segunda-feira, 14 de setembro de 2026

'O que aprendi ao ter um AVC aos 26 anos'

 Niamh Foster sofreu um AVC isquêmico aos 26 anos e afirma que isso pode acontecer com pessoas "de qualquer idade"

14/09/2026

O estudo afirma que a maioria das pessoas que sofrem AVC tem mais de 65 anos, mas um em cada quatro AVCs ocorre em pessoas mais jovens

crédito: BBC

Aos 26 anos, Niamh Foster jamais imaginou que sofreria um Acidente Vascular Cerebral (AVC) — também conhecido como derrame cerebral.

Sem histórico familiar da doença, a corredora assídua e ex-nadadora competitiva atribuiu um mês de dores de cabeça e fadiga ao estresse da mudança de casa e da preparação para seu período agitado no trabalho, a Semana de Moda de Londres.

Mas em 28 de agosto de 2024, após uma noite de sono interrompido, ela olhou seu reflexo no espelho do banheiro e viu que metade de seu rosto estava caída.

"Eu tive todos os sintomas de um AVC", disse o jovem, agora com 28 anos.

Mais tarde, os médicos lhe disseram que ela havia sofrido um grande AVC isquêmico e 10 ataques isquêmicos transitórios, também conhecidos como mini-AVCs, nas semanas anteriores.

Foster, que mora em um bairro no sul de Londres, disse que ficou internada por 10 dias, acompanhada por seus pais e por seu namorado, Reece.

"Foi uma curva de aprendizado enorme para todos nós", disse ela. "A recuperação de um AVC tem muitos efeitos ocultos."

"Ainda convivo com fadiga, dificuldades de memória e afasia."

A afasia é um distúrbio complexo da linguagem e da comunicação resultante de danos aos centros da linguagem no cérebro, podendo ser causada por acidente vascular cerebral (AVC), traumatismo craniano, tumor cerebral e outras doenças neurológicas.

Foster explicou como, nos dias e meses que se seguiram, ela reaprendeu a andar, a falar como antes e, eventualmente, a correr.

    Descobriu-se que a causa do AVC era um buraco no coração, e ela foi submetida a uma cirurgia cardíaca aproximadamente sete meses depois.

    Oito meses após o AVC e semanas após a cirurgia, ela correu a Maratona de Manchester com o apoio da irmã, depois de receber autorização médica. No próximo ano, ela planeja participar da Maratona de Londres com o namorado como seu corredor de apoio.

    Foster não trabalha mais no mundo do design de moda. Depois de passar um ano focada em sua recuperação, ela começou a trabalhar na Associação de AVC (Stroke Association).

    "O AVC me deu mais propósito", explicou ela. "Me importo muito mais com as coisas que importam e muito menos com as que não importam."

    "Agora trabalho com pessoas que sofreram um AVC, mas têm dificuldades de comunicação."

    Ao refletir sobre sua experiência de recuperação, ela disse que não se tratava de voltar ao normal ou "ter uma aparência melhor".

    "O maior efeito para mim foi a fadiga", disse ela. "Você pode dormir oito horas e meia e acordar ainda cansada. O cérebro precisa de tempo para se recuperar."

    Além da recuperação física, Foster disse que, como jovem paciente de AVC, o mais difícil foi "ver todos seguindo com suas vidas enquanto você se recupera".

    "Os 20 anos deveriam ser a época em que você vive intensamente. Parece que tudo parou por um tempo", disse ela.

    Foster se descreveu como uma pessoa sociável que agora considera situações "avassaladoras" que não teria considerado no passado.

    Mas era tudo sobre adaptação, disse ela.

    "Ser jovem não significa que a recuperação seja fácil e que você se recupere rapidamente", disse ela.

    "A recuperação não é linear, é realmente tediosa."

    Foster disse que continuou recebendo apoio para melhorar sua memória e os movimentos de seu braço e mão, e explicou que o trabalho terapêutico ajudou a "reensinar ao cérebro" o que ele costumava saber.

    "O AVC pode acontecer em qualquer idade", disse ela. "Descobrir por que aconteceu é tão importante para a compreensão quanto para a recuperação."

