segunda-feira, 2 de novembro de 2015

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Criança morre em Embu (SP) após ir três vezes a PS e ter apendicite negligenciada; MP investiga

Guilherme Balza
Do UOL, em São Paulo 
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Horas depois do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, inaugurar uma UBS (Unidade Básica de Saúde) em Embu das Artes (Grande São Paulo), no último 10 de março, a desempregada Daiana de Lima Rodrigues, 33, moradora do município, recebia a notícia mais triste de sua vida: seu filho Gabriel Vitor de Lima Silva, 7, morria vítima de uma apendicite não diagnosticada pelos médicos do Pronto Socorro Central do município, por onde o garoto passou por três vezes antes de morrer.
O garoto começou a sentir-se mal na madrugada do último dia 5, com fortes dores na região do abdome e vômitos em excesso. Por volta das 6h, a mãe resolveu levar a criança ao PS Central. De acordo com ela, o médico aplicou butilbrometo de escopolamina (remédio usado para aliviar cólicas) na veia do paciente, orientou o garoto a beber bastante água e o liberou.
O relatório médico fornecido pela unidade não cita a aplicação do medicamento e diz que exames clínicos, físicos e complementares diagnosticaram dispepsia (dificuldade de digestão) e abdome agudo (dor no abdome).
No decorrer do dia, como Gabriel voltou a sentir dores e vomitar, além de apresentar febre alta e diarreia, a mãe decidiu levá-lo mais uma vez ao PS, por volta de 16h30. De acordo com o relatório médico, foram solicitados exames complementares --sangue e raio-X--, a criança foi medicada e ficou em observação. A mãe, por sua vez, afirmou desconhecer que seu filho tenha sido medicado e disse que nenhum médico avaliou seu filho até o dia seguinte.
  • UOL
    A mãe de Gabriel, Daiana de Lima Rodrigues, 33, com seus outros três filhos
Os resultados dos exames só ficaram prontos às 11h da terça-feira (6) e diagnosticaram infecção no trato urinário, além de dispepsia e abdome agudo. "O médico disse que não era grave, que ele só estava com uma infecção urinária", diz Daiana.
Por volta das 13h, Gabriel recebeu alta e voltou para casa. Pouco tempo depois, o garoto, em jejum desde a manhã do dia anterior, voltou a sentir dores abdominais e a vomitar quando tentou tomar uma sopa.
A mãe levou novamente o garoto ao PS por volta das 17h. Segundo ela, Gabriel foi atendido pelo mesmo médico, que se assustou quando viu seu quadro de saúde. "Ele disse: 'como liberaram esse menino; o caso dele é muito grave'. Eu respondi que ele mesmo tinha atendido meu filho", relembra Daiana.
Em seguida, o garoto foi transferido para o Hospital Geral de Pirajussara (estadual), que fica em Taboão da Serra, vizinho a Embu, onde passou por cirurgia. Segundo o hospital, o garoto deu entrada em "estado muito grave", "foi submetido a uma cirurgia de emergência e encaminhado à UTI (Unidade de Terapia Intensiva)". Gabriel não resistiu e morreu cinco dias depois, após sofrer um choque séptico.

PACIENTE COM APENDICITE GRAVE É LIBERADO DUAS VEZES NO MESMO PS

  • Acima, atestado médico emitido liberando o garoto Gabriel Vitor de Lima Silva, 7, no dia 5 de março; um dia depois, o garoto foi diagnosticado com apendicite em estado gravíssimo
  • Segundo atestado médico liberando Gabriel, agora no dia 6 de março; horas depois, no mesmo hospital, a criança foi diagnosticada com apendicite em estado gravíssimo
"Quando ele chegou ao hospital para cirurgia, o apêndice já tinha estourado. Ele estava cheio de pus pelo corpo", afirmou a mãe, versão confirmada pelo hospital. Uma das complicações mais comuns em casos de apendicite é a perfuração do apêndice, que provoca o vazamento de fezes e pus para o resto do corpo, provocando infecção generalizada.
"Meu filho era muito saudável, nunca ficava doente. Foi de uma hora para outra. Os irmãos dele ficaram arrasados", afirma Daiana, que tem mais três filhos de cinco, dez e 13 anos. A mãe de Gabriel trabalhava de gari para a Prefeitura de Embu, mas foi demitida recentemente. O pai do garoto está preso há dez anos. "Ele ficou muito triste, perturbado."
A secretária de Saúde do município, Sandra Magali, disse que o apendicite é difícil de diagnosticar em crianças e que o tratamento aplicado ao garoto foi correto. "No caso do Gabriel, a apendicite não era exuberante. Ele foi medicado, o quadro clínico melhorou e, quando deixou o PS, estava em bom estado geral."

