O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná cumpriu nesta quinta-feira, 30, quatro mandados de busca e apreensão na Operação Mustela. A investigação mira no envolvimento de agentes públicos e profissionais de saúde em um esquema que cobrava de pacientes para furar a fila de prioridades do Sistema Único de Saúde (SUS).
Os mandados foram cumpridos em Curitiba e Campo Largo, na região metropolitana da capital. O Ministério Público foi a três albergues de uma casa de apoio e em uma residência.
Em nota, a Promotoria informou que o objetivo dos mandados é colher provas sobre o suposto envolvimento do proprietário da casa de apoio na intermediação de cobrança de valores de pacientes para internamento em hospitais pelo SUS. A suspeita é de que o investigado, a partir de seus contatos nas unidades de saúde, burlava a fila do SUS, passando pacientes na frente de outros prioritários.
Foram apreendidos documentos, valores em dinheiro e aparelhos de telefone celular. As investigações são conduzidas pela 1ª Promotoria de Justiça de Campo Largo.
Denúncia
A Vara Criminal de Campo Largo determinou a imediata suspensão das atividades de um médico denunciado pelo Ministério Público do Paraná na Operação Mustela. A acusação da 1ª Promotoria de Justiça de Campo Largo contra quatro investigados por concussão (exigir vantagem indevida em razão do cargo que ocupa) aponta que o grupo cobrava indevidamente de pacientes para furar a fila de prioridades do SUS.
Na decisão, a Justiça determinou que outros três investigados - entre eles, um vereador de Bandeirantes (PR) que atuava na intermediação das tratativas - não mantenham qualquer tipo de contato com pessoas identificadas no processo como vítimas das cobranças indevidas.
Ao afastar das funções o médico, que atua na área de Ortopedia, a Justiça destaca que o não cumprimento da decisão pode acarretar a imediata decretação de sua prisão preventiva.
A investigação do Ministério Público sobre o esquema começou em 2017. O inquérito aponta que, além de Campo Largo, o grupo atuou em outros municípios do Paraná.
A partir de depoimentos de vítimas e informações obtidas por meio de quebra de sigilos telefônicos, a operação foi deflagrada em dezembro de 2018, com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com o cumprimento de mandados de buscas e apreensão e de prisão temporária contra alguns envolvidos.
A adolescência é uma fase de evolução física e psicológica cercada por dúvidas. Entre as meninas adolescentes, alguns tabus a serem vencidos são a sexualidade, o ciclo menstrual e a primeira ida ao ginecologista – que pode ser fundamental para sanar dúvidas e acompanhar precocemente doenças do sistema reprodutor.
Mas existe idade mínima para ir ao ginecologista? De acordo com a professora Ana Luiza Lunardi, do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina, não existe uma idade ideal para começar a frequentar o especialista. “O legal é que elas tenham liberdade para conversar isso com alguém, seja com a mãe, pai ou pediatra. É quando elas se sentirem preparadas ou se sentirem confortáveis para ir a uma consulta ginecológica”, explica.
Para a professora, o momento mais apropriado seria em torno da primeira menstruação ou próximo a ela, para que a adolescente conheça e entenda a existência de um profissional que cuida da saúde da mulher e das questões relacionadas ao seu sistema reprodutor.
No entanto, muitas deixam para ir ao ginecologista próximo aos 18 anos de idade, procurando o especialista devido algum problema que surge. Foi o caso de Gabriela Nunes, hoje com 21, e que foi a sua primeira consulta ginecológica com 17 anos, devido a um problema menstrual. “Eu sempre tive vergonha… Imagina um médico me examinando! Nem eu curtia olhar no espelho, imagina os outros. Resolvi ir porque tive um problema de atraso menstrual e não via motivos, porque era virgem, então não fazia sentido ela atrasar”, comenta a jovem.
Outro motivo que levou Gabriela a ida tardia foi a falta de comunicação com seus pais sobre o assunto. “Em casa também nunca me disseram ser essencial ir, não era falado sobre”, conta. Entre os tabus da idade, a primeira ida ao ginecologista não é sinal de que já se iniciou a vida sexual. “Reconheço que muitas famílias ainda têm dificuldade de entender a importância da primeira consulta. Então, talvez a adolescente possa chamar a mãe ou o pai para acompanhar”, explica a professora Ana Luiza.
