quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Consequências inesperadas provocada pela cirurgia bariatrica.




Consequências inesperadas provocadas pela cirurgia bariátrica

Poucas sensações são tão desagradáveis para um obeso quanto entrar em uma loja e, mesmo sem dizer uma palavra, ser prontamente informado pelos vendedores de que, “infelizmente, não há roupas que sirvam”. Após a cirurgia bariátrica (a popular redução de estômago), contudo, desconfortos como esse dão lugar a elogios, autoestima elevada e uma nova vida, em que a balança não representa mais um pesadelo. Não é, contudo, sempre assim. Segundo uma pesquisa feita por médicos da Universidade de São Paulo (USP), do Programa de Atenção aos Transtornos Alimentares (Proata) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), vários estudos feitos na última década apontam que, cada vez mais, pacientes que se submetem ao procedimento têm apresentado comportamentos compulsivos, depressão e, em casos extremos, chegam a cometer suicídio — mesmo estando magros como sempre sonharam.

Paulo Sallet, médico assistente do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP e um dos autores do trabalho, conta que a compilação de informações sobre o acompanhamento psicológico pós-cirurgia surgiu a partir de 12 anos de observação dos pacientes operados. Segundo ele, embora grande parte deles tenha efetiva melhora de condições clínicas e funcionais, como menos risco de morrer por doenças cardiovasculares (-56%), câncer (-60%) e diabetes (-92%), alguns podem apresentar complicações psicossociais. “Fatores como autoimagem corporal, traços de personalidade e presença de compulsão alimentar prévios à intervenção, dentre outros, têm sido implicados na evolução e no prognóstico desses pacientes”, completa Sallet. Entre os problemas, está o aumento do transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP), complicação mais recorrente nos pacientes da cirurgia.

Por outro lado, o médico diz que, em alguns casos, é possível que condições psiquiátricas prévias se agravem, ou até mesmo novas doenças surjam após a cirurgia. “Provavelmente, essas novas patologias são resultantes de fatores como necessidade de adaptação psicossocial à nova condição e de alterações psíquicas decorrentes de deficit nutricional”, detalha Sallet. Segundo o estudo, de 20% a 70% das pessoas que procuram a cirurgia têm histórico de transtornos mentais.

Qual seria, então, a ligação entre essas doenças e a obesidade? Seria o excesso de peso o responsável pelo sofrimento psicológico ou são os problemas psíquicos que induzem a um estilo de vida alimentar e comportamental que leva ao aumento de peso? De acordo com o médico, as duas coisas — e mais um pequeno, porém importante, detalhe: a genética. “Para que se tenha uma ideia, a taxa de concordância de obesidade em gêmeos fraternos é descrita como em torno de 20% a 30%, enquanto que em gêmeos geneticamente idênticos ela sobe para 70% a 80%”, exemplifica.

Preparação 
Antes de se submeter à cirurgia bariátrica, além de meditar sobre as mudanças desejadas, Tulio Marcos da Cunha, médico-cirurgião do aparelho digestivo e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), explica que os aspirantes a pacientes devem passar por exames pré-operatórios fundamentais. Os testes consistem em avaliações nutricionais, cardiológicas e endocrinológicas. “E um deles é a avaliação psicológica, na qual os médicos avaliam e preparam o obeso para o procedimento”, complementa o médico. Ao todo, os pacientes precisam esperar de dois a seis meses até que todos os testes sejam concluídos.

Muitas vezes subestimado, especialmente após a cirurgia, Cunha salienta que o acompanhamento psicológico não é uma maneira de dar dicas sobre como ser magro. O objetivo principal, na verdade, é acompanhar o processo de adaptação da operação ao modo de vida do paciente. “É importante que fiquem claros os objetivos do tratamento e a parte do próprio paciente, ou seja, no que ele vai precisar colaborar”, acrescenta. Paula Luciana da Silva, psicóloga clínica que atua no acompanhamento de pacientes bariátricos, reforça: essa colaboração não pode ser deixada de lado um minuto sequer. “Não trabalho com expectativa de alta, porque, a partir do momento que estabelecemos um tempo, podemos negligenciar alguns dados”, completa.

