domingo, 21 de julho de 2024

Médico esquece instrumento entre o pescoço e coração de paciente e estado de SP é condenado em R$ 50 mil

 Corpo estranho foi deixado durante tratamento de hemodiálise em São Vicente (SP). Estado de São Paulo pagará pela demora em conceder a cirurgia de retirada.

Por Gyovanna Soares, g1 Santos

Médico esqueceu fio-guia entre pescoço e coração de paciente em São Vicente (SP) — Foto: Arquivo pessoal e Reprodução

Médico esqueceu fio-guia entre pescoço e coração de paciente em São Vicente (SP) — Foto: Arquivo pessoal e Reprodução

Um homem, de 47 anos, teve um fio-guia esquecido por um médico entre a jugular e o átrio direito do coração. A situação aconteceu durante um tratamento para insuficiência renal. De acordo com parecer médico, juntado no processo, o paciente correu risco de morte por ter ficado com o instrumento no corpo. O estado de São Paulo foi condenado a pagar R$ 50 mil por não ter feito uma cirurgia para a remoção do fio-guia no prazo estabelecido.

Os advogados do autônomo Vanes de Jesus da Silva conseguiram uma liminar na Justiça para que o estado assumisse a cirurgia de retirada do instrumento, esquecido em 2022. Parte do fio-guia só foi removido neste ano e, portanto, por não ter cumprido o pedido de urgência, foram aplicadas as multas, que totalizaram R$ 50 mil.

Vanes tem diabetes [alto nível de açúcar no sangue] e, por este motivo, desenvolveu uma insuficiência renal grave em julho de 2022. Naquela época, ele iniciou a hemodiálise, um tratamento que serve como um rim 'artificial' e precisa da inserção de um cateter na região do peito, com auxílio de um fio-guia, que acabou sendo esquecido dentro dele.

A filha de Vanes, Jullyana Dionísio, de 24 anos, explicou ao g1 que o pai é morador de Itanhaém, no litoral de São Paulo, mas o procedimento foi realizado no Instituto Segumed, em São Vicente (SP), pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Em abril de 2023, ele colocou uma fístula arteriovenosa no braço no Hospital do Vicentino. Este dispositivo tem a mesma função do cateter que, por este motivo, foi retirado em junho daquele ano.

"Mesmo o médico retirando o cateter, não se ligou que o fio-guia estava esquecido", disse a filha.

A Prefeitura de São Vicente informou ao g1 que mantém contrato de prestação de serviço com a Segumed e não foi notificada sobre este caso. A pasta, no entanto, afirmou apurar o ocorrido com a empresa, que atende pacientes da Baixada Santista por meio do Departamento Regional de Saúde (DRS).

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Aproximadamente oito meses após o começo da hemodiálise, Vanes começou a sentir dores no peito. Em julho de 2023, o paciente fez um exame de raios-X no Centro de Especialidades Médicas de Itanhaém (Cemi) e foi constatado que o fio-guia do cateter estava alojado da jugular até o átrio direito.

À esquerda, parte do fio-guia esquecido no corpo do paciente. À direita, exame de raios X de Vanes — Foto: Arquivo pessoal e Reprodução

À esquerda, parte do fio-guia esquecido no corpo do paciente. À direita, exame de raios X de Vanes — Foto: Arquivo pessoal e Reprodução

Ele foi encaminhado para agendar a cirurgia de retirada do instrumento pelo SUS, mas, em dezembro do ano passado, ainda não tinha recebido um retorno. Por conta disso, entrou com uma ação contra a Prefeitura de Itanhaém e a Fazenda do Estado de São Paulo e conseguiu uma tutela de urgência.

A filha do autônomo ressaltou, assim como consta no parecer médico, juntado no processo, que a remoção rápida era necessária porque o fio-guia estava em uma área que podia causar a morte de Vanes.

O átrio direito é uma câmera do coração que recebe sangue de diversas partes do corpo, enquanto a jugular é a principal veia que drena o sangue da cabeça e pescoço.Reproduzir vídeo

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São Vicente, SP cria loteria municipal que destina parte dos lucros à saúde

Condenação

A Prefeitura de Itanhaém também foi alvo da ação por ser a cidade onde ele mora e deveria receber atendimento médico. Mas, de acordo com o documento da sentença obtido pelo g1, a Justiça entendeu que a administração municipal não tinha culpa sobre o caso e apenas o estado deveria responder o processo.

