segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Quem é Mayra Pinheiro, a médica cearense que virou a "capitã cloroquina" de Bolsonaro

 Atualmente secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, ela será ouvida nesta terça, 25, pela CPI da Covid. Mas a carreira política de Mayra Pinheiro não começou no governo Bolsonaro. Em 2013, a pediatra participou de movimento contra a vinda de cubanos pelo programa Mais Médicos. Crítica das gestões petistas, atuou como presidente Sindicato dos Médicos do Ceará e se candidatou para cargo no Congresso Nacional duas vezes pelo PSDB

FILIPE PEREIRA 19:21 | 24/05/2021


FORTALEZA, CE, BRASIL, 03-09-2018: Mayra Pinheiro candidata ao senado federal. (Foto: Alex Gomes/O Povo) (Foto: )

A médica cearense e secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro será ouvida nesta terça-feira, 25, pela CPI da Covid. Ela é a oitava pessoa a depor na comissão, que entra na sua quarta semana de trabalhos. Mayra seria ouvida na semana passada, mas uma mudança ocorreu após o depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello ser suspenso e remarcado para a última quinta-feira, 20.

Já candidata ao Senado Federal em 2018 pelo PSDB no Ceará, quando conquistou mais de 882 mil votos, foi no dia 21 de março deste ano que a pediatra ganhou maior projeção nacional, após ganhar o apelido de "capitã cloroquina" ao defender o amplo uso de medicamentos sem comprovação científica para a doença, como a ivermectina e a hidroxicloroquina. Eles formam o chamado do “tratamento precoce”. Conheça a história da secretária.


Críticas ao programa Mais Médicos

Em 2013, a pediatra cearense participou de movimento contra a vinda de cubanos pelo programa Mais Médicos . A principal demanda do grupo, à época, era o fim do programa, que proporcionou a entrada de 8 mil médicos cubanos sistema de saúde pública do Brasil. Por meio de um acordo de cooperação com o governo de Cuba, os profissionais da ilha caribenha eram chamados a trabalhar em municípios onde faltavam médicos. Muitas das vagas eram rejeitadas por profissionais locais. 

Conhecida pela posição contrária ao Mais Médicos, Mayra foi uma das que participou da manifestação que recepcionou com vaias e xingamentos os médicos cubanos na chegada a Fortaleza, em 2013, para trabalhar no programa.

Sindicato dos Médicos do Ceará

Em março de 2015, Mayra assumiu o comando do Sindicato dos Médicos do Ceará (Simec) para o triênio 2015-2018. Já filiada ao PSDB, ela comandou a cerimônia de posse, no Centro Eventos. À frente do sindicato, ela liderou movimentos contra o governo federal. Em vídeo do Facebook, ela aparece em manifestação com o Dr. Carmelo Silveira Carneiro Leão Filho, presidente da Associação Médica Cearense (AMC).

O apoio da Associação Médica Brasileira a ajudou durante sua candidatura como senadora em 2018. Nas redes sociais, ela apareceu em vídeo da instituição falando sobre temas relacionado à categoria médica. 

 

Eleições

Mayra se candidatou duas vezes para o Congresso Nacional. Em 2014, disputou eleição para o cargo de deputada federal pelo PSDB, mas não se elegeu. Em sua campanha, ela focou discurso crítico contra a gestão Dilma Rousseff (PT), tendo como alvo principal o programa Mais Médicos. Terminou o pleito como segunda mais votada candidata do PSDB, com 25,8 mil votos, mas não foi eleita. Desde então, prosseguiu com atos contra a petista na Capital.

Em 2018, a médica foi candidata a senadora pelo mesmo partido, porém. Ficou em quarto lugar, com 11,3% dos votos, mas isso foi suficiente para aumentar o capital político da médica. Ela formou chapa com Eduardo Girão (Pros), que também buscava assento no Congresso Nacional e acabou eleito, impondo histórica derrota ao então senador Eunício Oliveira (MDB)

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O nome de Mayra ganhou força após a desistência do ex-senador Luiz Pontes, principal cotado para a vaga. Ele deixou a disputa após pedido da família. Antes dele, o ex-governador do estado, Lúcio Alcântara, também havia negado convite. A pediatra apoiou o ex-candidato tucano ao Governo do Ceará em 2018, General Theophilo, que perdeu o pleito para o atual governador Camilo Santana (PT). 