Já a estudante Soffia Horta, de 19 anos, começou a frequentar o ginecologista aos 12 anos. “Foi tranquilo para mim e minha mãe sempre achou importante ir ao médico, porém eu escolhi uma ginecologista mulher para ter mais segurança”, conta. No início, a estudante se sentia deslocada. “Eu ficava sem graça de falar, mas logo percebi que todas deveriam ir, mesmo sem ter tido uma relação sexual”, afirma.
“É importante que a adolescente saiba que existe o sigilo médico e que ela será respeitada. Esse sigilo só é quebrado se existir risco de vida iminente para aquela paciente”, explica a professora Ana Luiza Lunardi.
Vínculo e informação
A grande qualidade de ir ao médico desde cedo é o vínculo que a adolescente cria com o profissional, fortalecendo a confiança, dando a abertura para que ela se sinta à vontade para se expressar. “Essa criação do vínculo desde cedo é importante para a saúde física e mental da mulher, pois ela vai ter apoio, um suporte fundamental com acompanhamento técnico. Vai ajudá-la a realmente a passar por essa fase de transição da criança para a vida adulta de uma maneira muito tranquila, saudável, respeitosa, que ela fique mais feliz”, explica a ginecologista.
No Brasil, a saúde das adolescentes pode ter acompanhamento multiprofissional, no âmbito do SUS, por meio da Estratégia de Saúde da Família (ESF). “Temos o médico da equipe de Saúde da Família que, ao lado do enfermeiro e do agente comunitário de saúde, acompanha a criança, o adolescente e a família”, comenta Cristiane Cunha, professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG.
A professora explica que a escola deve abordar questões de sexualidade e de gêneros, de forma a promover conhecimentos específicos que vão ser enfrentados nessa fase. Ela também relata a necessidade de haver uma interlocução entre o centro de saúde e a escola, através do Programa Saúde na Escola.
A internet e as mídias sociais podem ser aliadas, seja para as adolescentes ou aos ginecologistas, ao proporcionar acesso fácil à informação. “Isso ajuda a adquirir mais liberdade e fundamento para conversar com os pais e com toda a família”, entende a professora Ana Luiza. Ainda assim, Soffia e Gabriela concordam que ir ao ginecologista é importante para obter conhecimento do corpo feminino “da maneira certa”. “É importante cuidar da saúde, independente de ter relação sexual ou não, pois lá você vai entender o funcionamento dos ciclos, dos seus órgãos, coisas que na escola e em casa não serão ensinadas a fundo”, exalta Gabriela.
Uma questão comum das consultas, por exemplo, é o uso de contraceptivos. De acordo com a professora, na maioria das vezes, são usados para evitar algumas doenças e não só a gravidez. Por isso, a informação de qualidade vai ajudar a entender que a adolescente está ali por uma questão de saúde e não por uma questão sexual.
Como proposta da matéria, algumas adolescentes enviaram dúvidas para serem respondidas pela professora Ana Luiza Lunardi do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG.
– O que fazer quando a menstruação atrasa, mesmo que eu nunca tenha tido uma relação sexual? Isso quer dizer que estou doente?
Isso pode ser relativamente normal, principalmente se a adolescente está nos dois primeiros anos depois da primeira menstruação. Então, se ela menstruou a primeira vez com 12 anos, até os 14 o ciclo menstrual pode ficar um pouco irregular, podendo atrasar alguns dias, ou vir perto do outro. Essa irregularidade nos dois primeiros anos é considerada normal e provavelmente é só o amadurecimento do sistema reprodutor da mulher, em que está acontecendo uma transformação, com vários hormônios agindo ao mesmo tempo.
Depois desse período é preciso começar a investigar o que está acontecendo. Existem algumas características em que a menstruação pode atrasar. Algumas mulheres irão ter os ciclos mais longos, outras vão ter síndrome dos ovários policísticos, por exemplo. Em algumas situações será necessário aplicar dosagens hormonais, em outras será feito um ultrassom para ver se há característica no ovário responsável pelo atraso da menstruação.
– A diferença entre o tamanho dos seios é normal?