Morte de professora

No dia anterior à morte de Gabriel, também no Pronto Socorro Central, a professora Andrea Maria dos Santos, 46, morreu vítima de aneurisma da aorta abdominal. Ela foi levada ao PS pelo marido Nelson Teodoro Gomes e pelo irmão Petterson Assis da Silva, por volta das 19h, se queixando de dores pelo corpo, tontura e fraqueza.
Segundo Petterson, não houve prioridade no atendimento de sua irmã. Já o relatório médico afirma que ela foi medicada às 19h20 e colocada em observação. Em seguida, a professora foi submetida a uma radiografia e levada à UTI. Às 20h, incomodados com a demora no atendimento, os familiares de Andrea solicitaram transferência para o Hospital do Servidor Público Estadual, em São Paulo.
Em seguida, de acordo com Petterson, a médica responsável disse aos familiares que o caso era grave e que a paciente precisava ser transferida para o Hospital Geral de Pirajussara, já que os exames não diagnosticaram o que Andrea tinha e lá havia equipamento de ultrassonografia, necessário para descobrir que o paciente sofria --no PS, não havia o equipamento.
Às 22h40, a transferência para o hospital de Pirajussara foi negada por falta de leitos disponíveis, segundo a Secretaria de Saúde do Estado. Preocupados, os parentes da paciente colocaram-na em um carro particular para levá-la ao hospital do Servidor, na capital. Petterson afirma que, logo no início do trajeto, sua irmã começou a se sentir muito mal, fazendo com que eles retornassem ao PS.
  • A professora Andrea Maria dos Santos, 46, que também morreu após passar pelo PS Central de Embu das Artes (SP)
Segundo o relatório médico, a paciente voltou à 0h em estado gravíssimo, em choque. Os médicos, então, por volta de 0h40, colocaram-na em uma ambulância para encaminhá-la a um hospital, mas o procedimento teve que ser interrompido porque Andrea sofreu uma parada cardiorrespiratória. À 1h30, a paciente morreu, após fracassarem todas as tentativas de ressuscitação.
De acordo com Petterson, os profissionais tentaram improvisar uma UTI dentro da ambulância, que não tinha equipamentos de urgência. A direção do hospital, por sua vez, afirma que a ambulância era de UTI e contava com todos os equipamentos responsáveis necessários. A médica responsável por Andrea foi afastada do PS por ter abandonado o atendimento logo após a paciente ser retirada da ambulância. A secretária de Saúde afirmou que a medida também foi para garantir a segurança da médica, já que parentes da professora ameaçaram agredi-la.
A Secretaria de Saúde do Estado afirmou que, em vez de pedir vaga ao hospital Pirajussara --que estava lotado-- os médicos deveriam ter acionado um serviço chamado Cross, que localiza qual hospital mais próximo tem vagas livres. O médico Ricardo Sanches, diretor do pronto-socorro de Embu, disse à reportagem do UOL que o caso de Andrea era gravíssimo. "A artéria aorta é a maior do corpo. Um caso de aneurisma é praticamente irreversível. Não havia mais o que fazer."
  • Fachada do PS Central de Embu das Artes (SP), que está sendo investigado pelo Ministério Público
De acordo com a secretaria, o Pronto Socorro Central atende 16 mil pacientes por mês e registra, em média, 15 óbitos mensalmente, taxa de 0,09%, "índice bem aquém do registrado no Estado em serviços de urgência e emergência", diz Sandra Magali.