    A organização beneficente Different Strokes, que apoia jovens sobreviventes de AVC, afirma que mais de 100.000 pessoas no Reino Unido sofrem um AVC ou mini-AVC todos os anos.

    O estudo afirma que a maioria das pessoas que sofrem AVC tem mais de 65 anos, mas um em cada quatro AVCs ocorre em pessoas mais jovens, o que equivale a quase 40.000 pessoas por ano, incluindo várias centenas de crianças.

    Já o Brasil registra em torno de 400.000 novos casos de AVC por ano, segundo estimativas do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de AVC.

    Médico é preso suspeito de importunar sexualmente paciente de 18 anos

     Suposto crime teria ocorrido na UPA Terezinha Moreira Marra, em Patrocínio, no Alto Paranaíba. Jovem diz que foi alvo de toques inadequados durante consulta

    Bruno Luis Barros é jornalista multimídia com experiência em jornais impressos e sites, além de passagem por assessoria de imprensa na área cultural. Escreve para o Estado de Minas desde junho de 2021.

    24/08/2026

    Suposto crime de importunação sexual aconteceu durante atendimento na UPA 24 horas de Patrocínio

    crédito: Google Street View/Reprodução

    Um médico de 65 anos foi preso em flagrante no último sábado (22/8), em Patrocínio (MG), no Alto Paranaíba, suspeito de importunação sexual contra uma paciente de 18 anos durante um atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 Horas Terezinha Moreira Marra, no Centro da cidade. A prefeitura disse que o profissional foi afastado de suas funções (leia a nota completa no fim da reportagem). 

    Segundo a Polícia Militar, a jovem procurou a unidade de saúde para receber atendimento devido a queixas de náuseas, dor de cabeça e diarreia. Durante a consulta, conforme o relato apresentado à PM, o médico teria adotado uma conduta de cunho sexual sem o

    A paciente contou que inicialmente permaneceu sentada em uma cadeira, enquanto o médico realizou ausculta cardíaca e pulmonar. Trata-se de um procedimento realizado com estetoscópio a fim de escutar os sons produzidos no interior do corpo, como no coração, nos pulmões ou no abdômen. 

    Ainda segundo a denúncia da jovem, ele teria pedido que ela ficasse de pé e passado a tocar suas costas e, posteriormente, as regiões das nádegas e das coxas. Os contatos físicos, conforme afirmou, seriam inadequados e desnecessários em relação às queixas que motivaram o atendimento. 

    A paciente relatou ainda que a porta do consultório permaneceu aberta durante a consulta, permitindo que outros pacientes do lado de fora pudessem visualizar o atendimento. A situação, segundo ela, provocou constrangimento.

    Após o atendimento, o médico entregou a receita e encaminhou a paciente ao setor de medicação. Somente depois de deixar a unidade, ela contou ao pai o que havia ocorrido. O homem, então, acionou a Polícia Militar e foi até a UPA, onde relatou a denúncia à enfermeira responsável pela triagem.

    Médico nega o crime

    Aos policiais, o médico confirmou que estava de plantão na UPA como clínico geral e que havia realizado o atendimento da jovem. Ele afirmou, porém, que fez apenas o exame clínico de praxe e negou ter tocado nas regiões dos glúteos ou coxas da paciente.

    O profissional também informou que costuma atender os pacientes com a porta do consultório aberta e que adota esse procedimento há aproximadamente 44 anos.

    A Polícia Militar registrou a ocorrência como importunação sexual, deu voz de prisão em flagrante ao médico e o conduziu ao 46º Batalhão da PM, em Patrocínio.

    Prefeitura acompanha o caso

    Em nota, a Prefeitura de Patrocínio informou, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, que acompanha os desdobramentos do caso registrado na UPA no último fim de semana.

    Segundo o município, a Secretaria está em contato com a jovem e os familiares, prestando o suporte necessário e acompanhando a situação.

    A prefeitura afirmou ainda que os fatos estão sendo apurados pelas autoridades competentes e que aguarda a conclusão das investigações. O profissional permanece afastado das atividades até o término da apuração.

