foi embora sem subir ao apartamento de Breno, que morreu 1h30 depois.
- Infelizmente a unidade saiu do local porque a médica alegou que não atenderia uma criança, já que ela é clínica geral e anestesista, e não pediatra - explicou a diretora da Cuidar, que demitiu a médica nesta quinta-feira.
Felipe e Rhuana lamentam a morte do filho
Felipe e Rhuana lamentam a morte do filho Foto: Arquivo pessoal
Em entrevistas, os pais de Breno, Felipe Duarte e Rhuana Rodrigues, disseram que funcionários do prédio ouviram a médica gritando que não iria atender o filho deles porque já tinha passado de seu horário de trabalho. Entretanto, de acordo com a diretora da empresa, ela tinha começado seu expediente duas horas antes, às 7h.
Um vídeo gravado por uma câmera interna mostra a médica, dentro da ambulância, rasgando um documento, antes de o veículo ir embora do prédio, às 9h13. Breno Rodrigues Duarte da Silva morreu esperando outro socorro. Segundo a família, funcionários do condomínio ouviram a médica gritar que tinha passado de seu horário de trabalho.
A Cuidar Emergências Médicas é prestadora de serviços da Unimed-Rio. A médica envolvida no caso estava na empresa há quatro anos. A diretora garantiu que, independentemente da especialização, ela tinha qualificação técnica para fazer o transporte do paciente.
- Nosso serviço tem a mesma lógica do bombeiro. Falei com ela (médica) hoje por telefone e ela disse que não tinha visto nada na televisão e que estava indo ao dentista. Se limitou a me ouvir - disse a executiva, que pediu para não ter seu nome publicado porque já recebeu ameaças depois que o caso foi publicado.
Familiares e amigos de Felipe e Rhuana apoiaram casal
Familiares e amigos de Felipe e Rhuana apoiaram casal Foto: Carolina Heringer/EXTRA
Breno foi enterrado por volta das 16h desta quinta-feira. Os parentes, além de inconsoláveis, estão indignados com o que chamam de omissão de socorro por parte da médica.
- Agora vou viver com esse 'se' para o resto da minha vida: se ela tivesse levado será que o meu filho estaria vivo? Ele morreu 1h30 depois. Dava tempo de levá-lo ao hospital. É desumano. Abri mão da minha vida para cuidar do meu filho, que era especial, e agora não tenho mais o meu Breno. Ela negou socorro - lamentou a mãe do menino.
Em nota, a Unimed-Rio lamenta o falecimento do pequeno e explica que a ambulância pertence à Cuidar Emergências Médicas, que presta serviços para o plano de saúde. Veja a nota na íntegra:
"A Unimed-Rio lamenta profundamente o falecimento do pequeno Breno Rodrigues Duarte da Silva na manhã desta quarta-feira, 7/6 e vem prestando apoio irrestrito à família nesse momento tão difícil. A cooperativa tomará todas as providências para descredenciar imediatamente o prestador 'Cuidar', pela postura inadmissível no atendimento prestado à criança. Além disso, adotará todas as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis em razão da recusa de atendimento por parte do prestador de serviço".
O Conselho Regional de Medicina (Cremerj) abriu uma sindicância para apurar o caso. A 16ª DP (Barra da Tijuca) está investigando o ocorrido.
Homenagens são feitas ao pequeno Bruno
Homenagens são feitas ao pequeno Bruno Foto: Carolina Heringer
O velório e o sepultamento de Breno aconteceram nesta quinta-feira, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, na Zona Norte do Rio. Muito emocionados, os pais do menino vestiam uma camisa com a foto do bebê com os dizeres "Para sempre nosso campeão Breno"

Com média de 17 casos por mês, vítimas de erro médico em MS reclamam de punições


Segundo Valdemar, desde julho de 2007, data de fundação da Associação, até os dias de hoje, a Avem registrou 406 casos de vítimas decorrentes de erros médicos. Apesar da média de uma reclamação a cada três dias, os dados oficiais do Conselho têm ainda mais casos. Somente neste ano, já são 133 denúncias registradas no órgão.
Mesmo assim, os pacientes acham que as punições são poucas. “Não temos nada contra o CRM, mas tenho certeza que a partir do momento que eles aumentarem as punições, a sociedade terá um bom retorno e os erros diminuirão”, propõe Valdemar.
O presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS), Juberty Antônio de Souza, nega que faltam punições. “Toda denuncia feita no CRM é apurada, exceto as anônimas. Os processos abertos ocorrem da mesma forma como na esfera criminal, onde todos os envolvidos são chamados e investigados, nenhum caso passa despercebido, se for verificado irregularidade, é aberto um processo ético, se não, ele fica arquivado”, explica.
Segundo o médico, só no ano passado de janeiro a dezembro 207 denúncias foram feitas ao CRM, das quais em 54 os acusados receberam punições leves, como advertências confidenciais, suspensão da atividade por 30 dias ou censura pública.
Apesar do alto número de denúncias, Juberty conta que apenas um caso em 2010 levou à cassação do exercício médico. Ele se refere ao caso do médico Marcus Vinicius Carreira Bentes, major urologista acusado de abusar sexualmente de uma paciente durante uma consulta no Hospital Geral de Campo Grande, o Hospital Militar.
A Associação das Vítimas diz que os casos não param de surgir, e a opção é ir diretamente à Justiça. A Avem-MS jã prepara uma ação contra o Hospital Evangélico de Dourados depois que um recém-nascido apresentou uma perfuração no esôfago, logo após o parto, em uma cirurgia realizada há pouco mais de 30 dias.
Depois do parto, a criança sofreu paradas cardiorrespiratórias e a família encaminhou a menina às pressas de avião na última quarta-feira (20) até o hospital El Kadri em Campo Grande, onde a perfuração do esôfago foi constatada.
“Os casos mais graves nem levamos ao CRM, pois a punição deles não tem validade, é um corporativismo muito grande, isso prejudica o processo, dificilmente um médico será punido, hoje, só casos gravíssimos como o caso Rondon, são resolvidos em parte. Eles abrem sindicâncias, fazem tudo judicialmente correto, e depois a vítima recebe em casa uma carta dizendo que o processo foi arquivado. Para nós da associação, o CRM deixa muito a desejar”, critica Valdemar.
Mais perigoso que avião
Um outro caso apurado pela Avem é o de Patrícia Dias Bardela, de 19 anos. Há cerca de 25 dias, o filho dela nasceu morto após uma cirurgia realizada na Santa Casa de Campo Grande. Patrícia contou a Avem-MS que fez o exame pré-natal no posto de saúde da Vila Sílvia Regina, região Oeste da Capital, mas o médico não a orientou a fazer sequer um ultrassom.
Ao sentir contrações, ela foi até o mesmo posto, que fica perto de sua residência e rapidamente foi encaminhada para a Santa Casa, porém de forma incorreta, sem haver os devidos registros para o encaminhamento. Devido ao fato, ela precisou aguardar por mais tempo, e com isso, acabou perdendo o bebê. Ao realizar a cirurgia, ele foi retirado morto da barriga da mãe. Segundo o presidente da Avem, a associação apura o caso com ajuda da Justiça.
Risco mundial
Nesta última quinta-feira (21) a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que ir a um centro médico é mais arriscado do que viajar de avião. Segundo a pesquisa da Organização, milhões de pessoas morrem todos os anos em decorrência de erros médicos e infecções adquiridas em hospitais, e o risco de um passageiro morrer numa viagem aérea é de cerca de um em dez milhões de pessoas, enquanto a chance de ser vítima de um erro médico é de uma em dez.