Médica condenada por homicídio é suspensa de hospital em Poá
Gabriela Corrêa Ferreira da Costa passou em concurso da Prefeitura.
Médica foi condenada a 46 anos de prisão por integrar 'bando da degola'.
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A Prefeitura de Poá abriu um processo disciplinar-administrativo e suspendeu temporariamente a médica Gabriela Corrêa Ferreira da Costa do seu trabalho na função de clínico geral plantonista do Hospital Municipal Guido Guida. A médica foi condenada a mais de 40 anos de prisão em 2015, pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, por fazer parte do "bando da degola". Ela foi considerada culpada pelos crimes de formação de quadrilha, extorsão, cárcere privado, homicídio triplamente qualificado e destruição e ocultação de cadáver. O G1 procurou os advogados da médica da época do julgamento, mas eles informaram que não a defendem mais. O G1tenta localizar os novos advogados da médica.
Ela foi considerada pelo 2º Tribunal do Júri de Belo Horizonte culpada pelas mortes de Fabiano Ferreira Moura e Rayder Santos Rodrigues, que foram extorquidos, sequestrados, torturados e assassinados em um apartamento no bairro Sion, Região Centro-Sul da capital, em abril de 2010. Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, a médica recorreu da condenação e, em fevereiro de 2016, as alegações foram julgadas e a condenação mantida, mas houve redução d epena de 46 anos e 6 meses para 40 anos e 3 meses. Cabe recurso no Superior Tribunal de Justiça. Gabriela segue solta porque conseguiu o direito de recorrer em liberdade.
De acordo com a Prefeitura de Poá, Gabriela passou em 6º lugar em um concurso de 2015 que foi homologado em fevereiro de 2016. Segundo a administração municipal, o afastamento ocorreu porque Gabriela fez uma declaração falsa por escrito.
"Após diligências de funcionários da Prefeitura de Poá, verificou-se que as informações declaradas pela funcionária por escrito apresentavam indícios de irregularidade. Após diligenciarmos no site do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e também nos fóruns de outras cidades deste mesmo estado, constatamos que a funcionária foi condenada criminalmente em 1ª instância por te participado da “Gangue da Degola”. Estas novas informações levantadas pela Prefeitura de Poá, confirmam, em tese, que a funcionária firmou falsa declaração quando da contratação. Os documentos são verdadeiros, porém a declaração dada por ela por escrito na posse é falsa, por isso ela foi afastada do cargo", informou a Prefeitura em nota.
Ainda segundo a administração municipal, a médica fez apenas um plantão no Hospital Municipal Guido Guida no dia 15 de maio. O processo disciplinar-administrativo dura 60 dias e pode ser prorrogado por mais 60.
A administração municipal acrescentou que "no caso desta médica, não há condenação definitiva. Porém a Prefeitura de Poá não compactua com desvios de conduta que possam colocar nossos munícipes em qualquer margem de risco, porque a nossa função é zelar pela vida das pessoas."
Ainda segundo a Prefeitura, o histórico criminal foi checado antes da contratação e "nos documentos apresentados não constam nenhum impedimento."
O G1 procurou os advogados de Gabriela na época do julgamento e, no fim da tarde de segunda-feira (23) o escritório informou que não defende mais a médica. A reportagem agora procura os novos advogados dela.
Outro afastamento
Em 2015, a médica chegou a trabalhar por um mês no Hospital Municipal Conde Modesto Leal, em Maricá (RJ). Ela atuava na área de rotina médica do Setor de Paciente Grave (SPG) e foi afastada após a imprensa ter divulgado sua condenação.
Em 2015, a médica chegou a trabalhar por um mês no Hospital Municipal Conde Modesto Leal, em Maricá (RJ). Ela atuava na área de rotina médica do Setor de Paciente Grave (SPG) e foi afastada após a imprensa ter divulgado sua condenação.
Na época, a assessoria da prefeitura informou que os registros da médica eram válidos e seu comportamento técnico foi considerado excelente, reduzindo inclusive o índice de óbitos no hospital.
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