As mulheres tendem a ter uma mama diferente da outra. Isso às vezes nem é tão perceptível. Mas, em muitas, uma mama vai ser maior ou mais alta. Isso é normal. É muito difícil ter as mamas completamente do mesmo tamanho, da mesma altura, da mesma forma. No período da adolescência, acontece de uma mama crescer muito mais rápido do que a outra.
Em algumas meninas a assimetria fica tão importante que é preciso corrigir cirurgicamente, mas é muito raro. Na grande maioria, essa diferença é discreta, é comum, é normal e vai se igualando depois da adolescência, permanecendo uma mama pouco diferente da outra.
– Ter muita cólica durante o período menstrual é sinal de alguma doença?
A cólica menstrual pode acontecer de maneira leve nos dois primeiros dias da menstruação, mas aquela com dor importante, em que você deixa de fazer alguma coisa – por exemplo, deixa de malhar, não consegue estudar, toma muitos remédios e vomita -, tem que ser investigada. É muito difícil uma cólica dessa magnitude ser totalmente normal.
A adolescente que, ao ficar menstruada, tenha realmente muita dor, acompanhada de alteração do hábito intestinal, como diarréia, precisam ir ao ginecologista, porque pode sim ser um sinal de uma doença que chama endometriose, e a cólica (principalmente se for importante) é um sinal de alerta.
– O uso de anticoncepcional traz realmente algum mal para saúde ou é mito? Existe algum que não retem liquido?
Existe um leque enorme de variedades de anticoncepcionais. Há os orais, injetáveis, DIU que libera hormônio, implante… Então quando se fala em anticoncepcional, estamos colocando muita coisa no mesmo grupo. Importante saber que a maioria dos métodos hormonais vão ter dois tipos de hormônio: um derivado de estrogênio e o derivado da progesterona. Para a maioria das mulheres isso não vai fazer mal nenhum, mas ela não deve tomar anticoncepcional sem antes passar por um ginecologista para avaliar se existem algumas características na sua história e no exame físico que a impeça de tomar determinado tipo de pílula.
Uma pílula que foi boa para sua amiga, nem sempre vai ser boa para você. Por isso, não se deve tomar anticoncepcional sem antes passar pelo especialista, para verificar sua história, saber os fatores de risco, fazer o exame físico, medir a pressão e auscultar o coração, para saber qual anticoncepcional a pessoa deve e pode tomar. As pílulas são muito seguras para a grande maioria das meninas, mas devem ser usadas com prescrição médica.
Em relação à retenção de líquido, existem pílulas que têm nível de progesterona que até ajuda nessa questão do inchaço. Existem pílulas de muito baixa dosagem, que tem menos efeitos colaterais. Também existem os DIUs, que só tem levonorgestrel e não causam inchaço. Vale a pena conversar com o ginecologista, mostrar os seus temores, aquilo que você tem receio que aconteça, e ele poderá te indicar o melhor método para você.
– Ter um fluxo muito grande durante o período menstrual é um sinal ruim?
Sabemos que existem grandes variedades de fluxo menstrual entre as meninas. Não é normal sangrar mais do que sete dias, ter os absorventes em transbordamento do sangue, sujar o lençol, o pijama, as calças… Esses fatores devem ser avaliados. A maioria vai ter um sangramento entre três e cinco dias, sendo o segundo dia com o volume um pouco mais aumentado, mas vai conseguir segurar esse sangramento com absorvente normal. Quando uma menina tem um volume menstrual muito grande, que deixa de fazer alguma coisa no período menstrual com medo de sujar, ou deixa de usar certas roupas, deve ser avaliada sim, pois pode ser um sangramento uterino anormal.
– Quando sei que estou pronta para começar a ter uma relação sexual? Tenho que ir ao ginecologista antes?
É muito importante que tenham as informações adequadas para que façam as melhores escolhas, que se sintam seguras com o seu corpo. Que façam isso porque estão comvontade e seguras para iniciar uma vida sexual e não por pressão dos namorados, ficantes ou amigas. Que isso seja uma liberdade de escolha exclusiva dela.