Veja entrevista de Mayra Pinheiro ao programa Live Política: 

Governo Bolsonaro

Sindicalista e ex-candidata tucana, Mayra simpatizava e mantinha proximidade com o então deputado federal Jair Bolsonaro. Com a eleição de 2018, ela entrou no governo Bolsonaro por uma espécie de “cota” reservada ao movimento médico apoiador do presidente desde a época da campanha eleitoral. Logo, o futuro ministro da Saúde, Henrique Mandetta, convidou a ex-presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará para assumir a Secretaria da Gestão do Trabalho e da Educação da Saúde (SGTES). Nas redes sociais, a médica compartilha fotos com o presidente da República.

É esta Secretaria que administra o programa "Mais Médicos", sempre criticado por Mayra. Ela chegou a sugerir que Mandetta alterasse o nome do programa para "Mais Saúde", visto que o projeto tem uma abrangência para além dos profissionais da medicina. Sob supervisão de Mayra, foi lançado um edital com 8.500 vagas, somente para médicos brasileiros. A iniciativa não foi exatamente um sucesso: apenas 53% das vagas foram preenchidas e 31 municípios não receberam médico algum.

Cloroquina

Com a pandemia do coronavírus, durante  sua atuação na Secretaria da Gestão do Trabalho e da Educação da Saúde (SGTES), Mayra se agarrou à cloroquina e à efetividade do “tratamento precoce”. Seu tom de defesa dos medicamentos passou a aumentar após Bolsonaro insistir, em vários momentos, que era possível combater a Covid-19 com drogas feitas, por exemplo, para tratar malária. 

Em vídeo postado nas redes sociais em maio de 2020, Mayra afirmou que quem não receitasse o coquetel cloroquina e azitromicina – um antibiótico –poderia ser acusado de “crime contra a humanidade”. Em meio à reclamações de médicos que atuam na linha de frente no combate à pandemia e da própria Organização Mundial da Saúde, ela permaneceu na defesa da cloroquina. O auge foi a criação do aplicativo TrateCov. 

O aplicativo foi lançado em Manaus – onde pacientes morriam às dezenas por falta de oxigênio. Segundo o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e Mayra, a ferramenta serviria para auxiliar o diagnóstico dos doentes. Porém, simulações feitas por jornalistas mostraram que o aplicativo prescrevia cloroquina até para bebês. Com a imensa repercussão negativa, Pazuello se apressou em dizer que o aplicativo foi colocado no ar por um hacker. 

CPI da Covid

No dia 6 de maio, o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), protocolou requerimento à presidência da Comissão para a convocação de Mayra Pinheiro à Casa para falar sobre o estímulo ao uso da cloroquina no tratamento da Covid-19. A secretária afirmou que iria à comissão, no Senado, para prestar esclarecimentos sobre a gestão da pandemia. Ela recebeu um total de quatro requerimentos de convocação.

A CPI citou a ida da cearense a Manaus (AM), dias antes do colapso no sistema de saúde local, para onde teria viajado para disseminar o uso da cloroquina no tratamento da Covid-19. Em entrevista à imprensa, Pinheiro chegou a dizer que pretende “ falar a verdade para 210 milhões de brasileiros”. "Vou contar a verdade. Os fatos reais. Aqueles que nunca tivemos a oportunidade de falar. A população recebe narrativas que nem sempre condizem com a verdade”, afirmou. Entretanto, ela acabou conseguindo um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) e poderá permanecer em silêncio apenas quando questionada sobre fatos ocorridos entre dezembro ano passado e janeiro deste ano, quando estourou a crise de desabastecimento de oxigênio hospitalar em Manaus. 

