quinta-feira, 5 de junho de 2014

Mutirão de Cirurgias Reparadoras: Escalpeladas, vítimas de erro médico?

por Babi Cantuária

"Então o que falaram pra gente, que seria um tratamento
de qualidade e digno, que não ia ter nenhuma consequência.
 Estamos tendo consequências negativas e ninguém fala disso”
O mutirão organizado pelo Governo do Estado, que pretendia recuperar a autoestima das pacientes vítimas de escalpelamento, através de cirurgias plásticas reparadoras, não deu certo. As oito pacientes atendidas pela ação enfrentam graves problemas com o pós-operatório. Uma das pacientes, Maria do Socorro, vítima de escalpamento aos sete anos, passa por reações adversas em diferentes níveis de gravidade. Ela alega que a cirurgia não foi como o oferecido: "Então, o que falaram pra gente foi que seria um tratamento de qualidade e digno, que não ia ter nenhuma consequência. Estamos tendo consequências negativas e ninguém fala disso. Eu vim pra fazer um processo de recuperação e acabei perdendo a parte do couro [cabeludo] que eu tinha. Eu era feliz e não sabia e isso machuca muito", disse.

A paciente reportou ao Telejornal "O Estado é Noticia", do Canal 24 (TV Tucuju), que está há seis meses com uma prótese expansora - espécie de aparelho que permite a excisão quase completa da área calva -, colocada durante a operação, mas que não recebe o tratamento adequado por profissionais em seu pós-operatório. Dessa forma, Maria do Socorro acredita que o seu couro cabeludo está infeccionado, pois sofre com fortes dores de cabeça, sente febre constantemente, e não consegue dormir por conta do inchaço no pescoço e no braço. "O meu braço está infeccionado em função da válvula* que foi colocada pra fazer a expansão. Pra encher esse expansor instalado na região do pescoço*. Então, esse problema que a gente está passando ficou muito restrito a nós, pois as meninas não tem coragem de abrir a boca e falar que o Governo do Estado que ofereceu as cirurgias não concluiu a operação no que tange ao pós-operatório. Parece que elas estão com medo de represálias. Eu não! Eu quero dizer o que está acontecendo comigo".

As complicações das outras sete pacientes, conforme Maria do Socorro declara, foram provocadas pela falta de auxílio no tratamento: "Teve uma moça que pediu pra secar o expansor porque ela não aguentava mais de dor. Perdeu o tratamento porque esvaziou o expansor e não tem como encher. Ela não quer mais. As desistências são muitas". 

Algumas das pacientes do “Mutirão de Cirurgias
Reparadoras em Vítimas de Escalpelamento do
Amapá”, entre elas, Maria do Socorro antes da operação
De acordo com Maria do Socorro, algumas colegas estão com grandes indícios de depressão profunda. Ela também relatou sobre uma paciente que vai às lágrimas quando se recorda que esse seria o melhor natal de sua vida: "Ela me liga e a gente fica conversando bastante. Ela está emagrecendo muito rápido e nem consegue sair de casa, só vai pra consulta e volta pra casa", conta.

O retorno dos médicos para os procedimentos pós-cirúrgicos estava marcado para novembro, mas, segundo Maria do Socorro, não aconteceu, e por isso, a paciente encaminhou um documento ao Ministério Público cobrando a continuidade do tratamento. "A gente queria uma resposta pra saber quando vai ser a cirurgia, porque falaram que ia ser dia 14 de novembro e não aconteceu. E a outra é agora dia 14 de dezembro, mas, não tem nada certo".

A reportagem procurou a Secretaria de Mobilização e Inclusão Social (SIMS), através da titular Eloiana Cambraia. Foi informado que desde fevereiro desse ano, a secretaria presta os cuidados necessários a todas as vítimas de escalpelamento que participaram do processo do mutirão, por meio do "Projeto Libélulas da Amazônia". Eloiana também afirmou que os procedimentos finais serão realizados no período de 13 a 16 de dezembro, onde todas as pessoas serão submetidas ao processo e a avaliação pelos médicos responsáveis. "Todo mundo que passou pelo procedimento em maio e reavaliação em agosto, passará pela reavaliação em dezembro. Quando também serão incluídas as pessoas que pretendem fazer, pois nem todas fizeram em função do estado da saúde das pessoas escalpeladas não atender os requisitos básicos para o procedimento". 

