sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Médicos são condenados por retirar órgãos de pacientes vivos em SP

20/10/2011 21h27 - Atualizado em 20/10/2011 23h25


Trio foi condenado a mais de 17 anos de prisão em julgamento em Taubaté.
Caso ocorreu há 24 anos; eles irão recorrer da decisão em liberdade.

Marcelo Mora  

Do G1 SP, em Taubaté


Os três médicos acusados de matar quatropacientes em um hospital de Taubaté, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, em 1986, foram condenados a 17 anos e 6 meses de prisão na noite desta quinta-feira (20). O juiz Marco Montemor, porém, permitiu que eles recorram da sentença em liberdade.
O destino do trio foi decidido por um júri composto por quatro mulheres e três homens após quatro dias de julgamento, realizado do Fórum Central da cidade. Os médicos foram responsabilizados pelos quatro homicídios.
Um dos réus, o urologista Rui Noronha Sacramento, 60 anos, passou mal duas vezes durante a leitura da sentença e teve de ser amparado por parentes para sair do fórum.
Segundo a Promotoria, além de Sacramento, o nefrologista Pedro Henrique Masjuan Torrecillas e o neurocirurgião Mariano Fiore Júnior, de 62 anos, retiraram rins irregularmente das vítimas como parte de um suposto esquema de tráfico de órgãos humanos.
“Muito tempo já passou, mas a justiça foi feita. O próprio povo de Taubaté que fez o julgamento e está de parabéns por não ter esquecido, não ter deixado o tempo apagar esse fato tão sério, tão grave, que marcou a história da cidade”, o promotor do caso, Márcio Augusto Friggi de Carvalho. Ele acrescentou que não irá recorrer.
Questionado pelo fato de os condenados responderem em liberdade, o promotor disse não se opor à decisão judicial. "O juiz entendeu que há os pressupostos para isso e a decisão é correta. Não vejo nenhum absurdo nisso."
Antes de começar a leitura da sentença, o juiz Montemor afirmou: “Na primeira leitura que fiz desse processo, há algum tempo, minha primeira impressão uma única palavra pode descrevê-la: tragédia. Não cito nomes. Todos, indistintamente, abraçados pela mesma tragédia.”
Os defensores dos condenados disseram que irão recorrer da decisão. "A pena é pesada demais, sem sombra de dúvida. O recurso vai atacar a decisão e a pena", afirmou o advogado Sérgio Badaró, que defende Fiore.
Romeu Goffi, que representa Sacramento e Torrecillas, disse acreditar que o júri será anulado. "Amanhã mesmo vamos fazer um termo de apelação e vamos apresentar as razões no prazo legal. A possibilidade de ser anulado esse júri é de 99,99%.”
Segundo a acusação, os médicos falsificaram prontuários de pacientes vivos, informando que estavam com morte encefálica (sem atividade cerebral e sem respiração natural) para convencer suas famílias a autorizar a retirada dos órgãos para doação, de acordo com a denúncia.
Os réus responderam no exercício legal de suas profissões pelo crime de homicídio doloso (com intenção de matar) dos pacientes José Miguel da Silva, Alex de Lima, Irani Gobbo e José Faria Carneiro.
Segundo a denúncia do Ministério Público, os quatro estavam vivos quando entraram no extinto Hospital Santa Isabel de Clínicas (Hosic), onde atualmente está localizado o Hospital Regional de Taubaté, e morreram após a retirada de seus rins há mais de 24 anos. Segundo o promotor do caso, as vítimas morreram por outras complicações em razão da ausência desses órgãos.
Julgamento
O júri começou na manhã de segunda-feira (17), com o depoimento das testemunhas arroladas pela acusação: o médico Roosevelt de Sá Kalume (que revelou o caso), a médica Gilzélia Batista (responsável por guardar os prontuários médicos), a enfermeira Rita Maria Pereira (que afirmou ter visto um médico retirar os órgãos de um paciente vivo), o médico César Vilela, Ivã Gobbo (irmão de um dos pacientes mortos), Regina Teixeira (telefonista que trabalhava no setor de prontuários), Lenita Bueno (médica anestesista). Também foi ouvida na segunda a testemunha de defesa PauloArantes de Moura.
Na terça (18), foram ouvidas seis testemunhas solicitadas pela defesa, outras três foram dispensadas. Nesse mesmo dia, também aconteceu uma acareação entre a enfermeira Rita Pereira e uma anestesista que negou ter ocorrido retirada de órgãos de paciente vivo. Em seu interrogatório, que durou quase três horas, o réu Rui Sacramento voltou a negar que foram retirados rins de pacientes vivos. O médico afirmou que Kalume revelou o suposto esquema por “disputa de poder”.