Esses dados podem ser cruciais para que o ex-obeso, realmente, adapte-se à nova vida sem sofrimento. É no consultório do psicólogo que eles entenderão o papel da comida em suas vidas e, principalmente, como vencer eventuais frustrações sem precisar dela como muleta. “A pessoa está operando o estômago, não a história de vida”, comenta a psicóloga. Ainda que não volte a engordar, ela salienta que os conflitos continuam ali e precisam ser trabalhados. “Eles têm medo de errar e a cobrança fica maior. Aí vem a frustração, que pode desencadear compulsões.”

“Na cabeça”
Desde que fez a cirurgia bariátrica, há um ano e oito meses, Vanessa Steiner, 39 anos, não passa mais apuros quando precisa comprar roupas. Na verdade, agora ela se policia para acertar a própria numeração. “Sempre peço números maiores. Você emagrece e não se vê magra”, justifica. Se, antes, a engenheira era “ignorada” pelas outras pessoas, agora ela conta que a realidade é bem diferente: de repente, começou o assédio masculino — e até mesmo a desconfiança de amigas casadas ou compromissadas. “Antes, você era a gordinha simpática. Agora, você é uma ameaça.”

De todas as dificuldades que enfrentou para se adaptar ao novo corpo, Vanessa conta que as mais tortuosas se passaram dentro de sua própria mente. “Tudo de ruim que acontece comigo, desconto nos doces”, resume. “O sentimento que tenho é de estar viciada. Vejo reportagens sobre drogados e me enxergo neles.” Mesmo com o acompanhamento psicológico, ela reconhece que superar antigos traumas e novas obsessões é uma tarefa a ser cumprida a longo prazo. “As pessoas trocam comida por outras coisas, como comprar sem parar e ficar viciado em sexo. No meu caso, a compulsão continuou. Por isso, acho que a cirurgia deveria ser na cabeça”, brinca.

Ao contrário de Vanessa, Bianca Torres, 48 anos, conta que não teve problemas de adaptação, nem antes nem depois da cirurgia. “Isso só acontece com pessoas que não foram bem orientadas pela equipe médica”, sustenta. Para se preparar para a operação, Bianca leu sobre os prós e os contras por sete anos antes de se decidir. Se antes da operação a pedagoga já se considerava uma “gordinha bem resolvida”, quatro anos depois da intervenção ela é só autoestima. Sobre amigas que passaram a gastar o salário com lingeries e sapatos aos homens que se tornaram mulherengos, Bianca tem uma opinião forte: falta informação. “A cirurgia é apenas um coadjuvante no processo de emagrecimento”, ensina. “Passamos de obesos a pessoas normais, e elas também têm que se controlar para não engordar.”

Dados preocupantes

Os autores do trabalho brasileiro citam outro estudo, feito em 2007 por pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, que ilustra a incidência de mortes entre pessoas que passaram pela cirurgia. Segundo os americanos, mortes associadas a acidentes e/ou suicídio são 58% maiores em indivíduos no estágio pós-cirúrgico quando comparados aos que não fizeram a operação — isso sem contar os óbitos associados a comportamentos impulsivos, como bulimia e acidentes de trânsito. A maior parte dos suicídios se deu após apenas um ano da intervenção.

Mais e mais rapidamente
Como o próprio nome sugere, o transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) caracteriza-se por episódios em que a pessoa passa a se alimentar compulsivamente, em quantidades significativamente maiores que indivíduos normais consumiriam. Além de comerem desenfreadamente, pacientes com o transtorno comem mais rápido que o normal e, geralmente, o fazem sozinhos, com vergonha do julgamento alheio. Após as crises, é comum sentir-se angustiado e frustrado. Sentir-se mal consigo mesmo, deprimido ou com culpa em excesso também é consequência comum — o que, obviamente, influencia no bem-estar psicológico dessas pessoas. Embora tenha sido observado principalmente em pessoas obesas, o transtorno também acomete indivíduos com peso normal.

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2011/10/24/interna_ciencia_saude,275280/consequencias-inesperadas-provocadas-pela-cirurgia-bariatrica.shtml
Ações do

Ferramentas Pessoais

Cirurgia Plástica n adolescência


 

Páginas 45 a 47

Cirurgia plástica na adolescência

Autores: Ricardo do Rêgo Barros1
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INTRODUÇÃO 

A adolescência é uma fase da vida humana caracterizada por inúmeras transformações que se processam tanto no aspecto orgânico como na esfera psicossocial. A grande maioria dos adolescentes passa por experiências evolutivas que incluem:


  • aceitação de seu corpo e seu correspondente gênero masculino ou feminino;
  • estabelecimento de novas amizades com pessoas da mesma idade e de ambos os sexos;
  • inserção e aceitação no seu grupo de jovens.