A Fazenda do Estado foi intimada em 2 de janeiro de 2024 e tinha 15 dias para conceder a cirurgia. Em nota, o Departamento Regional de Saúde (DRS) da Baixada Santista disse que a operação foi realizada em 20 de março deste ano. Ou seja, mais de dois meses depois do prazo estipulado pela Justiça.

Hemodiálise (imagem ilustrativa)  — Foto: Julio Cavalheiro/Arquivo/SECOM

Hemodiálise (imagem ilustrativa) — Foto: Julio Cavalheiro/Arquivo/SECOM

Ainda de acordo com a pasta, o procedimento de retirada não é realizado em hospitais da região, devido ao nível de complexidade da operação. Por este motivo, Vanes fez a cirurgia no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo.

Por conta da demora, a Fazenda do Estado de São Paulo foi condenada a pagar uma multa de R$ 1 mil por dia de atraso, limitada ao valor de R$ 50 mil. Além disso, o órgão também foi obrigado a arcar com os honorários advocatícios, custas e despesas processuais.

Fio-guia

A filha de Vanes disse que foi informada pelos médicos do Instituto Dante Pazzanese de que não foi possível fazer a retirada total do corpo estranho. De acordo com ela, a ponta ficou presa a uma fibrose [formação de tecido de cicatrização] que se criou após o médico responsável pelo erro tentar retirar o fio-guia a sangue frio.

"Isso aconteceu porque o médico responsável pelo erro tentou tirar a sangue frio, na época que soube. O que acabou só machucando mais", afirmou Jullyana. Ela acrescentou que o pai continua fazendo hemodiálise no mesmo local porque não conseguiu transferência da unidade de saúde.

A família, porém, está pagando médicos particulares para ter uma avaliação exata dos riscos do pedaço que ficou após a cirurgia. De acordo com a filha, ainda teriam aproximadamente dez centímetros de fio-guia no corpo de Vanes.

Máquina de hemodiálise (imagem ilustrativa) — Foto: Reprodução/EPTV

Máquina de hemodiálise (imagem ilustrativa) — Foto: Reprodução/EPTV

"O mínimo que esperamos é o nosso direito de que ele possa ter um tratamento digno, com respeito e qualidade. Lutamos para que ele tenha uma boa vida, e que esse erro não venha a se repetir com ele e com ninguém", finalizou Jullyana.

Em nota, os advogados Alexandre Celso Hess Massarelli e Diego Renoldi Quaresma de Oliveira afirmaram que, diante de todo o sofrimento de Vanes, vão ingressar com uma nova ação na Justiça para que ele seja indenizado por danos morais.

O g1 entrou em contato com o Instituto Segumed, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.


https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/mais-saude/noticia/2024/07/19/medico-esquece-instrumento-entre-o-pescoco-e-coracao-de-paciente-e-estado-de-sp-e-condenado-em-r-50-mil.ghtml

Turma mantém condenação por erro médico descoberto após 6 anos

 por AR — publicado há 3 anos

O esquecimento de compressa dentro do corpo de paciente configura erro médico, o que gera o dever de reparar os danos provocados. O entendimento é da 4ª Turma Cível do TJDFT, que confirmou a obrigação de um médico em indenizar uma paciente. O Colegiado ainda majorou o valor da condenação por danos morais e estéticos. 

A autora conta que, em novembro de 2010, foi submetida a procedimento cirúrgico realizado pelo médico réu para retirada da vesícula. Ela relata que, pouco tempo depois de ter alta médica, começou a sentir dores no estômago, incontinência urinária, prisão de ventre e cansaço frequente. Os sintomas, segundo a autora, persistiram por seis anos, quando, após se submeter a uma série de exames, descobriu que  havia uma bolsa com cerca de 2 litros no interior de seu abdômen. Ao ser submetida a uma nova cirurgia em 2016, descobriu que uma compressa havia sido esquecida em seu corpo. A autora alega que a situação provocou danos morais e estéticos e pede a condenação tanto do profissional de saúde quanto do Hospital do Lago Sul, onde foi realizado o procedimento em 2010. 