Inquérito no MP

Em 2010, o Ministério Público (MP) abriu inquérito para investigar mortes com suspeita de negligência no PS de Embu. No dia 25 de dezembro de 2010, o guarda municipal Aloísio Santos da Silva, 36, morreu após complicações em uma apendicite, em circunstâncias semelhantes às do menino Gabriel.
"Os médicos disseram que era gases e o orientaram a voltar para casa. No dia seguinte, sentindo dores, ele voltou ao PS. Ficou em observação por dois dias. Quando a situação se agravou, foi transferido para o Hospital de Pirajussara para passar por uma cirurgia, mas já era tarde. Não deu tempo nem de ser operado. Morreu em pleno Natal", afirma o irmão do paciente, Antônio da Silva.
Após os casos de Andrea e Gabriel, a promotoria do município retomou as investigações e pediu que os conselhos regionais de Medicina, Enfermagem, a Vigilância Sanitária e a Polícia Civil façam visitas ao hospital e apurem o ocorrido. O MP está analisando o prontuário dos dois pacientes para decidir que ação tomar. O comitê de ética do PS também analisará as duas mortes.
Na investigação, a promotoria identificou indícios de altas indiscriminadas, que seriam motivadas pela necessidade de liberar vagas diante da demanda elevada. No primeiro semestre de 2011, a prefeitura contratou uma empresa terceirizada --a Medical Service Assessoria e Assistência Médica-- para auxiliar na gestão das unidades de saúde do município e reduzir o tempo de espera do atendimento.
Com mais de 240 mil habitantes, Embu não tem hospital, nem um único leito hospitalar adequado para internações. Os únicos leitos disponíveis --27-- estão no próprio PS Central, que não é destinado a internações. Os casos mais graves são encaminhados ao Hospital de Pirajussara, que fica em Taboão da Serra e atende uma área de quase um milhão de habitantes.
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    luthinho

     
    3 anos atrás
    além da falta de atenção e descaso de muitos profissionais de saúde. Há tb a má remuneração que esses profissionais recebem tendo que ter vários vinculos chegando a trabalhar horas e horas pra ganhar pelo menos o suficiente para ter uma vida digna e o governo não está nem aí!!!! para esses profissionais.
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    GBSJRP

     
    3 anos atrás
    Pessoal.... Vcs sabem qtas pessoas passam por dia em um PS por médico? Entao,,, a resposta é em torno de 120 pessoas por médico por dia, sem exames, sem estrutura e nos querendo sermos atendidos muito rapido... Isso que é errado.. a falta de profissionais e estrutura.... Nao vamos deixar a ignorancia tomar conta da gente....as reportagens sao manipuladas e nos passam apenas o que é conveniente.... não sao os medicos, enfermeiros,,, etc..... é o sistema que está armado... desvio de dinheiro da saúde..... reportagens bem feitas para causar IMPACTO e a gente culpar alguem... no caso os medicos... sendo que o verdadeiro problema é mais acima.... Alguem ja viu alguma profissao ser valorizada numa reportagem sem ser a de JORNALISMO?? Entao.... muito estranho né..... todas as profissoes são ruins né...apenas esta é boa... Resumindo.... sistema armado e noticias manipuladas....
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Meninas de 4 e 5 anos morrem de meningite após diagnóstico de virose em SC

Marcella Franco, do R7
25/9/2015 às 00h20 (Atualizado em 25/9/2015 às 09h42)
Rafaella e Miriã tiveram diagnósticos erradosMontagem/R7/Arquivo Pessoal
Em julho de 2008, os pais de alunos de uma pequena creche em Santa Catarina ficaram surpresos com a notícia de que, naquele dia, em uma casa ali ao lado, um rapaz havia morrido de meningite.

Mãe da pequena Rafaella, de quatro anos de idade, Sandra Viana, na época com 25 anos, se preocupou por alguns dias, mas seguiu a vida normalmente até que, duas semanas depois, sua filha começou a ter febre alta à tarde e vômitos à noite.

No pronto-socorro, o diagnóstico foi de virose, e o médico mandou a família para casa. No entanto, poucas horas depois, Rafaella foi levada de volta ao hospital, onde precisou ser internada e passou a noite em observação. Ao tirar as meias da menina na manhã seguinte, a mãe notou manchas vermelhas nos pés da filha, e chamou a enfermagem.