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4 comentários
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Airton Junior
A matéria era para desmerecer ela? Obrigado. Fiquei foi mais fã.
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Fabiano Coelho
Dizem que hoje na CPI ela defenderá o USO DA CLOROQUINA no tratamento DA COVID embasados em estudos e pesquisas já elaborados. Pergunto: Porque pediu HABEAS CORPUS NO STF??????? Era isso que no mínimo se esperava, que não se negasse suas convicções e a REALIDADE DOS FATOS, como fez diga-se de passagem, o ex MINISTRO DA SAÚDE TRAPALHÃO, EDUARDO PAZZUELLO e outros que já deporam na CPI. Quem fez, que pelo menos não retirem suas DIGITAIS. Se errou, ou não, ou se suas atitudes colaboraram para o número EXCESSIVO de casos e mortes por COVID no BRASIL verificados até hoje é outra coisa, a ser analisada pelos parlamentares e pela sociedade.
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Mario Filho
Deixa dessa conversa rapaz, fiquei mal e a cloquina me salvou, graças a Deus! Dessa dessa politicagem, se você pegar essa triste doença (Deus o livre e proteja), saiba que tem solução. Abraços.
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Barboza Mendes
Paulo Martins Ih rapaz, o robô do Carluxo ficou doido... Sossega aí Paulinho, para de contar mentira. A gente sabe que a cloroquina não tem eficácia nenhuma sem usar em conjunto com o OZÔNIO ANAL
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Fabiano Coelho
Essa aí mandou mais de 365mil caixas de Cloroquina para INDÍGENAS, além de DISSEMINAR o seu uso em mais de 16 Estados da Federação. Agora se entende do porquê o Conselho Federal de Medicina ficar em CIMA DO MURO com relação a VEDAÇÃO do uso deste medicamento no tratamento a COVID. Simplesmente porque a BOA MEDICINA, assim como a própria PANDEMIA, ficaram POLITIZADAS pelo DESgoverno BOLSONARO. Para eles não importa quantos morrerão, se vai haver vacina para todos ou não, se a Economia vai para o Buraco ou não. O que lhes importa são a implementação de suas idéias MALUCAS que não encontram respa…Ver mais
Mario Filho
Que lorota Fabiano Coelho, pega leve na maionese amigo e evite mistura com cogumelos.
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Ed Sousa
Quem é Mayra Pinheiro? Uma Bozolina, negacionista, habitante da terra plana....explicado!
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Mario Filho
Que babaquice Ed Sousa, tenha vergonha na cara rapaz.
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Gustavo Briggs
A velha prática pra tentar censurar quem foi contra as gestões petistas!
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domingo, 17 de outubro de 2021

Médico preso acusado de abusar de mulheres já processou jovem que o denunciou no Facebook

 02/10/21 04:30


Ginecologista Nicodemos Júnior Estanislau Morais, de 41 anos, preso suspeito de violação sexual contra pacientes
Ginecologista Nicodemos Júnior Estanislau Morais, de 41 anos, preso suspeito de violação sexual contra pacientes Foto: Divulgação
André de Souza
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BRASÍLIA - Em junho de 2018, após uma consulta ginecológica, Yane Moreira da Silveira procurou uma delegacia no Distrito Federal para denunciar o médico Nicodemos Júnior Estanislau Morais por abuso. Ela também usou o Facebook para divulgar o caso, publicando o nome, fotos e o local de trabalho do médico. Com isso, da condição de vítima, ela também passou à de processada, uma vez que Nicodemos registrou queixa pelos crimes de calúnia, injúria e difamação. Nicodemos só foi preso esta semana em Anápolis (GO), cidade localizada entre Brasília e Goiânia, acusado de abusar outras mulheres.

Em Goiás: Polícia investiga dois hospitais que receberam denúncias de abuso sexual contra ginecologista preso, mas não tomaram providências

Yane, que hoje tem 21 anos e ganha a vida vendendo bijuterias, conta que foi fazer um exame transvaginal, quando o abuso ocorreu. A jovem relata que, entre outras coisas, Nicodemos passou a mão nela e disse coisas inapropriadas. Na justiça, o processo movido por ela contra o médico andou até 2021, quando saiu uma sentença inocentando-o por falta de provas.