    O município informou que permanece à disposição para colaborar com as autoridades, respeitando o processo de investigação e o direito de todos os envolvidos.

    quarta-feira, 9 de setembro de 2026

    Justiça suspende atividades de cirurgião plástico investigado por possíveis erros médicos em BH

     Decisão atende a pedido da Defensoria Pública de MG e cita possíveis irregularidades em procedimentos estéticos e problemas sanitários na clínica em que Rodrigo Ribeiro Credidio é diretor técnico.

    Por g1 Minas

    Rodrigo Ribeiro Credidio é investigado por erros médicos em cirurgias plásticas — Foto: Redes sociais

    Rodrigo Ribeiro Credidio é investigado por erros médicos em cirurgias plásticas — Foto: Redes sociais


    A Justiça determinou a suspensão das atividades e o registro profissional do cirurgião plástico Rodrigo Ribeiro Credidio. O médico é investigado por erros médicos (sabia os detalhes mais abaixo).

    A liminar, concedida pela 26ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte, atende ao pedido da Defensoria Pública de Minas Gerais que aponta possíveis irregularidades em procedimentos estéticos e riscos à saúde pública na Clínica Credidio Cirurgia Plástica e Nutrologia.

    Com a suspensão, a clínica deverá substituir o médico da função de diretor técnico e informar à Justiça, em até 15 dias, o nome e o número de registro no CRM do novo responsável técnico.

    Além disso, foi determinado que os documentos relacionados às pacientes atendidas e submetidas a cirurgias realizadas pelo médico entre 2019 e 2024 sejam apresentados à Justiça.

    Investigado por erros médicos

    Em 2024, após a morte de Norma Eduarda Fonseca, de 59 anos, familiares denunciaram Rodrigo Ribeiro Credidio. A mulher realizou cinco cirurgias plásticas ao mesmo tempo, passou dois meses internada, mas não resistiu às complicações médicas.

    Após este caso, outras três ex-pacientes de Credido, também o denunciaram. A Polícia Civil de Minas Gerais investiga o caso e informou que o inquérito encontra-se em andamento.

    Segundo a nota enviada ao g1, a PC informou que as diligências continuam sendo realizadas e alguns laudos já foram concluídos. Além disso, o médico, as testemunhas e as vítimas já foram ouvidas.

    O texto é finalizando dizendo que, por se tratar de um caso de alta complexidade, as equipes permanecem empenhadas, adotando todas as medidas legais cabíveis para elucidar a materialidade dos fatos e as respectivas circunstâncias.

    Problemas sanitários na clínica

    Na decisão da Justiça de Minas Gerais também é citado problemas sanitários identificados no estabelecimento. De acordo com o documento, a clínica teria funcionado sem alvará sanitário para realizar procedimentos cirúrgicos em dois períodos: entre 2019 e 2020 e, novamente, entre 2021 e 2024.

    Em vistoria realizada em abril de 2024, a Vigilância Sanitária de Belo Horizonte constatou instrumentos cirúrgicos com validade expirada, ausência de rastreabilidade de medicações e inexistência de Plano e Núcleo de Segurança do Paciente.

    Ao analisar o pedido da Defensoria, o juiz considerou que eventuais danos à integridade física e à vida das pacientes, caso ocorressem, poderiam ser irreversíveis.

    O que diz a defesa

    Ao g1, a desfesa do cirurgião Rodrigo Ribeiro Credidio, afirmou que possui licenças e alvarás sanitários regulares e que, as denúncias em ralação ao médico, foram relatadas de maneira distorcida à Justiça. Confira na íntegra a nota:

    ''A Clínica informa que a referida decisão será objeto de recurso imediato, pois foi proferida em desacordo com a legislação. A clínica também comunica que possui todas as licenças e alvará sanitário válido.
    O processo em questão foi apresentado levando a defensoria pública a erro, a partir da atuação maliciosa de denunciante que distorceu fatos e apresentou documentação propositalmente incompleta.
    Todas as provas da regularidade e qualidade dos seus procedimentos médicos já foram levantadas e a clínica confia que, após a sua apreciação, a referida decisão será revogada.

