terça-feira, 1 de setembro de 2015

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Médico condenado por colocar moldes no lugar de silicone em cirurgia mamária


A 1ª Câmara de Direito Civil do TJ de Santa Catarina confirmou sentença da comarca de Lages que condenou o médico Lucemar Palhano Prestes ao pagamento de indenização por danos materiais e morais no valor de R$ 48 mil, em favor de uma paciente cujo implante de prótese mamária foi realizado, em julho de 2005, com o uso de moldes, e ainda de tamanhos distintos para cada seio.
Por conta desta situação, a mulher precisou submeter-se a quatro intervenções e passou, neste interregno, por quadro infeccioso, dores, deformação dos seios e excesso de pele, entre outros desagradáveis efeitos colaterais, principalmente na parte anímica.
O médico contestou alegando que a infecção descrita na inicial se deu por desleixo da autora que não teria atendido às recomendações dadas, sendo que as demais complicações se deram em decorrência de reação do próprio organismo da paciente, a qual pode surgir independentemente da técnica cirúrgica e/ou do cirurgião. Disse que a substituição das próteses é procedimento normal e recomendado e rebateu a alegação de que foram implantados medidores nos seios da autora, visto que a eventual presença deles no corpo da vítima não causaria contratura capsular, mas sim um quadro grave de infecção.
O desembargador Raulino Jacó Brünning, relator da apelação, rechaçou o argumento do médico, que pleiteava a nulidade da sentença por cerceamento de defesa.
Segundo o relator, o juiz Francisco Carlos Mambrini, ao sentenciar, reconheceu que "o médico agiu com correção ao julgar antecipadamente a lide, diante dos fortes elementos de convencimento presentes nos autos".
O resultado da prova pericial afirmou que a qualidade do material empregado é de fundamental importância e que "os medidores não foram fabricados com a função de substituir as próteses cirúrgicas de silicone, e sim apenas para auxiliar, durante a cirurgia, na definição do tamanho da prótese verdadeira".
Os autos revelam que, consultado, o Conselho Regional de Medicina informou que a médico não possuía cadastro para atuar como cirurgião plástica, mas sim com medicina esportiva. O relator ressaltou que, apesar de não ser proibido aos médicos em geral efetuar cirurgias estéticas, é de bom senso ter especialização na área.
O acórdão refere que a atitude do médico foi de "total irresponsabilidade, chegando às raias do absurdo". Houve apenas adequação na sentença para redefinir a incidência de juros a partir da citação. A decisão foi unânime. O médico ainda pode recorrer aos tribunais superiores.
Os advogados Alexsandro Kalckmann e atua em nome da autora. (Proc. nº . 2012.080249-4 - com informações do TJ-SC e da redação do Espaço Vital).
Para entender o caso

* A cirurgia foi realizada junto à Clínica La Vita, em Lages. Segundo a petição inicial, a paciente passou a ter problemas depois da cirurgia, pois os pontos não cicatrizaram adequadamente, causando dores e trocas diárias de curativos. Ela teve febre alta e quadro infeccioso em 26.01.2006, sendo realizada nova cirurgia pelo réu Lucemar Palhano Prestes a fim de remover as próteses, ficando seis meses com os seios deformados pela flacidez, excesso de pele e cicatriz oriundos do segundo procedimento.

* O médico réu marcou uma terceira cirurgia para a colocação das novas próteses mamárias, procedimento que foi realizado em São Joaquim/ (SC). Após a retirada dos curativos, a autora foi surpreendida com a constatação de que estava com os seios totalmente deformados e de tamanhos diferentes, o que era completamente visível
até com o uso de roupas.

* Diante do péssimo resultado da cirurgia e das dores constantes, a autora submeteu-se a exame laboratorial que constatou a ocorrência de contratura capsular na área afetada. Frente ao resultado desse exame, o réu então sugeriu que a autora se submetesse a uma quarta cirurgia para a substituição das próteses.

* Descontente, a autora entrou em contato direto com a empresa Silimed, responsável pelas próteses, e noticiou todo o ocorrido, oportunidade em que lhe foi indicado o nome de outro médico para o exame do caso. Assim, em 13.09.2009 ela submeteu-se à quarta cirurgia para a troca das próteses e remoção da contratura capsular, procedimento realizado por outro médico, tendo ele - segundo os autos - "constatado com surpresa que no lugar das próteses mamárias de silicone, a demandante continha dois medidores de tamanhos diferentes, ou seja, moldes que devem ser utilizados para a medição e escolha do tamanho das mamas".

* Aduziu a autora que o resultado da cirurgia realizada pelo novo profissional foi exitosa, mas não foi capaz de apagar a angústia e a frustração que sentiu em decorrência da conduta imperita do demandado.

Da base de dados do Espaço Vital

Em agosto de 2011, o mesmo médico Lucemar Palhano Prestes já tinha sido condenado pelo TJ-SC a indenizar uma outra ex-paciente, por conta de negligência médica em mamoplastia de implante de silicone.

A cifra fixada, na ocasião, foi de R$ 40 mil a título de indenização por danos morais, materiais e estéticos. (Proc. nº 2008.023951-9).