  • A popularização das cirurgias plásticas e a distorção estética do corpo ideal, massificadas através dos meios de comunicação, principalmente televisão e internet, tornaram a busca da perfeição um objetivo a ser alcançado não só pelos adultos como também pelos adolescentes, que procuram melhorar sua auto-estima e auto-imagem, visando uma melhor aceitação social.


    ESTATÍSTICAS

    Segundo a Associação Americana de Cirurgia Plástica (ASPS), foram realizados 9,2 milhões de procedimentos ligados a estética e 5,6 milhões de cirurgias reparadoras no ano de 2004. Entre os procedimentos cosméticos destacam-se rinoplastia, lipoaspiração, cirurgia de pálpebras, aumento mamário e lifting facial, conforme mostra a Tabela 1.




    As estatísticas relativas à faixa etária de até 18 anos contabilizaram 326.200 procedimentos ou 3% do total geral, assim como discriminado na Tabela 2.




    Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), foram realizadas 616.287 cirurgias plásticas em 2004, sendo 365.698 estéticas (59%) e 250.589 reparadoras (41%), não havendo discriminação sobre as feitas em menores de 18 anos.


    CONSIDERAÇÕES SOBRE OS PRINCIPAIS PROCEDIMENTOS ESTÉTICOS NA ADOLESCÊNCIA

    Analisando os dados apresentados na Tabela 2, podemos tecer algumas considerações sobre os principais procedimentos estéticos realizados até 18 anos:


  • aumento/diminuição dos seios: as adolescentes cujos seios se desenvolvem muito pouco, demais, muito cedo ou muito tarde se tornam ansiosas e procuram auxílio médico. Como regra geral, a menarca é um marco de referência para correções estéticas, pois, ao ocorrer a primeira menstruação, praticamente se encerra o crescimento linear das adolescentes, correspondendo ao estágio Tanner 4. A hipertrofia mamária juvenil, um grande aumento dos seios, ocorre normalmente em Tanner 4, com significante redução em Tanner 5. A mamoplastia redutora é indicada a pacientes que apresentem sintomatologia importante, como dor nas costas e problemas posturais, além de preocupações cosméticas e disfunções emocionais. O aumento mamário deve ser considerado em três situações: 
    - melhorar a imagem corporal, prejudicada pelos seios pequenos; 
    - equilibrar diferenças no tamanho dos seios; 
    - corrigir uma redução do volume mamário após gravidez;
  • ginecomastia: o aumento do tecido mamário masculino é um achado freqüente (cerca de 50% dos adolescentes), com início em Tanner 2, sendo a idade média de surgimento 13 anos, com maior prevalência aos 14. A ginecomastia causa grande constrangimento aos meninos, principalmente por estar ligada a tabus que precisam ser desmistificados (masturbação). Na maioria dos casos é fisiológica e regride em um a dois anos, devendo ser excluído o uso de medicamentos e de drogas como anabolizantes, maconha, heroína e outros. Em adolescentes obesos ou com sobrepeso devemos estimular a prática de exercícios e dieta adequada, visando corrigir a lipomastia, que muitas vezes é confundida com ginecomastia. Somente 4% dos adolescentes persistem com ginecomastia na vida adulta, e a cirurgia corretora deve ser indicada após o final do estirão do crescimento, avaliado por gráficos próprios na consulta clínica de rotina. A ginecomastia assimétrica ou unilateral é freqüente, mas devemos estar atentos à possibilidade de malignidade quando encontramos uma massa unilateral e firme aderida ao tecido mamário;
  • lipoaspiração: tem se tornado uma pergunta freqüente nos consultórios em função do crescente e preocupante aumento da obesidade em crianças e adolescentes. A industrialização e o acesso fácil à informação mudaram os hábitos e costumes da civilização moderna, que, associados a erros alimentares e vida sedentária, criaram uma epidemia mundial de obesidade. Os adolescentes obesos são discriminados socialmente, fato que contribui para um sentimento de inferioridade em um período da vida no qual se valorizam a auto-estima e auto-imagem para sua inserção grupal.