Na quarta (19), foram ouvidos os outros réus: o nefrologista Pedro Henrique Masjuan Torrecillas e o neurocirurgião Mariano Fiore Júnior, de 62 anos.
Nesta quinta, houve o fim dos debates entre defesa e Promotoria e a reunião do júri.
Caso Kalume
Kalume, que chegou a ser internado no início da noite de segunda no Hospital Regional de Taubaté com taquicardia após prestar seu depoimento, foi o responsável por revelar o caso em 1987. Então diretor da Faculdade de Medicina de Taubaté (Unitau), o médico procurou o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) para informar que um programa ilegal de retirada de rins de cadáveres para doação e transplantes acontecia sem o seu conhecimento e aval.
Na época, o assunto ficou conhecido nacionalmente e a imprensa o tratou como caso Kalume, em referência ao sobrenome do denunciante. O escândalo culminou com a abertura de inquérito policial em 1987 e até virou alvo em 2003 da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apurava a atuação de organizações criminosas atuantes no tráfico de órgãos no Brasil.
Os médicos foram absolvidos das acusações de tráfico de órgãos e eutanásia nos procedimentos administrativos e éticos do Cremesp, em 1988, e do Conselho Federal de Medicina (CFM), em 1993. Além disso, o caso em Taubaté ajudou na discussão a respeito da elaboração da atual lei que trata sobre a regulamentação dos transplantes de órgãos no país até hoje. Segundo o CFM, a lei é a 9.434, de 1997.
Em 1993, Kalume chegou a publicar um livro sobre o caso. Para narrar os fatos, ele usou nomes diferentes dos personagens da vida real. “Transplante”, no entanto, deixou de ser publicado. Apesar disso, a obra também faz parte do processo contra os médicos.
Já em 1996, após quase dez anos de investigação, a Polícia Civil de Taubaté concluiu o inquérito que responsabilizou quatro médicos pelas mortes de quatro pacientes. Um dos acusados morreu em maio deste ano.
Defesa
Antes de o início do julgamento, os réus disseram ao G1 pessoalmente ou por meio de seus advogados serem inocentes. “Ficou comprovado que [os pacientes] estavam em morte encefálica. Estavam mortos. Se os indivíduos estavam mortos, não tem como eu ser acusado de uma coisa, se eles estavam mortos. O que eu fiz...a minha participação foi no diagnóstico da morte encefálica”, disse o neurocirurgião Mariano Fiore Júnior.
O urologista Noronha Sacramento também rebateu as acusações. “Nunca agi contra a vida em nenhum momento da minha carreira. Na equipe que há vinte e tantos anos, na cidade de Taubaté, realizou retiradas de rim, nefrectomias de cadáver para transplante renal, e que realizou transplante renal na cidade de Taubaté e em outras cidades lá, eu era o cirurgião responsável pela retirada do órgão e pela colocação nos outros pacientes que precisavam do transplante. Nunca foi feita retirada de órgão de paciente que tivesse o menor sinal de vida.”
O advogado Romeu Correa Goffi, que defende, além de Sacramento, o nefrologista Torrecillas, também afirmou que seus clientes são inocentes das acusações. “Esses rapazes [médicos] estão sendo injustiçados, profundamente injustiçados. Quando foram feitas as retiradas dos rins, não estavam somente eles, equipe de transplante, presentes na sala. Havia estudantes de medicina, anestesistas, havia um grande corpo clínico, pessoas que se interessavam em conhecer o procedimento. Então, como num contexto desse pode ter havido algo tão grotesco?”, questionou o defensor.
Acusação
A acusação da Promotoria contra os médicos se baseou somente no homicídio doloso. Segundo Friggi de Carvalho, laudos do Instituto Médico-Legal (IML), da Polícia Técnico Científica e do Cremesp concluíram que os pacientes não estavam mortos antes da retirada dos rins.
Durante o processo, testemunhas relataram que até uma espécie de médium foi apresentado pelos médicos aos parentes para dizer que havia entrado em contato com o suposto morto no plano espiritual e ele havia pedido para os familiares autorizarem a doação.
Os réus disseram que os órgãos iam para o programa de transplantes de um convênio entre a Unitau e o Hospital das Clínicas (HC), da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista. Mas segundo o promotor Friggi de Carvalho, esse acordo jamais existiu. “Não há nenhum registro disso em lugar algum”, disse.