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Lagoa de Itaenga

Garoto de 3 anos vive em estado vegetativo após 12 cirurgias

O Imip e a AACD teriam negado atendimento ao menino por ele não ser parte do público-alvo
Publicado em 26.11.2014, às 18:30
Por Site Da TV Jornal

Reprodução/TV Jornal

Um menino de 3 anos, que atualmente mora em Lagoa de Itaenga, na Zona da Mata  de Pernambuco, está em estado vegetativo após fazer 12 cirurgias para corrigir uma atresia do esôfago, má formação que impede a passagem do alimento até o estômago. Por causa da doença, desde que nasceu José Vitor não consegue se alimentar pela boca. Em agosto, enquanto se submetia a mais um procedimento cirúrgico, dessa vez no Hospital da Restauração (HR), no Derby, área central do Recife, o garoto sofreu uma parada cardiorrespiratória e passou 30 minutos desacordado, sem oxigenação. Ele conseguiu retornar, mas apresentou sequelas muito graves e 70% do cérebro foi afetado.

Atualmente, além da atresia do esôfago ter piorado, José Vitor perdeu todos os movimentos e não responde a nenhum estímulo. Desde então, o garoto, que precisa de acompanhamento constante de uma equipe médica, não está sendo atendido por nenhum hospital de Pernambuco. Segundo os pais da criança, o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) e a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), duas unidades de referência do Estado, negaram atendimento a José Vitor porque, como ele não responde a nenhum estímulo, não faria parte do público-alvo de atendimento.

Ao longo de três anos de luta contra a doença, o pequeno realizou três cirurgias no município onde a família morava, em Natal, no Hospital Maria Alice, no Rio Grande do Norte. Sem sucesso, os familiares de José Vitor se mudaram para Pernambuco e mais nove cirurgias foram feitas, sendo oito no Imip e uma no HR. Diante da situação do garoto, os pais dele pararam de trabalhar para cuidar da criança. José Vitor só se alimenta e toma remédios por sonda. Além disso, ele tem muita secreção e fica sufocado. Por isso, os pais precisam aspirá-lo a todo momento, para que o menino não fique sem ar. Embora a família receba doações e tenha uma cama hospitalar em casa para o garoto, José Vitor precisa de atendimento médico constante. Profissionais como neurologista, pediatra, gastroenterologista e fisioterapeuta são fundamentais para que a criança possa melhorar o quadro de saúde e volte a ter qualidade de vida.

Ciro Bezerra e a equipe de jornalismo do programa O Povo na TV se mobilizaram para garantir os direitos médicos de José Vitor e foram até a Secretaria de Saúde de Pernambuco para cobrar uma solução. A secretária-executiva de Saúde, Ivete Buril, afirmou que o garoto tem sido atendido pelo Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF) do município. Ele faz fisioterapia às terças e quintas-feiras. Quinzenalmente, ele é atendido pela enfermeira do Programa de Saúde da Família (PSF). Além disso, quando há necessidade de consulta com um especialista, o pai do menino se informa com a Secretaria Municipal, que entra em contato com a Segunda Regional de Saúde. Na semana passada, sexta-feira (21), José Vitor foi atendido por um pediatra e uma cirurgiã-pediatra no Imip. 

Questionada por Ciro se o garoto não necessita de atendimento 24 horas, comhome care, a secretária disse que até o momento não chegou nenhuma solicitação médica de atendimento domiciliar. Para o próximo dia 1º de dezembro, estão marcadas consultas com otorrino, oftalmologista, fonoaudiólogo e fisioterapeuta. Esses médicos vão emitir pareceres para orientar os pais de José Vitor sobre os cuidados a se ter com o menino. A Secretaria de Saúde de Lagoa de Itaenga está custeando o complemento alimentar de José Vitor, transporte, fraldas e medicações, como pomadas.

Quem quiser ajudar José Vitor pode ligar para o pai dele, Natan. O telefone é: (81) 9475-4028.