É importante marcar um ginecologista e conversar com ele. Escolha o seu método contraceptivo, pergunte sobre todas as infecções sexualmente transmissíveis, informe-se sobre vacinação de HPV, cheque tudo com ele se você está pronta do ponto de vista de saúde, quais são as suas dúvidas, os seus mitos, os seus receios, para que você vá ainda mais segura para esse momento tão importante na vida da mulher. E que seja feita de maneira leve, tranquila, segura, protegida contra as infecções sexualmente transmissíveis e contra a gravidez não planejada.
* Estagiária de Jornalismo Edição: Vitor Maia e Deborah Castro
A "Operação Pangea XVII" decorreu entre dezembro de 2024 e maio de 2025, levando à detenção de 769 suspeitos e ao desmantelamento de 123 grupos criminosos. Em Portugal, foram descobertos esteroides e anabolizantes em oito prisões.
Uma operação coordenada pela Interpol em 90 países, incluindo Portugal, resultou na apreensão de 50,4 milhões de produtos farmacêuticos ilícitos, no valor de 65 milhões de dólares, numa "escala alarmante" do comércio global de medicamentos não autorizados e falsificados.
Uma informação publicada esta quarta-feira no 'site' da Interpol refere que a "Operação Pangea XVII", que se realiza internacionalmente há 17 anos e que decorreu entre dezembro de 2024 e maio de 2025, resultou na prisão de 769 suspeitos e no desmantelamento de 123 grupos criminosos em todo o mundo.
No que se refere a Portugal, a Interpol refere que esteroides e anabolizantes foram descobertos em oito prisões do país,"revelando evidências de uma rede criminosa que contrabandeia substâncias ilícitas para unidades correcionais", mas sem referir detenções nem o valor dos produtos apreendidos.
A Interpol refere que as prisões e as apreensões são as maiores nos 17 anos de história da operação, salientando que agentes para o sistema nervoso, incluindo psicoestimulantes, ansiolíticos e medicamentos para a doença de Parkinson, lideraram a lista do tipo de produto mais apreendidos, com os medicamentos para disfunção erétil em segundo lugar.
Outros tipos de produtos habitualmente apreendidosincluem esteroides anabolizantes, medicamentos antidiabéticos, produtos antitabagismo, agentes dermatológicos, suplementos de saúde, produtos fitoterápicos e agentes psicoterapêuticos.
O diretor da área de Crime Organizado e Emergente da Ingterpol,David Caunter, destaca na publicação que medicamentos falsificados e não aprovados "representam um sério risco para a saúde pública", pois podem conter ingredientes perigosos ou ilegais, com potencial para causar doenças graves ou até mesmo a morte.
Afirma ainda que"o rápido crescimento das plataformas online tornou mais fácil para essas drogas perigosas chegarem às pessoas, além de abrir novas oportunidades para redes criminosas explorarem", salientando, a importância das operações "Pangea" para, num trabalho conjunto, os países tomarem medidas para proteger a saúde das pessoas e manterem os sistemas de saúde seguros.
Esta mais recente operação revelou uma procura crescente por medicamentos antidiabéticos e suplementos peptídicos (moléculas formadas pela união de dois ou mais aminoácidos), impulsionada pelo aumento da automedicação.
Essa tendência está, segundo a Interpol, a ser impulsionada pela ampla promoção e disponibilidade desses medicamentos nas redes sociais e online, criando oportunidades lucrativas e de risco relativamente baixo para redes criminosas que vendem produtos falsificados ou de baixa qualidade.
Dados dos países participantes indicam uma circulação crescente de medicamentos antidiabéticos ilícitos em todo o mundo devido aos seus efeitos de perda de peso, com medicamentos não aprovados e potencialmente falsos apreendidos na Ásia-Pacífico, Europa e América do Norte.
As apreensões corroboram alertas recentes da Organização Mundial da Saúde e de vários reguladoras nacionais de saúde a alertar sobre riscos emergentes associados aos medicamentos injetáveis relacionados ao GLP-1 (Medicamentos análogos ao GLP-1 são utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade).
A Interpol adianta que a "Operação Pangea XVII" revelou outra tendência emergente, que é a crescente procura por suplementos peptídicos devido aos seus benefícios estéticos e de melhoria de desempenho, especialmente em países da Europa, América do Norte e Oceânia.