— Não deu em nada. Ele saiu inocentado, não foi preso, continuou atuando na área dele — diz Yane, que também reclama que a absolvição se deu por ela ser o lado mais fraco da história: — Eu tinha defensor público. Ele tinha advogado particular. Ele era médico. Eu apenas a paciente. Por ser o lado mais fraco, não me deram tanta credibilidade assim.

Yane afirma ter apagado a publicação que fez no Facebook poucos dias depois:

Depoimento: 'Ele começou a falar do ponto G e a manipular minhas partes íntimas, mas não entendia porque só tinha 12 anos', diz vítima de ginecologista preso em Goiás

— Ao mesmo tempo em que tinha pessoas que estavam me dando apoio, tinha pessoas que estavam me ofendendo, dizendo que a culpa tinha sido minha, que eu tinha feito algo para que isso tivesse acontecido. Aí escutei falando que era para tirar porque ele poderia me processar. Acabei apagando, só que não resolveu nada, porque uma semana depois eu recebi uma ligação que ele tinha feito um boletim de ocorrência contra mim.

No processo por calúnia, difamação e injúria que o médico moveu contra Yane, ele pediu R$ 35 mil. A ação foi arquivada porque, no dia marcado para uma audiência de conciliação entre os dois, em novembro de 2019, Nicodemos não apareceu nem justificou a ausência. Yane lamenta ter retirado a postagem do ar:

— Se tivesse tido a coragem, não tivesse apagado, poderiam ter aparecido bem mais mulheres e evitado o que ele fez.

Sobre a sensação que teve ao saber da prisão de Nicodemos, afirma:

— Dá aquela sensação de alívio, mas ao mesmo tempo impotência, porque eu tentei reagir quando aconteceu, coloquei a cara dele na internet.

Veja também: Número de processos por importunação sexual explode desde a criação da lei em 2018

Yane conta que, após relatar o caso no Facebook, outras mulheres a procuraram para dizer que também tinham sofrido abuso.

— Elas disseram que também tinha acontecido com elas, que ele chegou a persegui-las. Quando eu tive que depor na delegacia, eu falei sobre isso com a delegada. Ela falou que tinha encontrado vítimas, mesmo de outros estados, mas elas não quiseram depor por se sentirem coagidas. Até então só eu tinha dado a cara a tapa para denunciar, mostrar o que tinha acontecido.

Yane pediu para não ter fotos suas publicadas nesta reportagem. O GLOBO não conseguiu localizar a advogada que defendeu o médico no processo contra a jovem.

Médico preso acusado de abusar de mulheres já processou jovem que o denunciou no Facebook

Médico preso acusado de abusar de mulheres já processou jovem que o denunciou no Facebook

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2 Comentários

  • claudiogol
    Notaram o detalhe? A vítima tinha “defensor público”. O médico tinha advogado particular. Sabem quanto ganha um defensor público? Uns R$ 40 mil POR MÊS! Podem procurar saber. São uma elite do funcionalismo público cujos supersalários são bancados pelos contribuintes. Na hora de defender inocentes, deixam a desejar. Mas quando é para defender V.Â.N.D.A.L.O.S de esquerda, que quebram vitrines e jogam pedras na PM durante “manifestações democráticas”, eles sempre aparecem junto com a OAB e o PSOL. 
    • Amanda Pereira dos Santos Santana
      gostaria de saber qual o advogado particular que consegue pegar 1000 casos de uma vez e conseguir atuar em todso.... pq é isso que acontece na defensoria. A quantidade de Defensor que tem para a demanda é extremamente alta ... estagiei por 2 anos lá e só quem já trabalhou sabe as dificuldades que é atender sem quantidade suficiente de funcionários 
  • MAXIMILIEN DE ROBESPIERRE
    Outro BOZOloide que incapacitado de uma conquista através do diáçogo, faz o uso covarde do local fechado e a sós, lembrando que o seu presidente apoia estas aberrações, este vagaba comete um crime insano e exclusivo dos vagabas BOZOloides. Desde que o BURRO FALANTE foi alçado a cadeira de presidente, crimes como este, aumentaram em excesso. FORA BURRO FALANTE. 