Juiz condena médicos que retiraram órgãos de garoto ainda vivo para vender


Carlos Eduardo Cherem
Do UOL, em Belo Horizonte


  • O menino Paulo Pavesi, cujos órgãos foram retirados quando ainda estava vivo, na Santa Casa de Poços de Caldas (MG)
    O menino Paulo Pavesi, cujos órgãos foram retirados quando ainda estava vivo, na Santa Casa de Poços de Caldas (MG)
Mais três médicos envolvidos na comercialização de órgãos e tecidos humanos na cidade de Poços de Caldas (460 km de Belo Horizonte, MG) foram condenados pela Justiça.
Os médicos Celso Roberto Fransson Scafi, Cláudio Rogério Carneiro Fernandes e Sérgio Poli Gaspar foram considerados responsáveis pela morte do menino Paulo Veronesi Pavesi, 10.
Em abril de 2000, o garoto foi atendido pelos médicos na Santa Casa de Poços de Caldas após ter caído do prédio onde morava. Ele passou por procedimentos inadequados e teve os seus órgãos removidos, quando ainda estava vivo, para posterior transplante, por meio de diagnóstico forjado de morte encefálica.
Gaspar, Scafi e Fernandes foram condenados, respectivamente, a 14 anos, 18 anos e 17 anos de reclusão em regime fechado.
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Crianças e adolescentes vítimas de violência14 fotos