— Eles a levaram para à UTI, e lá ela teve quatro paradas cardiorrespiratórias. No fim da tarde, ela entrou em parada novamente, tentaram reanimá-la sem sucesso. No laudo da autópsia, veio edema e congestão pulmonar, sendo que ela não teve nada. Na época, foi noticiado nos jornais daqui como meningite, mas o hospital nunca confirmou.

Rafaella estava com a carteira de vacinação em dia, e havia sido imunizada corretamente em postos públicos. Sandra explica que sempre cuidou deste assunto com atenção, já que é formada em enfermagem.
Dois anos depois da perda de Rafaella, Sandra engravidou novamente, e, hoje, Júlia tem cinco anos de idade. Traumatizada com a morte da filha mais velha, a mãe correu para vacinar a caçula contra meningite B assim que a imunização foi disponibilizada nas clínicas particulares.
— Pagamos R$ 500 em cada uma das duas doses.

Com uma história similar, Viviane Santos, de Palhoça, também em Santa Catarina, perdeu sua filha Miriã, de cinco anos, para a meningite.

O caso aconteceu há dois anos, quando a menina começou a ter febre e dor de cabeça. Os pais levaram-na ao pronto-socorro, e, também com diagnóstico de virose, foram mandados de volta para casa, com uma receita de antitérmico.
Em uma segunda visita ao hospital, mais uma vez Miriã teve alta. No terceiro dia, ela amanheceu com uma mancha roxa no rosto, náuseas e febre alta. Novamente a família foi enviada para casa, com o diagnóstico errado. Foi apenas na quarta tentativa que, finalmente, os médicos perceberam a gravidade do quadro — no entanto, já era tarde demais.

— Quando cheguei ao hospital ela já estava sem respirar, estava com aquele aparelho. Aí a gente pediu para ir para o hospital infantil, e fomos de ambulância do convênio. Mas ela já estava com sangue nos olhos, foi muito triste. Quando chegamos lá, os médicos já sabiam.

Miriã passou apenas 15 minutos na UTI antes de morrer. Segundo a mãe, a equipe médica que a atendeu neste segundo hospital avaliou que houve erro médico nos primeiros atendimentos no outro pronto-socorro. Os pais da menina agora processam o primeiro profissional, que os mandou de volta para casa, o que agravou o quadro da criança.

— Passamos uma semana levando-a aos médicos, mas todos falavam que era virose. A médica se surpreendeu com como o outro médico não havia visto que era meningite. Aqui no Sul tem surto de meningite. Ela foi a quarta criança que morreu. Na UTI no hospital infantil tinha mais uma criança também com meningite, mas, como o médico que o atendeu descobriu a doença, ele sobreviveu.

Desde a morte da filha, Viviane, agora com 29 anos, não teve mais filhos e desenvolveu depressão, precisando abandonar o trabalho.

— Meu marido é quem cuida de mim. Fizemos de tudo por ela, mas, quando Deus quer, não adianta nada.

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Menina morre de meningite após demora para diagnóstico em Guarujá

02 / 06 / 2015 | 21h12
GABRIEL OLIVEIRA

Ela passou três vezes pelo PAM da Rodoviária, mas só foi diagnosticada quando seu estado de saúde era crítico; em Santos, houve outro caso, mas menino não morreu