Decisão da 25a Vara Cível de Brasília julgou improcedente o pedido quanto à unidade de saúde, mas condenou o médico a pagar à autora as quantias de R$ 60 mil pelos danos morais e 12 mil pelos danos estéticos. O cirurgião recorreu sob o argumento de inexistência de responsabilidade, uma vez que o erro teria sido cometido pelo instrumentador. Alternativamente, pediu a condenação do hospital. Já a paciente requereu aumento do valor das indenizações. 

Ao analisar o recurso, os desembargadores observaram que as provas dos autos mostram que houve falha no procedimento e que está presente o nexo de causalidade. De acordo com os magistrados, “o grau de lesividade do ato ilícito foi elevado” e colocou em risco a vida da autora. “O esquecimento de corpo estranho no interior do corpo da paciente ocasionou dores na região abdominal, ganho de peso, incontinência urinária, dificuldades de locomoção e o desenvolvimento de um quadro depressivo. Todos esses sintomas foram vivenciados cotidianamente pela autora durante seis anos de muita angústia, aflição e preocupação com sua saúde, sem que tivesse conhecimento da verdadeira causa de seus problemas”, pontuaram. 

Quanto ao pedido para responsabilização do hospital, os desembargadores lembraram que ela é limitada aos serviços prestados. No caso, não ficou demonstrado que o estabelecimento possuía vínculo com o cirurgião e com o instrumentista. “Embora sejam aplicados ao caso os regramentos consumeristas e, com isso, a responsabilidade objetiva, não pode o hospital ser condenado a reparar a vítima quando o eventual dano decorre de falha técnica do médico (erro médico típico) que não possui vínculo laboral com a unidade hospitalar”, explicaram. 

Dessa forma, a Turma, por unanimidade, deu provimento ao apelo da autora para fixar em R$ 80 mil a indenização por danos morais e em R$ 20 mil por danos estéticos. 

A decisão foi unânime.

PJe2: 0704490-88.2019.8.07.0001

sábado, 20 de julho de 2024

Erro de conduta leva a suposto óbito de criança em UPA

 Publicado em 09 de agosto de 2023

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Colaboração para o UOL, em São Paulo

A Polícia Civil de Goiás investiga a causa da morte de uma bebê de cinco meses, que teria falecido em decorrência de aplicação de uma injeção com dipirona. O caso ocorreu na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Trindade, na região metropolitana de Goiânia, na última segunda-feira (7).

O que aconteceu:

Os familiares de Ayslla Helena Souza Lopes informaram que a bebê foi diagnosticada com a doença mão-pé-boca. As informações foram repassadas pela polícia.

A médica responsável pelo atendimento da criança prescreveu o medicamento injetável. Entretanto, no momento da aplicação a enfermeira não conseguiu localizar a veia de Asylla e questionou à medica se poderia injetar a dipirona no músculo, o que foi autorizado por ela e pela família.

Posteriormente à aplicação, surgiu uma ferida no local em que o medicamento foi injetado. De acordo com um boletim médico, Asylla morreu por insuficiência respiratória e choque séptico. Ainda, é apontado que a injeção teria contribuído para a morte da bebê.

A delegada responsável pelo caso, Cássia Borges, informou que aguarda o resultado do IML (Instituto Médico Legal) sobre a causa da morte. Em seguida, ela disse que vai ouvir os profissionais envolvidos no atendimento da vítima e apurar se as condutas adotadas no atendimento à bebê foram adequadas.

Em nota, a prefeitura de Trindade informou que abriu sindicância administrativa interna para averiguar se houve “algum equívoco na assistência prestada à paciente”, e ressaltou a equipe envolvida foi afastada de suas atribuições na UPA “até que os fatos sejam todos apurados”.

Foto: Reprodução: TV Anhanguera

https://posenfermagemdevalor.com.br/erro-de-conduta-leva-a-suposto-obito-de-crianca-em-upa/


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Idosa alérgica a dipirona morre em hospital no Crato após receber a medicação na veia

 Técnico de enfermagem não viu que a pulseira de identificação da paciente alertava para a alergia

Escrito por Redação , 


Legenda: Francinete Barbosa da Silva deu entrada no hospital no sábado (29) apenas com uma infecção no pé
Foto: Arquivo Pessoal


Uma mulher de 76 anos morreu nesta segunda-feira (31), no Hospital Maternidade São Francisco de Assis, no Crato, após tomar dipirona. A idosa era alérgica ao medicamento e havia relatado a restrição no sábado (29), quando deu entrada na unidade queixando-se apenas de uma infecção no pé.