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O menino boliviano Brayan Yanarico Capcha, 5, foi morto com um tiro na cabeça no dia 28 de junho de 2013 durante um assalto a uma residência, na região de São Mateus, zona leste de São Paulo. Segundo a polícia, seis homens armados invadiram a casa no bairro de Jardim Conquista, anunciaram o assalto e fizeram uma família de bolivianos refém. Após levarem R$ 4.500, um dos criminosos, insatisfeito com o valor da quantia, atirou contra o garoto, que chorava e pedia para não ser morto Leia mais Reprodução/ SBT
Cabe recurso à sentença emitida nesta sexta-feira (7) pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Poços de Caldas, Narciso Alvarenga Monteiro de Castro.
O magistrado considerou os médicos culpados pelo crime de remoção de órgãos, com o agravante de tê-lo praticado em pessoa viva, resultando em morte, baseado na Lei 9.434/97 (Lei de Transplantes).
Foram ainda estabelecidas penas pecuniárias, de acordo com as "excelentes condições financeiras dos médicos".
A multa fixada para Gaspar foi de 250 dias-multa, sendo cada um equivalente a 2,5 salários mínimos. Os outros dois médicos vão pagar 320 dias-multa, fixado cada dia em três salários mínimos.
Na sentença, o magistrado não permitiu que os condenados aguardem eventual recurso em liberdade e decretou a prisão preventiva imediata deles.
Na avaliação do juiz, a liberdade desses médicos poderá prejudicar a tramitação processual deste e de outros processos e inquéritos em andamento com relação à chamada "máfia de órgãos de Poços de Caldas".
"A prisão se justifica para garantir a ordem pública, nitidamente abalada pelas ações dos condenados, a conveniente instrução processual dos outros feitos conexos e a futura aplicação da lei penal", afirmou Castro, em sua decisão.
"Até o trânsito em julgado das sentenças condenatórias, muito tempo irá passar, pois recursos e mais recursos serão impetrados, dado o poderio financeiro dos réus e a infinidade de recursos à disposição (por uma legislação retrógrada, pouco afinada com os dias atuais)", disse.
Eles foram presos logo após o anúncio da sentença, nesta sexta-feira (7), e estão à disposição da Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais, na delegacia da cidade.
A reportagem do UOL não localizou os advogados dos condenados para comentarem a decisão da Justiça.
Os condenados formavam a equipe médica da MG-Sul Transplantes, organização clandestina e criminosa responsável por realizar transplantes e remoção de órgãos irregularmente.
Em fevereiro do ano passado, Scafi e Fernandes foram condenados pelo mesmo crime, juntamente com os médicos Alexandre Crispino Zincone e João Alberto Goes Brandão, no caso de outra vítima.
Dois outros médicos também denunciados por comercialização de órgãos e tecidos humanos do município tiveram declarada a "extinção da punibilidade" por terem completado 70 anos de idade.
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Relembre crimes e julgamentos brasileiros famosos56 fotos

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A engenheira Patrícia Amieiro Franco, 24, desapareceu em 14 junho de 2008, depois de sofrer um acidente automobilístico na saída do túnel do Joá, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. A polícia nunca encontrou o corpo da engenheira. Quatro policiais militares são acusados de homicídio qualificado e ocultação do corpo Leia maisReprodução/Agência O Globo

Médicos serviam no SUS

O juiz decretou também a perda dos cargos públicos dos três sentenciados, ressaltando que eles "são servidores públicos e houve lesão à administração pública, devido ao recebimento indevido de verbas do SUS (Sistema Único de Saúde)". 
Assim, o magistrado determinou também a expedição de ofícios ao Ministério da Saúde, ao governo de Minas Gerais, à Prefeitura de Poços de Caldas e aos hospitais da região, instruindo o descredenciamento imediato dos condenados no SUS.
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Pesquisadores desenvolvem órgãos biônicos para transplantes humanos19 fotos

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A empresa francesa Carmata apresentou em julho de 2013 um coração artificial com tecido bovino que será testado em breve por pacientes com problemas cardíacos. O material orgânico (formas elípticas marrons, na ilustração à direita) substitui o plástico nas superfícies irrigadas pelo sangue, diminuindo os problemas de coagulação após o transplante, segundo o fabricante. O órgão biônico é regulado por sensores, softwares e microeletrônicos e funciona com duas baterias externas de íons de lítio Carmat     

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Como Roger Abdelmassih financia há três anos sua fuga da polícia

Em VEJA desta semana

Médico foi condenado em 2011 a 278 anos de prisão por crimes sexuais contra as pacientes

