segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

A falta de médicos nos hospitais públicos do interior do Brasil



 A quantidade de médicos no Brasil não para de crescer e mesmo assim faltam profissionais em muitas regiões do território nacional, principalmente no interior. Quer entender melhor esse problema dos hospitais públicos? Só conferir nossa matéria!

O atendimento médico no Brasil vive atualmente uma infame contradição: embora se formem cada vez mais profissionais por ano, a saúde pública ainda carece de atendentes -principalmente em hospitais públicos do interior. Embora iniciativas como o Mais Médicos melhorem a falta de médicos em municípios menores, mais da metade dos doutores ainda estão concentrados nas capitais brasileiras.

A FALTA DE MÉDICOS NO INTERIOR

Nacionalmente, a média é de 2,18 médicos para cada mil habitantes, o que cumpre a recomendação da Organização Mundial de Saúde (1 atendente por 1.000 habitantes). Contudo, essa razão difere muito entre capital e outros municípios de um mesmo Estado. Entenda melhor no gráfico de cada região:
Embora o número de médicos no país esteja crescendo, esses doutores e doutoras ainda não estão distribuídos pelo território de maneira adequada. Por mais que a razão nacional de médicos/mil habitantes esteja satisfatória, muitos brasileiros que moram fora das capitais ainda sofrem com a falta de profissionais. E, como sempre, regiões inteiras como Norte, Nordeste e Centro-Oeste permanecem na carência por atendentes.

ONDE ESTÃO OS MÉDICOS?

As pesquisas de distribuição médica no Brasil apontam que quanto mais distante dos centros urbanos, menos médicos existem disponíveis para a população. Esse é o caso tanto entre as regiões brasileiras, entre os Estados e, inclusive, entre capitais e municípios de uma mesma unidade federativa.

A DISPARIDADE ENTRE CAPITAIS E INTERIOR

Em geral, 55,1% dos médicos estão nas metrópoles, onde vive somente 23,8% de toda a população nacional. Ou seja, aproximadamente ¾ dos brasileiros espalhados pelo território tem menos da metade dos profissionais disponíveis.

A DISPARIDADE ENTRE REGIÕES E ESTADOS

Não é novidade que faltam médicos nas regiões mais distantes das metrópoles, porém, outro fator de forte influência é a distância da Megalópole do Sudeste brasileiro (Rio-São Paulo). Só nos seus quatro estados, o Sudeste concentra 244.304 médicos, praticamente 54,1% do total de profissionais do país. Confira os dados no gráfico:
Além da evidente desigualdade entre regiões, a diferença entre os Estados também representa um problema. Com os impasses no programa Mais Médicos, Estados como Ceará, Espírito Santo e Tocantins são obrigados a investir em iniciativas estaduais e municipais que substituam essas vagas ociosas.

 

O AUXÍLIO DO PROGRAMA MAIS MÉDICOS

Em 2013, o programa federal foi lançado para levar médicos às regiões carentes de profissionais da saúde. Com aproximadamente 18.240 vagas, tanto para brasileiros quanto estrangeiros, a iniciativa de melhorar a Atenção Básica pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ajudou cerca de 4 mil municípios e 34 distritos indígenas desde então.
Entretanto, em 2019, com a saída dos médicos cubanos muitos municípios voltaram a ficar sem profissionais da saúde. Confira nossa matéria sobre os últimos acontecimentos do programa Mais Médicos.

OPORTUNIDADES PARA OS MÉDICOS RECÉM-FORMADOS

Além do Mais Médicos, a comunidade médica pode ajudar caso sua vocação a encaminhe para esses lugares. Sejam de Ginecologia e Obstetrícia, Clínica Médica, ou qualquer outra especialidade, o interior precisa muito de especialistas. Melhor ainda se o médico já teve experiência durante um internato rural.
Se ainda não sabe qual especialidade seguir, confira nosso Guia do R1.