  • A lipoaspiração só deve ser indicada a pacientes que esgotaram todos os meios de correção ponderal, como exercícios, reeducação alimentar e apoio psicológico. A idade ideal para a cirurgia nos adolescentes não é uma questão crucial, devendo ocorrer, preferencialmente, após o término do estirão do crescimento em pacientes fisicamente saudáveis e estáveis psicologicamente. O julgamento cirúrgico deve incluir as expectativas dos adolescentes em relação aos resultados finais, com ênfase na prevenção de recorrências do aumento de peso com a combinação de exercícios físicos e bons hábitos alimentares;


  • rinoplastia: deve ser considerada após o final do estirão do crescimento, em média aos 14-15 anos para meninas e 16-18 anos para meninos, devendo esse término do estirão ser confirmado pelo pediatra clínico. Devemos levar em consideração o ajuste social e emocional do paciente, assegurando que a vontade de realizar a cirurgia é do adolescente, e não dos pais;
  • correção das orelhas: entre os procedimentos citados na Tabela 2, a cirurgia de orelhas foi responsável por um quinto das cirurgias realizadas antes dos 18 anos (13 mil).


  • Podemos deduzir que grande parte dessas correções foi solicitada pelos pais, sendo provavelmente a orelha em abano o maior problema. Na prática, os pais já questionam sobre essa cirurgia desde a mais tenra idade (abaixo de 1 ano), principalmente no caso de meninas. Em princípio não temos evidências de contra-indicação da correção em crianças menores, justificando a cirurgia para uma melhor socialização desses pacientes.


    CONCLUSÕES

    O fenômeno da globalização modificou bastante os objetivos e expectativas dos adolescentes de todas as camadas sociais, já que o pleno acesso às mais variadas informações e a grande influência dos meios de comunicação criaram novos modelos e modismos em curtos períodos de tempo. Os conceitos de auto-estima e auto-imagem são extremamente importantes na adolescência, na qual a aceitação grupal e o convívio social são pontos fundamentais para o desenvolvimento da maturidade e da independência.

    Entre as características psicológicas da chamada síndrome normal da adolescência encontramos a atemporalidade, configurada pelo imediatismo de ações e um imaginário exageradamente fantasioso, características essas que podem ser erroneamente manuseadas pelos diversos profissionais que lidam com essa faixa etária. Muitas vezes, decisões impulsivas e impensadas de correções estéticas podem induzir a sérios problemas psicológicos futuros, fundamentalmente por não terem atingido suas expectativas imaginárias.

    As cirurgias estéticas na adolescência devem ser discutidas pelo pediatra clínico e pelo cirurgião plástico, com o objetivo de se atingir um julgamento cirúrgico adequado, devendo ser valorizados aspectos como:


  • idade ideal para correção;
  • inserção social;
  • estabilidade emocional;
  • auto-estima e auto-imagem;
  • higidez física.



  • REFERÊNCIAS

    1. Barros R, Coutinho MFG. A consulta do adolescente. In: Adolescência: uma abordagem prática. Rio de Janeiro: Editora Atheneu. 2001;3-14.

    2. Greydanus DE, Patel DR, Pratt HD. Breast disorders. In: Essential Adolescent Medicine. McGraw-Hill Medical Publishing Division. 2006;569-90.

    3. Neinstein LS. Health screening and evaluation. In: Adolescent health care. Philadelphia: Williams & Wilkins. 1996;61-110.

    4. Davis AJ, Kulig JW. Adolescent breast disorders. Adolescent health update. 1996;9(1).

    5. Kreipe RE. Overweight adolescents: clinical challenges and strategies. Adolescent Health Update. 1998;10(2).

    6. Strassburger VC, Brow RT. The office visit. Adolescent medicine: a practical guide. 2 ed. Lippincott-Raven. 1998.

    7. Coutinho MFG, Beserra ICR. Desenvolvimento puberal normal e suas alterações. In: Adolescência: uma abordagem prática . Rio de Janeiro: Editora Atheneu. 2001;33-47.










    1. Pediatra; chefe do Serviço de Adolescentes do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPMG/UFRJ);especialista em Medicina de Adolescentes pela Associação Médica Brasileira e Sociedade Brasileira de Pediatria (AMB/SBP).
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    Número de cirurgias plásticas entre adolescentes quase triplica em 4 Anos.