Bela Megale e Alana Rizzo
Porta-retrato com foto do casamento de Abdelmassih com a ex-procuradora Larissa encontrado em uma das fazendas do médico em Avaré. A polícia suspeita que Abdelmassih e a mulher estiveram lá em algum momento nos últimos seis meses.
Porta-retrato com foto do casamento de Abdelmassih com a ex-procuradora Larissa encontrado em uma das fazendas do médico em Avaré. A polícia suspeita que Abdelmassih e a mulher estiveram lá em algum momento nos últimos seis meses.
Na qualidade de fugitivo mais procurado do Estado de São Paulo e um dos 160 brasileiros na lista da Interpol, era de esperar que o médico Roger Abdelmassih vivesse em condições bem mais precárias do que as que desfrutava no tempo em que era dono da clínica de fertilização in vitro mais famosa do Brasil e oferecia jantares para amigos como a apresentadora Hebe Camargo. Documentos obtidos por VEJA, no entanto, mostram que o médico, condenado por 56 estupros e foragido desde 2011, não vem tendo problemas para se manter na clandestinidade. Por meio de uma engenharia financeira montada pouco antes da condenação, ele recebe remessas regulares — e polpudas — de dinheiro na conta de sua mulher, a ex-procuradora da República Larissa Maria Sacco, que o acompanha na fuga e com quem está casado desde 2010.
Um dos homens mais procurados do Brasil, Roger Abdelmassih, condenado a quase 13 anos de prisão por uma série de estupros, continua foragido. O Domingo Espetacular seguiu as pistas no interior de São Paulo e acompanhou a rota de fuga do médico até países da Europa, onde ele se escondeu da polícia durante um ano.

sábado, 19 de julho de 2014

Médico vai indenizar paciente que teve seio deformado



Publicado por Carta Forense (extraído pelo JusBrasil) - 5 anos atrás
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O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio, por maioria de votos, condenou hoje (dia 3 de novembro) por erro médico o cirurgião plástico Altamiro da Rocha Oliveira, diretor presidente da Clínica Sant'Anna de Cirurgia Plástica. Ele terá que pagar indenização de R$ 50 mil, por danos morais, à sua ex-paciente Marília de Sá Marques Poliano, que teve a mama deformada após mal sucedida cirurgia plástica, de cunho estético, para esvaziamento da mama e colocação de prótese. O médico também foi condenado a pagar R$ 5 mil por outra operação a que a paciente teve que se submeter; R$ 2 mil pelo uso de motorista, uma vez que a vítima ficou impossibilitada de dirigir; e R$ 30 mil pelos lucros que ela deixou de ganhar, pois não pôde trabalhar durante 15 meses.
O médico alegou que os problemas ocorreram porque havia nódulos malignos na mama da paciente, o que foi considerado estranho pela desembargadora Letícia Sardas, que votou favoravelmente à condenação do réu. Segundo ela, a cirurgia foi realizada sem a presença de um oncologista. "Só o cirurgião plástico realizou a cirurgia sem o auxílio de um oncologista. Se a paciente fosse portadora de câncer de mama, o cirurgião plástico não faria. Ela foi submetida a cinco cirurgias, um absurdo. Não vai recompor a mama nunca mais", afirmou a desembargadora, que teve acesso às fotos anexadas ao processo. Letícia Sardas disse também que laudos comprovaram a inexistência de nódulos malignos na mama da paciente em exames realizados em 1993, 1994 e 1995. "Houve negligência sim", concluiu.
Para o desembargador Sergio Cavalieri, também ficou demonstrado que houve erro médico. "Jamais foi ventilado que ela teria câncer, nódulo e, no entanto, houve uma tragédia, algo chocante", afirmou. O desembargador destacou que se trata de uma relação de consumo e que o médico é um prestador de serviços. "O foco é este: saber se houve ou não defeito na prestação do serviço", ressaltou o desembargador, lembrando que a defesa foi inábil por não alegar relação de consumo. Ele defendeu ainda a inversão do ônus da prova, prevista no artigo 6º , inciso VIII , do Código de Defesa do Consumidor , em favor da consumidora.
Na ação de indenização, Marília de Sá conta que foi submetida a uma cirurgia plástica em janeiro de 1995 e que, logo após a operação, o médico garantiu que estava tudo bem e que não havia perigo de displasia ou câncer. Tempos depois, ela começou a sentir fortes dores, tendo sido atendida na clínica, onde fizeram punções e injetaram-lhe antibióticos, sendo constatada infecção hospitalar. As dores não cessaram e Marília foi submetida a outra cirurgia, em março do mesmo ano, para colocação de nova prótese, pois a anterior havia se rompido. A autora passou ainda por duas operações, sendo a última de emergência. Como os problemas não acabaram, ela buscou os serviços de outra cirurgiã plástica, que afirmou estar sua prótese exposta.
"Ela ficou com uma seqüela que a deformou para o resto da vida. Acredito que ela terá que fazer um tratamento psicológico, pois ficou deformada definitivamente", finalizou a desembargadora Marianna Pereira Nunes. Com a decisão, o Órgão Especial anulou acórdão da 9ª Câmara Cível do TJ, que manteve sentença da 17ª Vara Cível do Rio, julgando improcedente o pedido. Ainda cabe recurso.

