quinta-feira, 2 de abril de 2026

Mulher morre após procedimento estético com PMMA em Goiânia



O médico que assinou um laudo falso envolvendo Pablo Marçal contra Guilherme Boulos foi preso


O médico que assinou um laudo falso envolvendo Pablo Marçal contra Guilherme Boulos foi preso em uma investigação que apura tentativa de desvio de R$ 845 mil. O caso não está diretamente ligado ao episódio político, mas revelou o histórico do profissional em outras fraudes.

Segundo as autoridades, o médico integrava um grupo suspeito de tentar se apropriar de valores da herança de um dos fundadores da Universidade Paulista (Unip). A ação envolvia a falsificação de documentos e manipulação de informações para obter acesso indevido ao dinheiro.

O laudo falso citado anteriormente foi utilizado em meio a disputas políticas recentes, levantando questionamentos sobre a credibilidade do documento e a conduta do profissional, que agora responde também por crimes relacionados à tentativa de fraude patrimonial.


Médico que fraudou laudo contra Boulos tem prisão decretada acusado de golpe

Ministério Público acusa grupo de participar de esquema para fraudar inventário de fundador do grupo Unip/Objetivo no valor de 845 milhões 

Por Heitor Mazzoco Materia seguirSEGUIR  31 mar 2026, 12h49 • Atualizado em 31 mar 2026, 13h13 



O médico Luiz Teixeira: um dos alvos do Gaeco  (Instagram/Divulgação)

 O médico e empresário Luiz Teixeira da Silva Junior é um dos alvos de operação desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), nesta terça-feira, 31, para cumprir mandado de prisão temporária no âmbito de investigação que apura formação de grupo criminoso para fraudar inventário do fundador do grupo Unip/Objetivo, João Carlos Di Genio, no valor de 845 milhões de reais.

Luiz Teixeira é citado pelo MP como responsável por fraudar laudo médico sobre internação pelo uso de cocaína contra o então candidato à Prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL) na reta final do primeiro turno de 2024. O falso documento foi divulgado pelo adversário Pablo Marçal (PRTB, à época).

“A falsidade do referido laudo foi tecnicamente atestada tanto pela Superintendência da Polícia Técnico-Científica do Instituto de Criminalística da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, quanto pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, conferindo elevado grau de credibilidade à imputação. Ademais, o mesmo Luiz Teixeira responde criminalmente em outro processo por falsificação de assinaturas de representantes da empresa Planova Planejamento e Construções Ltda, com a finalidade de viabilizar a venda de lotes a terceiros sem o conhecimento ou anuência da própria empresa”, sustenta a acusação do Ministério Público. O espaço está aberto para manifestação dos acusados.

Marçal, que posteriormente afirmou que não sabia se tratar de um documento falso, foi condenado pela Justiça paulista a pagar indenização por dano moral de 100 mil reais ao hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República.

Operação desta terça

Autoridades públicas foram às ruas nesta terça-feira para cumprir 9 mandados de prisão — um deles contra Luiz Teixeira — diante de uma investigação que apontou para “uma atuação estruturada de indivíduos com longo histórico criminal, que se valeram de falsidade documental, fraude processual, corrupção, além da simulação de procedimentos arbitrais, com o objetivo de dar aparência de legalidade a cobranças milionárias indevidas”, disse o MP.

Segundo o apurado, o grupo investigado teria tentado obter vantagem ilícita de 845 milhões por meio da criação de contratos falsos, posteriormente utilizados para embasar demandas judiciais e procedimentos arbitrais simulados, com o intuito de induzir vítimas e o próprio Poder Judiciário a erro.

De acordo com decisão do juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, do dia 23 de março, a prisão temporária (máximo de cinco dias) foi decretada contra Anani Candido de Lara, Luiz Teixeira da Silva Junior, Wagner Rossi Silva, Patricia Alejandra Ormart Barreto, Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira, Camilla Mariana Alejandra Piaggio Nogueira Ormat, Carlos Xavier Lopes, Rubens Maurício Bolorino e Aline Cordeiro de Oliveira Boaventura. O espaço está aberto para manifestação das defesas.

“Em razão da natureza dos crimes apurados, especialmente aqueles que envolvem falsificação documental, fraude processual e corrupção, a liberdade dos investigados representa risco concreto à eficácia das diligências em curso, notadamente quanto à ocultação, destruição ou adulteração de documentos e à influência indevida sobre terceiros. Como se vê, a medida pleiteada se mostra necessária para o prosseguimento das diligências a fim de desmantelar por completo o grupo criminoso em tela”, citou o magistrado em trecho da decisão.

Estudante de biomedicina investigado por morte de mulher em procedimento estético é preso após voltar a fazer atendimentos em Curitiba

 Erick Avelaneda Ferreira de Souza foi preso por exercício ilegal da medicina. Mesmo após investigação, ele voltou a realizar os procedimentos. Defesa afirmou que não teve acesso ao processo, que está sob sigilo, e classificou a prisão do cliente como ilegal e arbitrária.

Por Manuella Mariani, Alexandra Fernandes, g1 PR e RPC — Curitiba

  • Erick Avelaneda Ferreira de Souza, de 21 anos, foi preso preventivamente por exercício ilegal da medicina na manhã desta quarta-feira (1º), em Curitiba.