AGUARDE CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULO

Ainda há muitos rumores e possibilidades sobre o Mais Médicos, contudo, a saúde pública nessas regiões mais distantes continua negligenciada. Torcemos para que as autoridades tomem jeito para resolver essa situação.
O que pode ser feito para ajudar essas áreas? O que você acha dessa situação? Conte pra gente!


https://www.soulmedicina.com.br/noticia/111/a-falta-de-medicos-nos-hospitais-publicos-do-interior-do-brasil/

Falta de profissionais no Mais Médicos afeta 6 milhões de brasileiros...

O Brasil tem hoje 2.149 vagas do programa Mais Médicos não preenchidas - Karina Zambrana/ASCOM
O Brasil tem hoje 2.149 vagas do programa Mais Médicos não preenchidasImagem: Karina Zambrana/ASCOM
Hyury Potter22/07/2019 13h00
Oito meses após encerramento de parceria que garantia 8 mil médicos cubanos, programa federal ainda não conseguiu preencher 2.149 vagas, prejudicando o atendimento básico em 705 municípios.
O Brasil tem hoje 2.149 vagas do programa Mais Médicos não preenchidas, o que equivale a 12% do total. Das posições ociosas, 2.042 estão em regiões que não foram contempladas pelo único edital lançado neste ano, segundo dados obtidos pela DW Brasil via Lei de Acesso à Informação.
O único edital lançado em 2019, em maio, teve como objetivo preencher postos em municípios com maior vulnerabilidade social, que representam cerca de 72% das cidades registradas e 57% das vagas do Mais Médicos.
A cidade com maior número de vagas para médicos ociosas é Fortaleza, com 78 postos vagos. A capital cearense supera até mesmo São Paulo (70), a maior cidade do país. Enquadrada na categoria capitais e regiões metropolitanas, Fortaleza não recebeu médicos novos em 2019.
"Temos um programa de residência em atenção primária com 150 vagas, com custo anual de R$ 24 milhões. Isso seria reduzido pela metade se tivéssemos hoje os 78 profissionais que estão faltando no Mais Médicos", diz Joana Maciel, secretária da Saúde da capital cearense.
O número total de vagas do Mais Médicos é 18.337. Mais de 8 mil delas foram ocupadas por cubanos até novembro do ano passado, quando Cuba abandonou o programa em resposta a declarações do recém-eleito presidente, Jair Bolsonaro. A parceria entre os dois países foi iniciada em 2013, no governo de Dilma Rousseff.
Dois editais foram lançados pelo Ministério da Saúde ainda em 2018 para ocupar as vagas deixadas pelos cubanos. Mas de lá para cá muitos dos profissionais selecionados desistiram do programa, e essas vagas não foram preenchidas. O estado de São Paulo é o que soma mais vagas ociosas: 488.
Prejuízo para municípios
Os profissionais que participam do Mais Médicos recebem uma bolsa-formação de R$ 11,8 mil do governo federal, e os municípios fornecem moradia e transporte. Sem os médicos do programa, as prefeituras precisam contratar diretamente o médico e arcar com custos como férias e 13º salário.
De acordo com um cálculo da Federação Catarinense de Municípios (Fecam), uma prefeitura gasta em média R$ 256 mil por ano para contratar um médico diretamente. Essa é a opção de muitos municípios de Santa Catarina, que soma 145 vagas abertas, o equivalente a 25% das 569 do programa no estado. O percentual é superior apenas no Distrito Federal, onde 38% das vagas do programa estão ociosas.
Cerca de 4 mil municípios estão cadastrados no Mais Médicos. Eles são divididos em oito perfis, de acordo com dados socioeconômicos do IBGE. O edital lançado em 2019 pelo Ministério da Saúde previa a chamada de médicos apenas para os perfis de 4 a 8, de municípios considerados mais vulneráveis. Isso ajuda a explicar por que Santa Catarina foi o estado mais afetado em termos percentuais: são 177 cidades entre os perfis de 1 e 3, e apenas 38 nos perfis de 4 a 8.
Glademir Aroldi, presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), afirma que os gastos com a contratação direta de médicos chegam num momento em que muitas administrações municipais já operam no vermelho.
"Por lei, a prefeitura não pode gastar mais de 54% do orçamento com pessoal, e essa despesa com médicos entra nessa classificação. Hoje, pelo menos 30% dos municípios do país já estão no limite de gastos com pessoal, então, qualquer despesa extra vai fazer com que eles não consigam fechar as contas dentro da legislação", diz.