Cirurgia simples deixa jovem em estado vegetativo há 17 anos

Há 17 anos, uma garota perdeu a juventude. Desde então, vegeta numa cama de hospital improvisada no quarto de casa. Os dias se repetem e um silêncio sepulcral incomoda pai e mãe.
Os dias são iguais há 17 anos. Os olhos abrem antes de o sol nascer, duas moças entram em a casa e o mingau é dado. Aí vem suco, almoço, remédio, lanche, mais remédio e jantar. Logística repetida a cada três horas. No quarto, Flávia vegeta. Prostrada numa cama de hospital improvisada, ela não fala, não ouve, não anda, não mastiga. Apenas respira e engole o que lhe põem na garganta com uma seringa.
Sem fisioterapia, os membros atrofiam. E os pais suspeitam que sequer enxergue. “Estamos privados de qualquer lazer. Mas prefiro pensar que estou passando por algo que preciso para ser uma pessoa melhor”, diz Archimedes Fortes Avelino, 70.
Em 9 de setembro de 1994, Flávia Maria Prata Avelino entrou numa sala de cirurgia para uma simples retirada de cartuchos do nariz. À época, tinha 20 anos. Saiu do hospital em coma. Foi quando o tempo congelou. Para ela e todos ao redor. Lembranças de uma tragédia que completa 6.205 dias na próxima sexta-feira. “A dor é a mesma. Pode passar 20, 30 anos que a dor será a mesma. Mas só sabe quem sente. Não adianta falar”, frisa Márcia Maria Prata Avelino, 65.
O pai, um professor realizado, viu desabar o prédio recém-construído da vida. Os três filhos já estavam crescidos e ele acabara de ingressar com Flávia na universidade. Cursavam engenharia elétrica na UFC. Estavam no segundo ano quando tudo aconteceu. “Na sala, ela ficava na frente e eu atrás. Me achava brincalhão demais e queria que eu fosse mais sério”, recorda.
Ele ainda tentou tocar os estudos, continuar lecionando e fazer doutorado em física. Mas a primogênita requeria atenção integral. Principalmente porque os amigos minguaram. Agora, o homem com nome do criador de diversas armas militares tem a biblioteca de casa como companheira.
Chega a dormir nela muitas vezes. Sob a vigília da foto de Flávia pequenina. “Eu imaginava que, nessa idade, íamos viver viajando...que eu ainda teria a vida principesca de antigamente. Mas vivemos numa prisão”, lamenta o pai.
Indenização
O processo reivindicando R$ 500 mil de indenização ao dono da clínica onde Flávia sofreu a parada cardiorrespiratória durante a cirurgia e não recebeu socorro a tempo de ficar sem sequelas ainda corre na justiça. “São 17 anos de constrangimento moral; de um silêncio sepulcral. E o que mais dói é o silêncio”, remói o professor.

Enquanto o caso não tem um desfecho judicial, a família se desfaz num pedido que corta a própria carne. “Todo santo dia, peço a Deus para levar ela primeiro do que a gente”, diz Archimedes.
A ponderação vem do coração de mãe, sempre esperançoso. Sempre fiel. “Ela era muito forte. Era tão viva...tão vaidosa...tão inteligente. Se eu pudesse falar com Deus e pedir para trocar de lugar com ela, pediria. Porque eu já vivi muito e ela era cheia de sonhos. Mas não posso”, diz Márcia.

E agora
ENTENDA A NOTÍCIA
Os pais descartam qualquer possibilidade de interromper o tratamento de Flávia. Archimedes e Márcia dizem que se sentiria culpado pela morte da filha. Preferem esperar que ela, hoje aos 37 anos, se vá de forma natural.

SAIBA MAIS
O POVO acompanha o caso de Flávia Avelino desde a década de 90, tão logo ela entrou em estado vegetativo.
Flávia chegou a passar 42 dias no hospital. Depois disso, ficou seis meses alimentando-se exclusivamente por sonda. Desde então, a comida é injetada na garganta por uma seringa. Por dia, Flávia utiliza 12 fraldas descartáveis.
Os pais suspenderam as sessões de fisioterapia que evitariam o atrofiamento dos membros da moça por conta do preço do serviço. Anualmente, eles já chegam a gastar R$ 30 mil.
O caso Flávia é similar ao de Theresa Marie Schindler-Schiavo, mais conhecida como Terri Schiavo. A norte-americana sofreu um ataque cardíaco que gerou uma lesão cerebral irreversível por conta de falta de oxigenação.
Ela tinha 27 anos. Morreu aos 42, após duas semanas sem comer e beber nada. O tubo de alimentação foi retirado a pedido do marido, Michael Schiavo. Por isso, Terry tornou-se um ícone da discussão em torno da eutanásia.
Fonte: O Povo Online
Por: redacao

Mulher tetraplégica após plástica será indenizada

AGENCIA ESTADO
13/08/2004 | 18h11

O juiz da 1ª Vara Cível de Cruzeiro Otávio Tioiti Tokuda, determinou que o cirurgião plástico Jorge Roberto Pio e o anestesista Adriano César Faria, da Clínica Santo Antonio, de Cruzeiro, paguem R$2.500 por mês para a assistente social Denise Giuponi Mendes, de 45 anos. Ela ficou tetraplégica, surda, muda e em estado vegetativo depois de uma lipoaspiração, em maio deste ano. A cirurgia também era para a redução dos seios. Na época, Denise pagou R$ 5 mil pela plástica. Desde que voltou da cirurgia, a assistente social vive a base de medicamentos, respira com a ajuda de oxigênio, não fala, não se move e se alimenta por meio de sonda. "A família gasta cerca de 5 mil reais por mês em remédios e fraudas e está sendo ajudada pela comunidade com campanhas", disse o advogado de Denise, Osvaldo Marques. De acordo com Marques, o pedido de indenização foi endossado pelo Ministério Público e concedido pelo juiz no dia 6 de agosto. "Ele determinou que os réus paguem solidariamente em razão do estado em que a paciente se encontra e as necessidades dela". O advogado explicou que a decisão da justiça não é uma indenização e sim uma "antecipação parcial dos efeitos da tutela". O juiz reconheceu que o dano causado à saúde da assistente social é de difícil reparação e ainda que a cirurgia foi mal sucedida.