  • Ele é investigado pela morte de Silvana de Bruno, de 66 anos, após complicações de um procedimento estético.

  • Segundo a Polícia Civil (PC-PR), a prisão ocorreu após denúncias de que Erick continuava realizando procedimentos estéticos invasivos durante a investigação.

Estudante de biomedicina investigado por morte após procedimento estético é preso

Estudante de biomedicina investigado por morte após procedimento estético é preso


O estudante de biomedicina Erick Avelaneda Ferreira de Souza, de 21 anos, foi preso por exercício ilegal da medicina na manhã desta quarta-feira (1º), em CuritibaEle é investigado pela morte de Silvana de Bruno, de 66 anos, após complicações de um procedimento estético. Relembre caso abaixo.

Segundo a Polícia Civil (PC-PR), a prisão ocorreu após denúncias de que Erick continuava realizando procedimentos estéticos invasivos durante a investigação.

    Silvana de Bruno pagou R$ 15 mil pelos procedimentos estéticos feitos pelo estudante. Após as intervenções, a vítima teve um choque séptico e infecção de pele e partes moles, o que a levaram à morte, no início de outubro, em Curitiba.

    “Mesmo depois de ser investigado por uma morte, ele voltou a realizar procedimentos invasivos. Isso demonstra um total desrespeito à Justiça e risco à população”, disse a delegada Aline Manzatto.

    As equipes policiais cumpriram mandado de prisão e de busca no endereço do investigado. No local, foram apreendidos medicamentos e materiais utilizados em procedimentos, como seringas novas e usadas.

    Eurípedes Cunha, advogado responsável pela defesa de Erick, afirmou que não teve acesso ao processo, que está sob sigilo, e classificou a prisão do cliente como ilegal e arbitrária.

    "Tão logo tenhamos acesso ao processo, nós vamos entrar com os recursos pertinentes e tomar as medidas necessárias a isso", afirmou.

      Ameaças

      A delegada Aline Manzatto afirmou que a polícia recebeu uma denúncia de que Erick continuava realizando procedimentos estéticos, mesmo durante a investigação. Uma testemunha soube do caso e alertou duas pacientes, que desistiram do atendimento.

      Segundo a delegada, após o cancelamento, o suspeito passou a ameaçar a mulher que fez o alerta.

      "Quando desmarcaram o procedimento com ele, a pessoa que alertou essas mulheres foi ameaçada. Ele foi falar que ela tinha mexido com o capeta e que ela ia sofrer consequências, tanto em relação à ela, quanto ao estabelecimento dela", disse.

      A polícia informou que as pacientes que chegaram a realizar os procedimentos com ele não tiveram complicações.

      Polícia investiga morte de Silvana de Bruno depois de ela fazer uma série de procedimentos estéticos — Foto: Reprodução

      Polícia investiga morte de Silvana de Bruno depois de ela fazer uma série de procedimentos estéticos — Foto: Reprodução

      Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam medicamentos, seringas com conteúdo desconhecido e materiais com sangue que não haviam sido descartados corretamente.

      Ainda conforme a delegada, o suspeito passou a atender pacientes nas casas delas, sem condições adequadas de higiene.

      Erick deve responder por homicídio doloso qualificado pela morte de Silvana de Bruno, cuja pena pode chegar a 30 anos de prisão. Além disso, também pode responder por crimes relacionados ao uso de substâncias impróprias ou de procedência desconhecida, com penas que variam de 10 a 15 anos.

      g1 procurou também o Conselho Regional de Biomedicina (CRBM) e aguarda retorno.

      Relembre o caso

      Materiais apreendidos pela Polícia Civil com o estudante de biomedicina Erick Avelaneda Ferreira de Souza. — Foto: PCPR

      Materiais apreendidos pela Polícia Civil com o estudante de biomedicina Erick Avelaneda Ferreira de Souza. — Foto: PCPR

      Segundo a polícia, Erick se apresentou à vítima como dentista e biomédico. Ainda segundo a corporação, a vítima conheceu o trabalho do estudante por meio das redes sociais, nas quais ele divulgava a realização de procedimentos estéticos, como preenchimento labial e aplicação de estimuladores de colágeno.

      De acordo com a família, Silvana passou por três procedimentos, entre eles aplicação de plasma facial, lipo de papada e lipoenxertia nos seios.

      Conforme a polícia, após o procedimento, Silvana foi para um hospital, onde ela ficou internada, foi submetida a uma cirurgia de mastectomia total, com retirada completa das mamas e parte do tecido do tórax. Ela não resistiu à infecção e morreu no hospital.

      Procedimentos eram feitos em salas alugadas

      As investigações apontam que Erick realizava os atendimentos em salas alugadas por dia, nos bairros Centro, Campo Comprido e Cabral, em Curitiba.

      Em um dos locais, a Polícia Civil e a Vigilância Sanitária encontraram seringas e medicamentos, que foram apreendidos.

      Estudante de biomedicina investigado por morte de mulher em procedimento estético é preso após voltar a fazer atendimentos em Curitiba | G1