Em maio deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) em Santa Catarina entrou com uma ação civil pública para que a União garanta o preenchimento das vagas do Mais Médicos ou recursos para as cidades afetadas em todo o país. Fábio de Oliveira, da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em Santa Catarina, usa o cálculo da Fecam para alertar para o prejuízo que pequenos municípios podem ter.
"Temos casos como de Içara, um pequeno município catarinense que tem que tirar do orçamento mais de R$ 1 milhão por ano para contratar substitutos dos médicos que não chegam pelo programa federal. Isso é apenas um exemplo do que ocorre em todos os municípios que estão sem médicos. Por isso, pedimos na liminar o cumprimento imediato do programa", diz o procurador.
Içara fica a 190 quilômetros da capital catarinense, Florianópolis, e tem direito a 15 vagas do Mais Médicos, sendo que nove foram ocupadas por cubanos até novembro. Nove brasileiros foram selecionados para substituí-los através dos editais abertos em 2018, mas sete deles já desistiram do programa. Classificada como região metropolitana, a cidade não foi contemplada no edital de maio deste ano.
O MPF critica o fato de o edital deste ano contemplar apenas parte dos municípios cadastrados. "Isso é errado e não está na lei de 2013 que criou o Mais Médicos. Se o governo quer criar regras novas para o programa, tem que aprovar uma nova lei", critica Oliveira.
Ministério da Saúde elabora novo programa
Sem entrar em detalhes sobre as mudanças pretendidas, o Ministério da Saúde afirma que está elaborando um novo programa para substituir o Mais Médicos, criado em 2013.
Em nota enviada à DW, a pasta disse que trabalha na "elaboração de um novo programa para ampliar a assistência na Atenção Primária". Além disso, o órgão afirmou que estuda a possibilidade de que os cerca de 2 mil médicos cubanos que permaneceram no Brasil após o fim de seus contratos com o programa obtenham permissão para trabalhar como médicos no país.
O ministério reforçou que o edital de maio continua repondo vagas "em cidades mais vulneráveis, em geral pequenas, além dos distritos sanitários indígenas". Questionada sobre a previsão de lançamento de um edital para as cidades que não foram contempladas no de maio, a pasta citou apenas o prolongamento do repasse de verbas.
"O Ministério da Saúde publicou uma portaria no início de abril estendendo para seis meses o prazo de pagamento da verba de custeio repassada às unidades de saúde da família que perderam profissionais do Mais Médicos. A regra anterior cortava o repasse para o posto se ele ficasse sem médico por mais que dois meses. Os gestores dessas localidades que perderam profissionais do Mais Médicos podem utilizar esses recursos também para contratar os próprios médicos", diz o texto.
Em relação à ação civil pública que tramita em Santa Catarina, a nota informa que "cabe apenas ao Ministério da Saúde a definição do quantitativo de vagas a serem abertas no âmbito do Programa Mais Médicos, bem como os municípios em que essas vagas serão alocadas".

2 Comentários

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Malangatana
Esse senhor da Deutsche Welle não deveria dar esse cunho sensacionalista ao tema. A decisão do Governo cubano de encerrar o acordo que cedia seus profissionais ao programa, retendo 75% dos seus salários nominais, em outubro do ano passado, está sendo objeto de medidas de substituição sérias e sustentáveis. Não se improvisam da noite para o dia médicos capacitados a atuar voluntariamente em bolsões de pobreza.
Robert Mello Mello
Medicos Cubanos o Brasil precisa, arte é universal, lidar com medicina também faz parte, é universal. Eu pedalando Bike trilha, após cair de um penhasco dentro de cachoeiras, passei 5 dias sangrando pelos ouvidos e nariz, nos hospitais por onde andei, tive mal atendimento, fui salvo pelo Dr. Leandro, mesmo de folga do plantão hora do almoço, ele fez questão de reabrir o PS fez a consulta avaliou e medicou, ainda se propôs ficar 72 horas ao meu dispor. Quem quiser falar que fale, desses Cubanos, só tenho gratidão. Eles trabalham por amor.