    Fantástico
    Número de cirurgias plásticas entre adolescentes quase triplica em 4 anos
    Estética é o principal motivo que leva 60% dos pacientes a enfrentar um bisturi, no Brasil.
    18/08/2013 21h19 - Atualizado em 18/08/2013 21h19

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    O Fantástico pergunta: você deixaria seu filho adolescente fazer uma cirurgia plástica? A cada ano aumenta cada vez mais o número de pacientes menores de idade que procuram esse tipo de operação. Mas será que passar por um procedimento desses é mesmo necessário durante a adolescência?
    “O que me incomodava era sentar e ficar aquela gordura caindo na calça jeans”, conta a jovem Ana. 
    “Nunca tinha feito uma coisa tão grande assim, tão radical. Mas foi tranquilo”, diz André.
    “Para que eu vou me matar na academia se é só colocar um silicone no bumbum?”, questiona Emily.
    “O meu sonho era fazer a cirurgia, e graças a Deus eu fiz”, comemora Gabriela.
    Todos esses jovens fizeram cirurgias plásticas com autorização dos pais. Eles sãp parte de uma estatística que aumenta ano a ano. Entre 2008 e 2012, o número de cirurgias plásticas em adolescentes quase triplicou.
    A adolescência é uma fase de grandes transformações no corpo e de muitas insatisfações com a aparência. Mas como saber se a queixa de um adolescente é apenas uma vaidade ou um problema que pode precisar de cirurgia plástica? Qual o papel dos pais na hora de autorizar ou não uma intervenção?
    “Falei para minha mãe que eu queria fazer e eu precisava fazer. Minha mãe também tinha muito medo. Ela custou a deixar eu fazer”, conta a adolescente Gabriela Souto, de 15 anos.
    “Procurei um cirurgião. Na hora que ele olhou ela, ele falou 'não, o caso dela é de cirurgia mesmo. Já está prejudicando a coluna dela’”, lembra a mãe da jovem, Wagna Araújo.
    Desde os 12 anos Gabriela sofria com o tamanho da mama - tamanho 56. “Doía. Tanto é que criou um caroço aqui na coluna. Sentia muita dor nas costas. Agora, não sinto nada. Agora é 44”, conta a menina.
    No caso do André, foi a mãe quem tomou a decisão.  “O André tinha uma postura bem feia. Ele vivia encurvado. E nos últimos tempos ele já não queria mais ir à piscina”, disse a mãe, Débora Mathias.
    “Eu não gostava muito de falar com ninguém sobre esse assunto. Não me sentia confortável. Mesmo com a minha mãe, com meu pai”, relata o adolescente de 14 anos.
    “Eu fui bastante objetiva e direta: ‘o que está lhe incomodando é a mama?’ Ele disse: ‘é’. Eu falei: ‘então eu vou resolver isso agora’”, lembra a mãe.
    A cirurgia plástica corrigiu a ginecomastia, o desenvolvimento exagerado das mamas nos meninos.
    “A ginecomastia é bastante frequente. Ela pode acometer 50% dos meninos em um determinado momento do seu desenvolvimento puberal. É uma cirurgia bastante indicada, porque ela permite que o adolescente fique bastante feliz”, destaca a pediatra Eloísa Grossman, do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente da Uerj.
    “Depois que ele voltou da cirurgia ele parecia outra pessoa. É como se aquilo fosse de fato, tivesse funcionado como uma libertação pra ele”, conta a mãe.
    As plásticas de André e Gabriela eram reparadoras. “É aquela que vem reparar alguma coisa que não está normal ou não está funcionando bem”, destaca a médica.
    Mas nem sempre é esse o motivo dos adolescentes procurarem um cirurgião. A estética é a principal razão que leva 60% dos pacientes a enfrentar um bisturi no Brasil. 
    “Nos meninos, as mais procuradas são as orelhas de abano e ginecomastia.  E na adolescente mulher, é lipoaspiração e prótese de mama. Quando a gente concorda em operar, é quando ele é biologicamente um adulto. Quando o corpo dele já é o que vai ser dali para frente”, explica José Horácio Aboudib, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

