domingo, 26 de julho de 2026

Quatro médicos foram denunciados por homicídio qualificado: José Luis Gomes da Silva, José Luiz Bonfitto, Marco Alexandre Pacheco da Fonseca e Álvaro Ianhez.


Em 19 de abril de 2000, o menino Paulo Veronesi Pavesi, de 10 anos, caiu de cerca de dez metros de altura no playground do prédio onde morava, em Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais.
Ele foi socorrido no Hospital Pedro Sanches e depois transferido para a Santa Casa de Poços de Caldas. Horas depois da internação, os médicos que o atendiam declararam morte encefálica.
O que parecia um desfecho trágico tomou outro rumo quando o pai da criança, Paulo Airton Pavesi, contestou uma cobrança hospitalar suspeita. Dali, o caso ganhou repercussão nacional e deu origem à investigação conhecida como "máfia do tráfico de órgãos".
Segundo apurado pelo Ministério Público de Minas Gerais, o diagnóstico de morte encefálica de Paulo teria sido forjado, e o menino ainda estava vivo quando seus órgãos foram retirados.
A apuração apontou falhas graves no atendimento, entre elas internação em unidade sem estrutura adequada, demora no atendimento neurocirúrgico e cirurgia realizada por profissional sem qualificação.
Quatro médicos foram denunciados por homicídio qualificado: José Luis Gomes da Silva, José Luiz Bonfitto, Marco Alexandre Pacheco da Fonseca e Álvaro Ianhez. Em julgamento realizado em 2021, mais de duas décadas após a morte do menino, Marco Alexandre foi absolvido pelo júri popular.
José Luis Gomes da Silva e José Luiz Bonfitto foram condenados; segundo nota recente do Ministério Público, a pena de ambos foi de 28 anos de prisão, embora reportagens anteriores tenham registrado condenação de 25 anos e 10 meses, divergência ainda não esclarecida.
Álvaro Ianhez, coordenador de uma central clandestina de transplantes no sul de Minas Gerais, foi condenado a 21 anos e 8 meses por atestar falsamente a morte encefálica da criança.
Outros três profissionais, Sérgio Poli Gaspar, Celso Roberto Frasson Scafi e Cláudio Rogério Carneiro Fernandes, também foram condenados pela remoção irregular de tecidos e órgãos.
Ao todo, seis dos sete médicos denunciados foram condenados. As prisões só foram decretadas anos depois, quando o STJ negou recursos das defesas, com base em entendimento do STF sobre execução da pena após condenação em segunda instância.




O caso levou ao fim do serviço de transplantes em Poços de Caldas e motivou uma CPI no Congresso Nacional.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)

 Arquivos Infinitos




Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) tem chamado atenção pelos resultados obtidos no desenvolvimento de uma nova estratégia para combater o câncer. O estudo utiliza nanopartículas de sílica para transportar medicamentos quimioterápicos diretamente até as células cancerígenas, buscando tornar o tratamento mais eficiente e menos agressivo ao organismo.
Nos testes experimentais, os pesquisadores conseguiram frear em até 99,6% o crescimento de células cancerígenas. Na prática, isso significa que as células tratadas tiveram sua capacidade de multiplicação quase totalmente bloqueada. O resultado é considerado promissor porque aponta para uma forma mais precisa de atacar os tumores, preservando melhor os tecidos saudáveis.
Além de reduzir drasticamente o crescimento das células cancerígenas, a tecnologia também apresentou resultados expressivos na diminuição dos tumores analisados durante os experimentos. Segundo os pesquisadores, o método combina nanopartículas com medicamentos já utilizados na quimioterapia, aumentando a capacidade de direcionar o tratamento exatamente para as áreas afetadas pela doença.
Outro diferencial da pesquisa é o uso de ácido fólico para ajudar as nanopartículas a localizar as células tumorais. Como muitos tipos de câncer apresentam grande quantidade de receptores para essa substância, os medicamentos conseguem alcançar os tumores com maior precisão, potencializando sua ação e reduzindo efeitos indesejados em outras partes do organismo.
Apesar dos resultados animadores, os cientistas destacam que a tecnologia ainda está em fase experimental e não representa uma cura para o câncer. Novos estudos e testes serão necessários antes que o tratamento possa ser aplicado em pacientes. Mesmo assim, a descoberta representa um importante avanço da ciência brasileira e abre caminho para o desenvolvimento de terapias mais eficazes no futuro.
Fonte:Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS); Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (Fundect)

segunda-feira, 1 de junho de 2026

TJ condena cidade a pagar R$100 mil a família de gestante morta após parto

 Paciente morreu há 18 anos, após complicações no parto em maternidade de Contagem; Justiça apontou falha no acompanhamento médico pós-operatório

01/06/2026


TJMG confirmou a responsabilidade do município de Contagem pela morte de uma paciente após complicações decorrentes de uma cesariana realizada em maternidade da cidadecrédito: Envato Elements / Imagem ilustrativa

Dezoito anos após a morte de uma paciente durante o pós-operatório de uma cesariana em uma maternidade de Contagem, na Grande BH, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) manteve a condenação do município por negligência médica e determinou o pagamento de indenização e pensão aos quatro filhos da vítima. A mulher morreu seis dias depois de dar entrada na unidade para um parto de urgência, em novembro de 2007, após falhas no acompanhamento médico.

Durante o processo, os filhos relataram que a mãe recebeu alta médica mesmo apresentando fortes dores e distensão abdominal. Ao retornar ao hospital com agravamento do quadro, ela não teria recebido diagnóstico adequado em tempo hábil. A mulher morreu em decorrência de infecção generalizada causada por perfuração no cólon – parte central e mais extensa do intestino grosso, um órgão vital do sistema digestivo – durante a cirurgia.

Os filhos da vítima acionaram a Justiça alegando que a mãe não recebeu o acompanhamento necessário após o procedimento cirúrgico. A perícia judicial concluiu que a perfuração intestinal era um risco possível em cirurgias do tipo e apontou que houve falha grave da equipe médica no monitoramento pós-operatório, já que os sinais de infecção teriam sido ignorados.

Em sua defesa, o município de Contagem negou a existência de erro médico e afirmou que a equipe seguiu os protocolos adequados durante o atendimento e que a perfuração era risco próprio da cesariana. A defesa ainda questionou a representação processual dos filhos da vítima e pediu a redução das indenizações e da pensão.

Em primeira instância, a Comarca de Contagem condenou o município ao pagamento de R$ 25 mil para cada um dos quatro filhos da paciente, totalizando R$ 100 mil por danos morais, além de pensão mensal equivalente a um salário-mínimo, dividida entre os beneficiários. No entanto, o município recorreu da decisão.

    Ao examinar o recurso, o relator do caso, desembargador Júlio Cezar Guttierrez, destacou que o município foi responsável por se omitir nos cuidados pós-operatórios. "O óbito da paciente se deu não apenas em razão da perfuração propriamente dita, mas também da falta de intervenção corretiva e de diligência por parte dos médicos que lhe acompanhavam.”

    O magistrado também ressaltou que os sintomas infecciosos foram ignorados, impedindo intervenção médica capaz de evitar o agravamento do quadro clínico.

      A indenização foi mantida pelos magistrados, que consideraram o valor proporcional aos danos sofridos pela família, especialmente pelo fato de uma das filhas da vítima ser recém-nascida na época da morte. Já o valor da pensão mensal foi reduzido de um salário-mínimo para dois terços do salário-mínimo, conforme entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

      O caso foi acompanhado pelos desembargadores Raimundo Messias Júnior e Maria Inês Souza, que seguiram o voto do relator.