No total, agências de segurança em todo o mundo iniciaram 1.728 investigações e emitiram 847 mandados de busca contra redes criminosas envolvidas na distribuição ilícita de produtos farmacêuticos.
Cerca de 93% dos produtos farmacêuticos ilícitos apreendidos não tinham aprovação regulatória das autoridades nacionais de saúde e os 7% restantes foram confirmados como produtos falsificados, desviados ou com marca incorreta.
Grandes apreensões de vários produtos farmacêuticos ilícitos foram relatadas de forma semelhante no Canadá, Irlanda, Malásia, Holanda, Portugal, Espanha, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos, entre outros países.
A "Operação Pangea XVII" levou também ao encerramento de aproximadamente 13.000 sites, canais e bots (computador projetado para executar tarefas automatizadas de forma repetitiva e rápida) ligados a criminosos e usados para comercializar e vender medicamentos ilegais ou falsificados.
O clínico indicava o medicamento para ajudar os pacientes a perderem peso. No entanto, o fármaco só poderia ser comparticipado no caso de doentes diabéticos. O Estado terá sido lesado em 99 mil euros.
Um médico de uma clínica em Lisboa foi condenado a uma pena suspensa de dois anos e quatro meses por burla qualificada.
A notícia foi avançada pelo Correio da Manhã. Durante mais de três anos, o médico passou quase mil receitas a pessoas com obesidade de um medicamento que é comparticipado apenas para diabéticos, mas que é eficaz na perda de peso.
Os utentes pagavam apenas 10% do valor deste medicamento, tendo o médico lesado o Estado em 99 mil euros por comparticipação indevida.
O arguido, de 71 anos, alegou no processo que não tinha nenhuma intenção de cometer um crime de burla. Ainda assim, o Supremo Tribunal de Justiça confirmou a aplicação da pena.
Roberto Petrella atendeu um paciente apenas por telefone e receitou medicamentos à base de cogumelos; o enfermo morreu de ataque cardíaco
O Globo
24/01/2022
Médico antivacina Roberto Petrella foi preso na Itália Foto: Reprodução/Redes sociais
CATANZARO, ITÁLIA — Um médico antivacina foi preso nesta segunda-feira na comuna de Catanzaro, na Itália. Roberto Petrella, de 75 anos, é acusado de homicídio culposo pela morte de um paciente. A vítima foi atendida apenas por telefone e tratada com métodos não científicos, como misturas à base de cogumelos.
Petrella é ginecologista e atua na cidade de Téramo. No entanto, ele atendeu pacientes de diferentes regiões da Itália por telefone e também usou suas redes sociais para divulgar "tratamentos alternativos", sem fundamentação científica, para os pacientes.
O suspeito foi colocado em prisão domiciliar após uma investigação do Ministério Público de Catanzaro. Os investigadores realizaram interceptações telefônicas e registraram conversas nas quais o médico não teria diagnosticado corretamente um doente com patologias graves anteriores.
O paciente teve um ataque cardíaco em 2007 e sofria de hipertensão, hipercolesterolemia, diabetes e problemas de próstata. Apesar do histórico médico, Petrella prescreveu tratamento não reconhecido pelos órgãos oficiais da Itália.
De acordo com a investigação, o médico também aconselhou o paciente a adiar a internação. "Não, se você for para o hospital morre, eles entubam", diz o médico em uma conversa telefônica interceptada. O paciente posteriormente morreu de ataque cardíaco.
Em 2020, Petrella afirmou que a pandemia é um "hype da mídia" e declarou que as vacinas são inúteis e prejudiciais. Ele também respondeu a um procedimento disciplinar da Ordem dos Médicos em 2019, quando encabeçou uma campanha contrária à vacinação de crianças contra o HPV.
AQUI NO BRASIL MEDICOS DEFENDERAM O USO DO MEDICAMENTO SEM NEMHUMA COMPROVAÇAO CIENTIFICA. E NIMGUEM FOI PUNIDO, POIS O CONSELHO FEDERAL DE MEDICIA SE CALOU..E DEU CARTA BRANCA.PODEM FAZER O QUE QUISER...