Médico vai indenizar paciente por orelha deformada


Publicado por Carta Forense (extraído pelo JusBrasil) e mais 1 usuário - 5 anos atrás
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Um médico da cidade de Ipatinga foi condenado a indenizar por danos morais e materiais uma universitária que ficou com uma orelha deformada após se submeter a uma cirurgia plástica. A decisão é dos desembargadores Márcia De Paoli Balbino, Lucas Pereira e Eduardo Mariné da Cunha, da 17ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). A indenização por danos morais foi fixada em R$ 18 mil e a por danos materiais será apurada em liquidação de sentença.
De acordo com os autos, a estudante universitária, residente em Ipatinga, submeteu-se a uma cirurgia para corrigir suas orelhas "de abano" com um médico. Porém, a intervenção cirúrgica causou-lhe deformidade nas orelhas, principalmente a esquerda, que teve parte do tecido necrosado e ficou desfigurada. Ela ajuizou uma ação contra o médico, alegando que sofreu danos morais e materiais.
O cirurgião contestou, afirmando que os danos nas orelhas da paciente ocorreram porque ela não observou as recomendações médicas para o período pós-operatório.
Na 1ª Instância, o médico foi condenado a pagar indenização por danos morais no valor de R$ 60 mil; indenização por danos materiais correspondente aos gastos efetuados pela estudante para a realização da cirurgia, em valor a ser apurado em posterior fase de liquidação de sentença; e indenização por danos materiais relativa aos gastos médicos futuros para reparar a deformidade.
O médico recorreu ao TJMG, reiterando que a paciente não observou as recomendações médicas para o período pós-operatório.
A relatora do recurso, desembargadora Márcia De Paoli Balbino, observou, por meio de fotografias, que a piora do aspecto estético da orelha esquerda da estudante é óbvia, com comprometimento "plenamente perceptível" da simetria e do formato interno e externo da orelha. Segundo a magistrada, houve negligência do médico e dano moral inegável. Para ela, o profissional se omitiu e não deu a devida atenção à paciente, que no pós-operatório queixou-se de fortes dores.
A desembargadora entendeu, contudo, que o valor da indenização foi excessivo, pois, apesar de a paciente ter de se submeter a um novo e complexo tratamento, existe expectativa de melhora. Além disso, segundo Márcia De Paoli Balbino, a aparência da estudante não piorou a ponto de justificar indenização tão alta. Outro ponto ressaltado pela magistrada é que o valor de R$ 60 mil está acima dos usualmente arbitrados em casos semelhantes. Por esses motivos, ela reduziu a indenização por danos morais para R$ 18 mil. Os desembargadores Lucas Pereira e Eduardo Mariné da Cunha acompanharam o voto da relatora.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Rosimere Aparecida Soares (Erro Médico)



Rosimere Aparecida Soares

Data do Ocorrido: 22/12/2007 

Localização: Cuiabá (MT) 

