quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Polícia investiga morte de mulher 5 dias após parto em hospital de Bangu; bebê está internada em estado grave

 Família diz que Jéssica Gonçalves, de 28 anos, recebeu alta com fortes dores abdominais e voltou ao hospital menos de duas horas depois. Segundo o marido, ela morreu após quadro de infecção. Enterro aconteceu nesta quarta-feira (16).

Por Mônica Teixeira, Karol Caparelli, RJ2

Polícia investiga morte de mulher 5 dias após parto em hospital de Bangu; bebê está internada em estado grave

Polícia investiga morte de mulher 5 dias após parto em hospital de Bangu; bebê está internada em estado grave


A Polícia Civil investiga a morte de uma mulher de 28 anos, cinco dias depois de ela dar à luz a terceira filha no Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Jéssica Duarte Gonçalves morreu no último domingo (13), após apresentar fortes dores abdominais e, segundo a família, receber alta da unidade ainda com os sintomas.

O enterro aconteceu nesta quarta-feira (16). A filha recém-nascida de Jéssica está internada em estado grave no Centro de Terapia Intensiva (CTI). Segundo a família, a bebê também apresenta um quadro de infecção.

Jéssica deu entrada no Hospital da Mulher Mariska Ribeiro no dia 8 de setembro para o nascimento da terceira filha. Segundo o marido, Jonathan Vieira de Moura, a gravidez havia transcorrido sem complicações e o parto foi normal.

A bebê, Jade, nasceu saudável, com quase quatro quilos. Depois do parto, no entanto, Jéssica começou a reclamar de fortes dores abdominais.

Segundo Jonathan, a mulher não passou por exames de imagem para investigar a causa das dores. Ele afirma que ela recebeu soro e dipirona.

“Olharam minha mulher e falaram assim: bota ela no soro e dá dipirona. E fizeram isso nela. Entrou uma senhora na sala, olhou ela, enfiou a mão nela e começou a tirar umas coisas, coágulo. Aí falou para ela assim: ‘Nossa, deixaram isso dentro de você?’. E nada de melhorar, a dor piorando, piorando. Médica foi, bateu na barriga dela, falou que era gases”, contou o marido.

Mesmo com as dores e a barriga inchada, segundo a família, Jéssica recebeu alta 48 horas após o parto.

Polícia investiga morte de mulher 5 dias após parto em hospital de Bangu — Foto: Reprodução/TV Globo

Polícia investiga morte de mulher 5 dias após parto em hospital de Bangu — Foto: Reprodução/TV Globo

Volta ao hospital

Jonathan contou que, cerca de uma hora depois de chegar em casa, os sintomas da mulher pioraram. Ele decidiu levá-la novamente ao Hospital da Mulher Mariska Ribeiro.

Segundo o marido, Jéssica chegou em estado grave e precisou ser intubada. Desesperado, ele gravou uma conversa com uma funcionária da unidade.

“Ela está com um quadro de infecção e essa infecção está se generalizando”, disse a funcionária, segundo a gravação feita pelo marido.

Jéssica foi transferida para o Hospital Municipal Albert Schweitzer, também na Zona Oeste, onde passou por uma cirurgia para retirada do útero e dos ovários.

Ela morreu no domingo (13), aos 28 anos.

Segundo o atestado de óbito, Jéssica morreu em decorrência de choque misto, coagulação intravascular disseminada (CID), sepse puerperal e atonia uterina, que é quando o útero não se contrai adequadamente após o parto.

A Polícia Civil investiga se houve negligência no atendimento prestado à mulher.

Polícia investiga morte de mulher 5 dias após parto em hospital de Bangu; bebê está internada em estado grave — Foto: Reprodução/TV Globo

Polícia investiga morte de mulher 5 dias após parto em hospital de Bangu; bebê está internada em estado grave — Foto: Reprodução/TV Globo

Hospital nega falta de avaliação

Em nota, o Hospital da Mulher Mariska Ribeiro informou que Jéssica passou por todas as avaliações indicadas para o pós-parto e apresentava boas condições gerais.

Segundo a unidade, ela recebeu alta 48 horas depois do parto, “sem queixas que indicassem sinal de gravidade”.

O marido contesta a versão.

“Isso é mentira. Ela não melhorou. Por que não fizeram os exames que tinham que ser feitos na hora, quando ela estava após o parto sentindo muita dor?”, questionou Jonathan.

Desde terça-feira (15), o RJ2 questiona a Secretaria Municipal de Saúde sobre o motivo de não ter sido realizado exame de imagem para investigar as dores intensas relatadas pelo marido antes da alta. Até a última atualização desta reportagem, a secretaria não havia respondido.

Bebê está internada

Enquanto a família se despedia de Jéssica nesta quarta-feira, a filha recém-nascida dela permanecia internada.

Segundo familiares, Jade apresentou um quadro de infecção e está em estado grave no CTI.

O marido de Jéssica, que agora acompanha a filha no hospital, falou sobre o momento vivido pela família.

“Era um momento para estar feliz, agora com a nossa filha em casa, e está sendo um momento de... um momento triste. Eu não sei nem explicar”, disse Jonathan.

Morte após parto em Bangu: Polícia investiga Hospital Mariska Ribeiro | G1

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Adolescente preparado salva a vida de seu irmão que tinta engasgado e depois acalmou sua mãe....