A posição do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre o uso da cloroquina e hidroxicloroquina para COVID-19, consolidada durante a pandemia (especialmente a partir de abril de 2020), baseou-se na autonomia médica, não configurando infração ética o uso do medicamento, desde que respeitados certos critérios.
Aqui estão os pontos principais baseados nos pareceres e ações do CFM:
Autonomia Médica e Sem Infração Ética: O CFM estabeleceu que, diante da excepcionalidade da pandemia e da falta de tratamentos curativos comprovados, o médico teria a prerrogativa de prescrever cloroquina ou hidroxicloroquina, não sendo considerado infração ética, desde que baseado em critérios clínicos.
Consentimento do Paciente: O uso foi condicionado à vontade do paciente (ou seus representantes), que deve ser informado sobre a falta de evidências científicas robustas de eficácia e os possíveis efeitos colaterais (uso compassivo).
Sem Recomendação Obrigatória: O CFM deixou claro que a permissão não significava uma recomendação de uso obrigatório, mas sim a autorização para que o médico decidisse.
Sem Evidências Sólidas: O próprio conselho reconheceu, em abril de 2020, que não existiam ensaios clínicos robustos (randomizados e publicados em revistas de alto impacto) que comprovassem a eficácia do medicamento contra a COVID-19.
Controle de Receita: O CFM solicitou à Anvisa que a venda de cloroquina e hidroxicloroquina fosse realizada apenas com receita médica especial, para evitar o desabastecimento de pacientes que necessitam do remédio para doenças crônicas, como lúpus e artrite.
Uso Experimental: Em 2021, o CFM definiu como experimental o uso da hidroxicloroquina e cloroquina por inalação.
Contexto e Controvérsias: Apesar de estudos internacionais e da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontarem a ineficácia do medicamento, o CFM manteve sua posição de permitir o uso baseada na autonomia médica. Essa postura gerou críticas e até ações judiciais, como uma ação da Defensoria Pública da União (DPU) pedindo indenização por danos morais coletivos, argumentando que o conselho não revisou sua posição à luz de novas evidências científicas.
Durante a pandemia de COVID-19 no Brasil, diversos médicos e grupos médicos defenderam e receitaram cloroquina e hidroxicloroquina, impulsionados por um contexto de incerteza inicial e pelo incentivo político, apesar da falta de evidências científicas robustas de sua eficácia e das recomendações contrárias de órgãos internacionais.
Aqui estão alguns dos nomes e grupos mencionados em relatórios e notícias da época:
Roberto Kalil Filho: Cardiologista do Hospital Sírio-Libanês, admitiu ter usado hidroxicloroquina durante sua internação por COVID-19 em abril de 2020 e também prescreveu o medicamento a pacientes no início da pandemia.
Davi Uip: Infectologista e, na época, chefe do Centro de Contingência de Combate à Doença em São Paulo. Uma receita assinada por ele circulou na época, e embora tenha havido incertezas, ele confirmou ser a sua receita.
Francisco Eduardo Cardoso Alves: Médico que atuou na linha de frente e defendeu o uso da cloroquina como "fármaco reposicionado".
Paolo Zanotto: Virologista que debateu a eficácia da cloroquina.
Grupo de "10 mil" médicos: Houve um movimento organizado de médicos que apoiava o uso de "tratamento precoce", incluindo cloroquina, com forte aproximação com o governo de Jair Bolsonaro.
Representantes no CFM: Médicos defensores do uso de cloroquina e do "tratamento precoce" (como o caso citado na reportagem da CNN Brasil em agosto de 2024, onde um médico com essa postura foi eleito representante de SP no Conselho Federal de Medicina) ganharam destaque e posições.
Contexto Importante:
Protocolo do Ministério da Saúde: Em maio de 2020, o Ministério da Saúde emitiu um protocolo que permitia o uso de cloroquina para casos leves de COVID-19.
Posição das Associações: A Associação Médica Brasileira (AMB) posicionou-se posteriormente, defendendo o banimento do uso de cloroquina e outros remédios sem eficácia comprovada.
Eficácia: Estudos posteriores e a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomendaram o uso dessas substâncias para o tratamento da COVID-19.
Nota: Esta lista baseia-se em reportagens publicadas entre 2020 e 2024 e reflete o cenário de polarização da época.