O Sistema Verdes Mares apurou que o procedimento de raspagem do coágulo no pé de Francinete Barbosa da Silva foi adiado pelo hospital e que, devido a uma piora da infecção, a mulher teve febre alta, o que levou um técnico de enfermagem a administrar dipirona na veia dela para controlar a temperatura. O profissional, porém, não observou que a pulseira de identificação no braço da idosa alertava que ela não poderia de maneira alguma receber o remédio.

"Ligeiramente ela começou a infartar. Vi minha mãe morrendo. Ela ainda me abraçou", disse Francilene Barbosa, uma das filhas da idosa.

"Na verificação do quadro de febre alta, um técnico de enfermagem alegou que ministrou a dipirona que constava de outro kit e fez a medicação endovenosa por conta própria, sem conferir o que havia sido prescrito pelos médicos, além da pulseira que alertava para a alergia e a placa beira-leito onde constava a indicação de paciente alérgica ao medicamento", comunicou o hospital.

Placa beira-leito da paciente
Legenda: O informe sobre a alergia à dipirona também estava na placa beira-leito da idosa no hospital
Foto: Reprodução

A unidade reconheceu, portanto, o erro que levou à morte de Francinete, e disse que o técnico foi afastado de suas atividades e que uma investigação interna foi aberta para apurar a ocorrência. "O Hospital Maternidade São Francisco de Assis lamenta o ocorrido, se solidariza com a família neste momento de dor e informa que tomará todas as medidas cabíveis sobre esse caso, colocando-se à disposição para o que for necessário", concluiu a instituição.

O corpo da idosa foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para investigação da causa da morte.

FAMÍLIA PEDE JUSTIÇA

A família da idosa registrou um boletim de ocorrência, acusa o hospital de negligência e pede justiça.

"Minha mãe estava bem de saúde, ela só tinha um coágulo. Foi o bendito remédio que ela tomou. A gente quer justiça pela nossa mãe, que morreu num leito de hospital, sendo que era para ela ser bem cuidada", disse Bárbara Barbosa, outra filha de Francinete, ao Sistema Verdes Mares.

Em nota, a Polícia Civil do Estado do Ceará (PC-CE) informa que apura as circunstâncias da morte de uma idosa, de 76 anos, e confirma que um Boletim de Ocorrência (BO) foi registrado. "A Delegacia Regional do Crato realiza oitivas e diligências estão em andamento para elucidar os fatos", conclui.

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/ceara/idosa-alergica-a-dipirona-morre-em-hospital-no-crato-apos-receber-a-medicacao-na-veia-1.3399128

Erro de enfermagem leva à morte de bebê de 2 meses em Salvador

 Samuel Ricardo Souza Bastos morreu supostamente devido a uma falha de uma técnica de enfermagem na Maternidade José Maria Magalhães Neto

20/06/2023 
A denúncia foi feita por familiares do bebê, que afirmam que Samuel passou mal após leite ter sido injetado inadvertidamente em seu acesso central(foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)


O bebê Samuel Ricardo Souza Bastos, de 2 meses, teria falecido devido a uma falha médica na Maternidade José Maria Magalhães Neto, situada no bairro do Pau Miúdo, em Salvador. A denúncia foi feita por familiares do bebê, que afirmam que Samuel passou mal após leite ter sido injetado inadvertidamente em seu acesso central na segunda-feira (19). 
O suposto erro teria sido cometido por uma técnica de enfermagem. Samuel, que nasceu com uma cardiopatia, estava internado há um mês na maternidade, onde recebia medicamentos intravenosos e se alimentava por meio de sonda.

O bebê havia passado por uma cirurgia no Hospital Ana Nery e estava se recuperando do procedimento na maternidade. A mãe de Samuel estava acompanhando o filho na unidade, mas teve que voltar para casa no domingo (18).
  • Foi quando ela recebeu uma ligação informando que seu filho estava em estado grave. Ao retornar à maternidade, a mãe de Samuel foi comunicada que uma técnica de enfermagem havia injetado alimentação por engano no acesso central do bebê. 

A família foi informada ainda no domingo que a funcionária havia sido demitida. Na manhã de segunda-feira (19), um funcionário da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital vazou a notícia do falecimento de Samuel. O óbito foi posteriormente confirmado pela assistente social da unidade, após a família a procurar.