    Justiça suspende atividades cirurgião plástico investigado | G1

    terça-feira, 1 de setembro de 2026

    Morte após cesariana é investigada por suspeita de negligência médica

     Keyla Ferreira Batista morreu nesse domingo (2/8), dias após uma cesariana realizada no Hospital Regional do Sul de Minas, em Varginha; caso é investigado

    05/08/2026


    Keyla Ferreira Batista foi diagnosticada com uma obstrução intestinal cerca de quatro dias após passar pela cesariana

    crédito: Arquivo Pessoal

    A morte de uma mulher poucos dias após um parto por meio de cesariana virou alvo de investigação policial. Keyla Ferreira Batista, de 32 anos, deu à luz no Hospital Regional do Sul de Minas, em Varginha, no último dia 28/7, uma terça-feira, e morreu neste domingo (2/8) em decorrência de uma septicemia, termo técnico para designar uma infecção generalizada. Parentes da puérpera suspeitam de falhas durante o procedimento cirúrgico e de negligência médica nos dias seguintes.

      Mauro Donizetti Mendes, de 51 anos, marido de Keyla, explica que ela começou a sentir dores e a apresentar inchaço abdominal logo após a cesariana, mas só recebeu analgésicos e, posteriormente, medicamentos para gases enquanto esteve hospitalizada. "Os remédios estavam mascarando a dor e, na sexta de manhã, ela acordou com a sensação de uma pequena melhora", lembra o cônjuge. Diante disso, naquele dia, 31/7, a mulher recebeu alta.

      Porém, de acordo com Mauro, as dores voltaram a aumentar ainda no carro, quando o casal retornava de Varginha para Cordislândia, também no Sul de Minas, onde residiam. "Umas quatro horas depois que a gente chegou em casa, ela travou no sofá: a dor voltou dobrada", afirma. Diante disso, ele levou a esposa de volta a um hospital, dessa vez em Monsenhor Paulo, na mesma região. Lá, a equipe médica constatou que Keyla tinha uma obstrução intestinal e precisaria passar por uma cirurgia de urgência.

      Ainda segundo Mauro, a puérpera chegou a sofrer uma parada cardíaca, mas a equipe médica conseguiu reverter o quadro. No sábado (1/8), Keyla foi sedada e levada de volta ao Hospital Regional do Sul de Minas, em Varginha, por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Lá, ela passou por uma cirurgia de aproximadamente três horas, porém morreu após o procedimento.

      Diante disso, Mauro registrou um Boletim de Ocorrência junto à Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), que realizou uma necropsia na puérpera e abriu uma investigação. "Equipes da delegacia do município realizam diligências, como a oitiva de testemunhas e envolvidos, visando elucidar o caso. A PCMG aguarda a conclusão de laudos, indispensáveis para a conclusão dos procedimentos investigativos", informou a corporação, por meio de nota.

      Em luto pela morte da esposa, Mauro pondera que não quer apontar responsabilidades de maneira precipitada, mas que acredita que a equipe médica do Hospital Regional do Sul de Minas não foi cuidadosa ao diagnosticar Keyla após a cesariana. "A gente está aguardando a investigação; esperamos por justiça", desabafa.

      O que diz o hospital

      Após o caso ganhar repercussão, o Hospital Regional do Sul de Minas publicou uma nota de esclarecimento nas redes sociais. "Em relação ao ocorrido envolvendo a paciente Keyla Ferreira Batista, o Hospital manifesta profundo pesar pelo episódio e solidariza-se com seus familiares neste momento delicado", diz o texto.

      A nota pontua ainda que a instituição de saúde, "em razão da denúncia formalizada, prestará integral colaboração às autoridades competentes, fornecendo todos os esclarecimentos e documentos que se fizerem necessários para a completa elucidação dos fatos. Paralelamente, será instaurado procedimento interno para apuração rigorosa das circunstâncias relacionadas ao caso, observados os princípios do devido processo, da imparcialidade e da transparência"