Data de Nascimento: 12/10/1977 (30 anos) 

Data de Falecimento: 22/12/2007

Sexo: Feminino Feminino




Rosimere Aparecida Soares, 30 anos, gerente administrativa, após ser submetida a um procedimento cirúrgico, a terceira cirurgia, em uma clínica de estética em Cuiabá, vem a óbito em 22/12/2007. Rosimere Aparecida Soares iria realizar quatro procedimentos no mesmo dia: 1° uma cirurgia de correção no nariz; 2° lipoaspiração; 3° cirurgia na panturrilha; e 4° retirada das amídalas.
Quase três horas após começar a cirurgia, a mãe da vítima, Suede Clemente Soares, foi avisada que a filha seria transferida para o Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá. Suede afirma que sua filha saiu morta da clínica.

A pedido da mãe, Rosimere Aparecida Soares foi levada para o Hospital Jardim Cuiabá. O diretor clínico do hospital, Nasser Mahfouz, afirmou que a paciente chegou ao hospital "praticamente morta". O comunicado oficial divulgado na tarde de ontem pelo hospital afirma queRosimere Aparecida Soares chegou às 16h39 e que teve parada cardiorespiratória às 15h. Ou seja, 1h39 antes de chegar ao hospital. Rosimere Aparecida Soares foi transferida da clínica particular em uma ambulância UTI Móvel, chegou entubada, acompanhada por médicos, mas não respondia às tentativas de ressuscitação, segundo o diretor clínico.

Como Rosimere Aparecida Soares continuou sem responder aos procedimentos para ressuscitar, foi levada para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), onde permaneceu por mais de 45 minutos. De acordo com o comunicado do hospital, o óbito foi registrado às 17h30.

A mãe da vítima afirma que sua filha, Rosimere Aparecida Soares, foi retirada da clínica particular com um lençol cobrindo o corpo e o rosto. O que pode ver da filha é que ela tinha muitos hematomas. "Ela estava toda roxa e o pé muito branco. Tenho quase certeza que minha filha saiu de lá morta. Acho que a clínica não tinha recurso nenhum".

Na certidão de óbito a causa morte é "choque hipovolêmico (perda de sangue), ação perfuro cortante". A família registrou um boletim de ocorrência no Cisc Verdão e quer que o caso seja apurado pela polícia. "Eu quero saber o que aconteceu", disse a mãe durante o velório.Rosemere Aparecida Soares deixa um filho de 8 anos. Segundo a família, ela estava se preparando para fazer uma viagem para a Espanha, em junho de 2008. Queria levar o filho para jogar futebol.

O presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRC-MT), Aguiar Farina, afirmou que será aberta uma sindicância para apurar se houve erro médico durante a cirurgia de Rosimere Aparecida Santos. A sindicância, segundo ele, também vai verificar se a clínica onde a paciente foi operada possui a estrutura necessária para funcionar. "Toda vez que acontece algum evento desta natureza, que há suspeita de erro médico, o conselho abre uma sindicância".

Farina afirmou que os procedimentos pelos quais Rosimere Aparecida Soares seria submetida não são considerados de alta complexidade, mas enfatizou que a clínica precisa ter "o mínimo necessário para funcionar". Entre as exigências, o presidente do CRC aponta que é necessário um ambiente cirúrgico adequado, disponibilização de medicamentos necessários, equipamentos de cirurgia, entre outros.