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Ginecologista preso por crimes sexuais em GO: entenda o caso

Médico é suspeito de assediar 54 mulheres. Denúncias incluem troca de cirurgia por sexo, toques no clítoris, falas e mensagens eróticas

atualizado 15/10/2021 8:39

TV Anhanguera

Goiânia – A Polícia Civil de Goiás deve concluir nesta sexta-feira (15/10) os dois inquéritos que apuram suspeitas de abusos sexuais praticados contra pacientes pelo ginecologista e obstetra Nicodemos Junior Estanislau de Morais, de 41 anos. O médico completa uma semana preso no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, região metropolitana da capital de Goiás.

Nicodemos tem dois inquéritos contra ele, que envolvem um total de 54 vítimas que o denunciaram. A primeira investigação é da Delegacia da Mulher de Anápolis e reúne a maior parte das pacientes. A delegada Isabella Joy informou que o prazo para conclusão do inquérito é nesta sexta.

Já o segundo inquérito é da delegacia de Abadiânia. Quatro mulheres disseram que foram abusadas pelo ginecologista durante procedimento médico em uma clínica da cidade, que fica a 90 quilômetros de Goiânia. A assessoria da Polícia Civil confirmou que essa investigação provavelmente será concluída também nesta sexta.






O que dizem as denúncias?

As três primeiras denúncias são de pacientes de Anápolis, que procuraram a delegacia entre junho de 2020 e setembro de 2021. Todos os relatos são de abusos que ocorreram durante consultas e exames.

Em uma dessas primeiras denúncias, a paciente diz que durante o abuso, o médico médico pegou a mão dela e levou até o pênis dele “para ela sentir que ele estava excitado”. Além disso, o profissional teria puxado o cabelo dela e passado a mão em seu corpo, dizendo que estava ensinando o que o marido da vítima deveria fazer.

Foram essas três denúncias que levaram à primeira prisão preventiva de Nicodemos, em 29/9. Logo depois que a prisão foi noticiada na imprensa, dezenas de outras mulheres procuraram a delegacia.

Veja uma das denúncias:

Revista pornô

Nessas novas denúncias, surgiram mais detalhes dos abusos. Em um dos casos, o médico teria mostrado uma revista com quadrinhos pornográficos para uma paciente de apenas 12 anos. Já em outro caso, ele teria oferecido uma cirurgia em troca de sexo.

Entre as novas denúncias, mais de uma paciente relatou que o médico tentava manipular o clitóris, órgão de prazer sexual feminino, durante o exame de toque. Isso teria ocorrido até no exame pré-natal em mulheres grávidas.






Segundo os depoimentos das vítimas, os abusos também ocorreriam com insinuações e mensagens de texto. Em uma mensagem por WhatsApp ele teria pedido para ver o bronzeamento de uma paciente. Em outra, ele teria perguntado se a paciente “dava o rabo”.

A última paciente procurou a delegacia no dia 8/10 e relatou que foi abusada pelo médico durante uma consulta em 2018. Durante o exame de toque, ela teria chorado, quando percebeu que o médico a estava tocando de forma não ginecológica.

Condenação por abuso de 2018

Nicodemos chegou a ser condenado em primeira instância por importunação sexual, após ter inserido o dedo duas vezes na vagina de uma paciente, durante uma consulta em uma clínica do Samambaia (DF), em 2018.

A vítima contou que ficou em pânico e procurou a delegacia assim que saiu do consultório. Ela chegou inclusive a ordenar que o médico se afastasse, quando ele tentou beijá-la e abraçá-la por trás. Em resposta, o ginecologista teria afirmado que “gostava de mulher”.

Veja o momento da nova prisão do médico:


O Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) interditou temporariamente o médico. Ele está impedido de exercer a profissão em todo o país. Ele também já foi interditado pelo conselho de medicina do Distrito Federal.

A defesa do médico entrou com um novo pedido de soltura na quarta-feira (13/10). A defesa tem dito que as denúncias feitas contra o profissional têm relação com o “simples exercício profissional”. “O médico em nenhum momento realizou qualquer tipo de procedimento médico com cunho sexual”, diz nota assinada pelo advogado Carlos Eduardo Gonçalves Martins.