    Aboudib esclarece que um adolescente nem sempre pode se operar simplesmente por vaidade:  “Isso tem que ser muito bem avaliado pelo médico, conversado com o paciente, com o adolescente e com a família. O adolescente quer tudo para ontem e ele tem que aprender um pouco a ouvir não”.
    Mas nem sempre a maturidade acompanha o desenvolvimento do corpo.
    Uma adolescente de 15 anos botar silicone é justificável dependendo do caso, segundo José Horácio.
    Ana Luiza não gostava nem de tirar fotos por vergonha dos seios, que considerava pequenos. “Eu tinha meio receio de usar biquíni. Eu ficava meio sem graça de ver as meninas com peito e eu sem nada”, conta a adolescente que aos 16 colocou silicone.
    “Estava muito ansiosa já, estava passando da hora de eu colocar peito”, disse.
    Ela fez também uma lipoaspiração. “Foi junto com a cirurgia do silicone. Já aproveitei e já fiz tudo”, ela lembra.
    Só que agora, ela quer mais. “Ainda tenho algumas insatisfações. Eu mudaria minha perna. Mas, tirando isso, meu peito e minha barriga”, revela.
    “Como pai, eu sou contra. Como médico, posso entender os motivos dela”, avalia o cirurgião plástico Lúcio Bonetti. 
    Julio é o pai de Ana e também cirurgião plástico. “Quando você faz uma cirurgia dessas, tem que entender que não é igual a uma roupa. A cirurgia plástica não vai substituir o efeito do psicólogo. O acompanhamento psicológico é importante. Mas é importante que você trabalhe em conjunto”, destaca.
    “Os pais têm muita dificuldade de contrariar, de dizer não aos filhos, o que abre um precedente muito perigoso. Que as dificuldades humanas, pelas quais os adolescentes passarão o resto da vida, podem ser resolvidas por vias mágicas. Na grande maioria dos casos, reaparecerá a insatisfação. Agora não está mais no seio, mas pode estar no joelho, no nariz, na barriga”, explica o psicólogo César Ibrahim.
    As gêmeas Katlyn e Emily procuraram um psicólogo antes de aumentar os seios, aos 17 anos.
    “Ele sempre falava pra mim que, às vezes, a gente estava em busca de uma perfeição que não existia”, lembra Emily.
    “Você acha que você precisa disso? Não, não preciso. Mas eu acho que eu vou me sentir melhor. E me senti bem melhor”, conta irmã, Katlyn.
    “O que tem que ser pensado é se essa insatisfação deve ser trabalhada como uma correção radical ou se deve se entender que esse é o momento dessas mudanças”, destaca a pediatra Eloísa Grossman.
    “Muita conversa. Tem que ter um monte de opiniões de profissionais diferentes para que se possa ter segurança na realização e na indicação da cirurgia”, orienta José Horácio Aboudib.
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    quinta-feira, 19 de novembro de 2015

    Perfuração causou morte em lipoaspiração




    Perfuração causou morte em lipoaspiração, aponta laudo

    Agora SP 

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    A motorista de caminhão Maria Irlene Soares da Silva, 43 anos, que morreu na última quinta-feira durante uma cirurgia plástica, sofreu uma hemorragia aguda causada por perfuração na região do abdome, segundo a declaração de óbito do IML (Instituto Médico Legal).
    A informação foi confirmada ontem pelo delegado titular Paul Verduraz, do 15º DP (Itaim Bibi), na zona oeste de São Paulo, onde o caso está sendo investigado.
    Maria Irlene morreu durante um procedimento para a colocação de silicone nos seios, enxerto nas nádegas e lipoaspiração na clínica Wagner Fiorante, localizada na Vila Nova Conceição (zona sul de São Paulo).
    Resposta
    O médico Wagner Fiorante disse, sobre a declaração de óbito de Maria Irlene Soares da Silva, 43 anos, que "é impossível dar atestado de óbito alegando a causa sem ter feito necropsia no corpo".
    O laudo final do IML sai em 30 dias. Sobre a morte de Rozilene Maria Sebastião da Silva, 37, Fiorante afirmou que o laudo está sendo contestado na Justiça porque, segundo ele, a "perfuração de peritônio não causaria uma morte instantânea".
    Sobre a suposta intimidação feita à filha de Rozilene, Fiorante nega a acusação e afirmou que o diálogo com ela "nunca aconteceu".

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