Rosimere Aparecida Soares foi velada na capela Jardins. Sob o caixão, os irmãos e a mãe estenderam uma bandeira do Corinthians. "Ela dizia que quando morresse queria uma bandeira bem grande sob o caixão", disse a mãe ao atender ao pedido da filha.
Médico Samir Kehdi foi condenado pela Justiça, mas continua em exercício
Em 21/12/02009 há exatos dois anos, a gerente administrativa Rosimere Aparecida Soares, de 30 anos, morria durante uma cirurgia de lipoaspiração, comandada pelo cirurgião plástico Samir Kehdi. De acordo com a necropsia ela morreu por conta de um choque hipovolêmico causado pela perfuração da veia cava inferior, responsável por colher o sangue dos membros inferiores. A lesão pode ter sido provocada pela cânula usada na cirurgia.
O médico Samir Kehdi foi condenado pela juíza Maria Cristina de Oliveira Simões, da 9ª Vara Criminal de Cuiabá, a um ano e quatro meses de detenção, que foram revertidos em prestação de serviços comunitários no Hospital do Câncer.
 
Ele havia sido indiciado em inquérito policial por homicídio culposo com aumento de pena por inobservância de regras técnicas. O inquérito foi presidido pela delegada Ana Cristina Feldner, do Cisc Verdão. Uma perícia realizada no consultório do médico constatou diversas irregularidades, como o não-funcionamento do equipamento de gerador e armazenamento irregular do aparelho de esterilização de materiais cirúrgicos.
 
Kehdi ainda foi condenado pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) à censura pública. Para a defesa da família de Rosimere, a pena foi "branda". Os advogados da mãe de Rosimere, Suede Clemente Soares, vão recorrer da decisão junto ao Conselho Federal de Medicina (CFM), em Brasília. Eles também devem recorrer da condenação criminal.
 
A defesa da mãe da vítima também moveu uma ação cível para reparação de perdas e danos morais e materiais. Neste caso, ainda não houve julgamento.
 
"Basta com os erros médicos" 
 
Está na câmara dos deputados o Projeto de Lei 6867/2010 que visa avaliação dos profissionais de saúde.
A ligação é gratuita 0800 619-619. Ligue e nos ajude nessa luta que é de todos nós.




Polícia ouve médico supostamente enganado e vítima

De enfermeira que aplicava silicone em bumbuns

Além da enfermeira, uma auxiliar foi indiciada
Reprodução
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Vítimas ficaram com as nádegas necrosadas


















O titular da Delegacia de São João de Meriti (64ª DP), Alexandre Ziehe, ouviu nesta terça-feira (10) ummédico e uma vítima envolvidos no caso da enfermeira que aplicava material químico — possivelmente silicone industrial — em pacientes.
A Polícia suspeita que a enfermeira pode ter usado indevidamente atestados falsos com assinaturas deste e de outros médicos. O delegado não passou detalhes sobre os depoimentos.
A vítima ouvida nesta segunda só deverá concluir seu depoimento na quarta-feira. Segundo Alexandre Ziehe, ela passou mal.
Na segunda, Ziehe informou, além da enfermeira, uma auxiliar de enfermagem que trabalhava com ela também foi indiciada. Segundo ele, a mulher utilizava atestados em branco com a assinatura de um médico.
Imagens
A polícia divulgou imagens de vítimas da enfermeira que fazia aplicação local de material químico para aumentar os glúteos. Ao menos três mulheres foram internadas com lesões graves na Baixada Fluminense. Uma delas teve alta do hospital da Polícia Militar, no centro do Rio, onde estava internada. As outras duas continuam internadas no hospital Albert Schweitzer, em Realengo, zona norte.
Segundo os agentes responsáveis pela investigação, o produto aplicado foi retirado por médicos e encaminhado para análise.
A enfermeira responsável pelo atendimento cobrava R$ 1.800 por quatro sessões. De acordo com testemunhas, a propaganda era feita no “boca a boca”.
Na casa da suspeita, a polícia apreendeu frascos de soro, medicamentos, luvas, agulhas, fotos, receitas e diversos cheques. Ela foi presa na sexta-feira (30), mas foi solta menos de 24 horas depois, após a Justiça acatar o pedido de liberdade.
A enfermeira responde por lesão corporal, exercício ilegal da medicina, falsificação, corrupção e adulteração de produtos destinados a fins medicinais ou terapêuticos.