Tem momentos na vida que não dão aviso. Não existe tempo para pesquisar, planejar ou esperar alguém resolver. A única coisa que importa é estar preparado.
Enquanto o desespero tomava conta da situação, esse irmão soube agir, manteve a calma e fez o que precisava ser feito. E talvez o mais bonito não tenha sido apenas a atitude no momento da emergência, mas a maturidade demonstrada depois, ao tranquilizar a mãe e compreender que cuidar também envolve transmitir segurança.
Esse tipo de comportamento não nasce por acaso. Ele é construído ao longo dos anos através da educação, do exemplo e dos valores ensinados dentro de casa. Pais que ensinam responsabilidade, coragem, serviço e cuidado com o próximo estão formando filhos preparados para enfrentar desafios reais.
A Bíblia nos ensina a amar o próximo na prática, e isso inclui estar disposto a agir quando alguém precisa de ajuda. O caráter é formado no cotidiano e, muitas vezes, se revela justamente nos momentos mais difíceis


Médico responde se anticoncepcional aumenta risco de trombose e AVC

 Segundo neurologista, o risco é maior quando existem fatores genéticos ou clínicos associados. Por isso, avaliação para uso do anticoncepcional é individual

24/07/2026

Mulher segura uma cartela de anticoncepcional

crédito: BBC

Os anticoncepcionais hormonais que contêm estrogênio podem aumentar o risco de eventos trombóticos em algumas mulheres, tornando fundamental a avaliação individual dos fatores de risco antes da escolha do método contraceptivo. O alerta é do neurocirurgião Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema.

A trombose ocorre quando há a formação de um coágulo sanguíneo dentro de uma veia, geralmente nos membros inferiores, comprometendo a circulação sanguínea. Os sintomas podem incluir inchaço, dor, sensação de peso e aumento da temperatura local. No entanto, segundo o especialista, um dos maiores desafios é que muitos casos podem se desenvolver inicialmente de forma silenciosa ou apresentar sinais pouco valorizados.

O médico esclarece ainda que a trombose que ocorre nas pernas não migra para o cérebro. Nesses casos, o coágulo pode se deslocar para o pulmão, provocando uma embolia pulmonar.

"O que pode migrar para o cérebro é quando esse coágulo é formado no coração. Aí, sim, ele pode ir para o cérebro", afirma.

    Segundo Orlando Maia, um quadro que pode estar associado ao uso de determinados anticoncepcionais é a trombose venosa cerebral.

    "Os anticoncepcionais orais, especialmente aqueles que contêm estrogênio e determinadas formulações hormonais, podem aumentar o risco de eventos trombóticos, como trombose venosa profunda e embolia pulmonar. Por isso, a indicação deve sempre considerar o perfil individual de risco de cada paciente", explica Maia.

    Diante desse cenário, o especialista ressalta a importância da investigação de predisposição genética à trombose, principalmente em mulheres com histórico familiar da doença, abortos de repetição ou outros fatores de risco associados.

    "A avaliação individualizada é fundamental para identificar situações que exigem maior atenção e orientar a escolha mais segura em cada caso", complementa.

    E o AVC?

    Segundo o especialista, estudos mostram que alguns anticoncepcionais hormonais, especialmente os contraceptivos orais combinados que contêm estrogênio, podem estar associados a um aumento do risco de acidente vascular cerebral (AVC), sobretudo em mulheres que apresentam fatores de risco adicionais.

    "O uso de anticoncepcionais deve sempre ser discutido com o ginecologista, que poderá avaliar fatores como idade, histórico familiar, tabagismo, presença de enxaqueca com aura, hipertensão arterial e predisposição à formação de coágulos, indicando a opção mais adequada para cada paciente", afirma o médico.

    De acordo com o especialista, o AVC isquêmico, na maioria das vezes, especialmente em pessoas jovens, é causado pela formação de um trombo, um coágulo que migra pela circulação arterial e obstrui uma artéria cerebral.

    "As pessoas confundem quando ocorre uma TVC, que é uma trombose venosa cerebral, que entope uma veia. Quando entope a veia do cérebro, o sangue chega à circulação cerebral, mas não consegue sair por causa da obstrução. Isso provoca um aumento da pressão dentro da cabeça", alerta.

    Segundo o neurologista, a médio e longo prazo, esse aumento da pressão intracraniana compromete a circulação cerebral e pode provocar dois tipos de AVC.

    "Um AVC isquêmico, por falta de chegada de circulação, e depois pode ocorrer uma transformação hemorrágica, que a gente chama de infarto hemorrágico. É uma transformação hemorrágica após o AVC isquêmico", complementa.

    De acordo com Maia, parte desse risco está relacionada ao etinilestradiol, uma forma sintética de estrogênio presente em diversos anticoncepcionais combinados.

    "Essa substância pode provocar alterações nos mecanismos de coagulação do sangue, aumentando a tendência à formação de coágulos. Quando um desses coágulos obstrui a circulação cerebral, pode ocorrer um AVC isquêmico", explica.

    Além disso, estudos sugerem que o estrogênio também pode influenciar a função dos vasos sanguíneos e do endotélio, camada de células que reveste internamente os vasos, contribuindo para um ambiente mais favorável à formação de trombos em pessoas predispostas.

    "Esse risco tende a ser maior quando já existem fatores genéticos ou clínicos associados. Por isso, é importante reforçar que nem todos os anticoncepcionais apresentam o mesmo perfil de risco e que a escolha do método deve ser sempre individualizada", reitera o médico.

    PERFIL

    Orlando Maia é neurocirurgião do Hospital Quali Ipanema; membro titular da World Federation of Neuroradiology, da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, da Sociedade de Neurocirurgia do Rio de Janeiro e vice-presidente do Congresso Brasileiro de Neurocirurgia 2026.