Maria Eduarda morreu de meningite após negligência
Uma menina de 1 ano e 3 meses morreu após contrair meningite meningocócica em Guarujá. Com febre alta e vômito, Maria Eduarda Nascimento de Souza passou três vezes pelo Pronto Atendimento Médico (PAM) da Rodoviária antes de ser transferida em estado gravíssimo para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica do Hospital Santo Amaro, onde faleceu às 2h31 dessa segunda-feira (1º). É a terceira morte pela doença na Baixada Santista em 2015.
O pai da criança, Clecio Brito de Souza, conta que os sintomas começaram na sexta-feira (29), quando Maria Eduarda acordou com febre e vômito. Na primeira ida à unidade de saúde, a médica pediu exames de sangue e urina e receitou dipirona.
Liberada, a menina voltou para casa e, no sábado (30), teve que retornar ao PAM. De acordo com a médica, o exame de sangue não apontou nenhum problema, mas, diante do estado de saúde da filha, Clecio ainda pediu que Maria Eduarda ficasse em observação. "Perguntei se não seria o caso de dar soro para hidratá-la e deixá-la em observação. Ela respondeu que soro não era para matar fome", afirma o pai, reclamando do descaso no atendimento. "Deram uma injeção para cortar o vômito e a febre".
No domingo (31), quando acordaram, os pais perceberam que a garota estava com o lábio roxo, a língua esbranquiçada e a bochecha com hematomas. Levada novamente ao PAM, Maria Eduarda teve convulsões. "Eu me desesperei porque minha filha começou a ficar roxa", relata Clecio. Por conta de seu estado crítico, a criança teve que ser transferida em ambulância para o Hospital Santo Amaro, onde deu entrada diretamente na UTI. Foi só lá que a equipe médica retirou líquido da espinha dorsal dela, confirmando o caso de meningite meningocócica, provocada por bactérias, a forma mais grave da doença.
"Ela chegou no Santo Amaro praticamente morta", conta o pai. "Fomos três vezes no PAM da Rodoviária. Na primeira, mandaram embora, na segunda, deram injeção e, na terceira, a menina morreu. Alguém tem que ser responsável pela vida da minha filha. É preciso tomar providências", desespera-se, entre lágrimas. 
Menina esteve três vezes no PAM da Rodoviária
Em nota, a Secretaria de Saúde de Guarujá lamentou a "perda irreparável da menina Maria Eduarda e está à disposição dos familiares por meio dos funcionários da Usafa Jardim Brasil". Segundo a Prefeitura, a criança apresentou "sintomas gerais sem gravidade, foi medicada e liberada" no primeiro atendimento.
A Secretaria ainda informou ter realizado "o bloqueio químico no bairro que a menina morava", o Morrinhos 4, e que "aguarda alguns exames para identificar o agente causador da infecção".
Neste ano, outras duas mortes por meningite foram registradas na região. Em 26 de abril, Rafaella Oliveira Gomes, de 6 anos, morreu no Hospital Municipal de Cubatão. Em 10 de maio, outro morador de Cubatão, o aposentado Aloísio Pereira do Nascimento, de 66 anos, faleceu no Hospital Ana Costa, em Santos.
Outro caso
Em Santos, as providências tomadas pelo Poder Público em relação à contenção da doença, na semana passada, provocaram indignação de pais de alunos da Escola Cidade de Santos, onde um estudante, do 9º ano, também contraiu meningite.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o adolescente, de 15 anos, apresentou os primeiros sintomas em 23 de maio, sendo internado dois dias depois na Casa de Saúde de Santos. Ele não corre risco de morte e deve ter alta nesta quarta ou quinta-feira.
O exame de líquor deu como resultado meninginte compatível com o tipo viral, mas, como um dos sintomas - a presença de manchas vermelhas na pele - é mais comum em doenças do tipo meningocócica, os alunos da sala onde o garoto estuda e os professores receberam medicação preventiva na sexta-feira, quando ocorreu uma reunião de representantes da Secretaria de Saúde com os pais.
"Falaram que, a princípio, era meningite viral, mas que tinha virado bacteriana", conta a dona de casa Fabia de Souza Chagas Nunes dos Santos, de 39 anos, mãe de um estudante da mesma classe do jovem com a doença. "Eles deram uma uma cartela com oito comprimidos. Era para tomar dois de manhã e dois à noite na sexta-feira e no sábado a mesma coisa. Eu fiquei preocupada".
Mais preocupados ainda ficaram os pais dos estudantes de outras salas, que não receberam a medicação. "Eu achei errado, porque, como a criança anda na escola inteira e outras crianças entraram na sala, todos deveriam ser imunizados", reclama a vendedora Priscila Tavares, de 36 anos, mãe de um estudante do 7º ano, ressaltando que os responsáveis não haviam sido comunicados e só souberam do caso na segunda-feira.
A Seção de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Santos aguarda o resultado de cultura do sangue do paciente para comprovar a presença de bactéria na corrente sanguínea.