No caso específico de Maria do Socorro, Eloaina explica: "Uma delas, a Maria do Socorro, teve rejeição no expansor. Mas isso aconteceu por conta da falta de cuidado por parte dela. Os médicos sempre orientam quanto a alguns cuidados que devemos tomar durante o processo. Não devemos nos expor ao Sol, ingerir bebidas alcoólicas, andar em festas. Temos que tomar sempre esses cuidados".

Tentamos novamente manter contato com a Maria do Socorro para que ela pudesse se defender das alegações da Secretária Eloiana Cambraia, mas a nossa reportagem não a encontrou mais.



Outro caso
Maria Linadaci Carvalho Chaves, 46 anos, oriunda de Vitória do Jari, sofreu o acidente com a embarcação quando tinha 11 anos. Após ter sido diagnosticada que, caso não realizasse a cirurgia de reparação, corria o risco de adquirir um câncer craniano, pois a pele de sua cabeça estava muito fina, ela optou em participar do mutirão realizado pelo Governo.

Quando a equipe de reportagem foi ao Atalanta Hotel na última quinta-feira (6), Maria Linadaci era a única das vítimas de escalpelamento que se encontrava hospedada, pois ainda continuava com complicações no seu pós-operatório. Segundo Maria, ela voltou a perder cabelos a partir de agosto: "O expansor infeccionou e gerou uma grande ferida em minha cabeça. Não consigo deitar direito, pois dói muito. Estou com os músculos do pescoço deformados e doloridos. É horrível".

A paciente informou, porém, que conta com o apoio do Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Inclusão e Mobilização Social (SIMS). "Desde que fiz a operação estou hospedada neste hotel, recebendo os curativos de enfermeiras e consultas psicológicas", comentou.

 Apesar disso, Maria Linadaci declarou que não pretende fazer outra operação, pois está com medo da reação provocada em seu corpo. Ela gostaria também que os médicos pudessem vir até o Estado do Amapá para avaliá-la e explicar o motivo da ferida na sua cabeça: "Por tudo que já passei, estou traumatizada".


A Secretaria de Estado de Saúde (SESA) se manifestou sobre o ocorrido por meio de Nota de Esclarecimento:

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) vem por nota esclarecer as informações que foram veiculadas na impressa local sobre a falta de apoio às vítimas de escalpelamento submetidas ao Mutirão de Cirurgias Reparadoras, oferecido pelo Governo do Amapá em parceria com a Sociedade Brasileira de Cirurgias Plásticas (SBCP) e Defensoria Pública da União.

1 - Durante as etapas do Mutirão de Cirurgias Reparadoras, ocorridas em março e agosto deste ano, o Governo do Amapá, através da Secretaria de Estado de Inclusão e Mobilização Social (SIMS), ofertou e vem ofertando total apoio as esses pacientes. Os contemplados pelo projeto são assistidos pela equipe das “Libélulas da Amazônia”, que oferece atendimento psicológico e social, e do “Arco de Luz”, responsável pelo acolhimento, transporte, hospedagem e alimentação dessas vítimas.


2 - Para melhor comodidade, a Sesa contratou os serviços do Hotel Atalanta, onde pacientes e acompanhantes ficam hospedados aguardando realizar todos os procedimentos cirúrgicos. Os apartamentos possuem duas camas, além de um colchão boxe, e com essa estrutura é inviável algum paciente pernoitar no chão, como foi mencionado em alguns veículos de comunicação.


3 - Além da comodidade da hospedagem, a Sesa disponibiliza um médico que realiza, todas as quartas-feiras, consultas no próprio hotel com o intuito de acompanhar a evolução do procedimento cirúrgico. Profissionais de enfermagens também são disponibilizados pela Secretaria de Saúde para acompanhar diariamente esses pacientes.


4 - Outras ações oferecidas pela equipe do governo envolvem trabalhos de acolhimento, assistência psicológica e social, mobilização, transporte e inclusão das vítimas em programas sociais do governo do Estado, como o “Renda para Viver Melhor”.


5 - Das 53 pessoas submetidas às cirurgias reparadoras, 48 delas recebem o benefício de meio salário mínimo pelo programa e outras foram contempladas com o aluguel social, também custeado pela SIMS, e que exige do beneficiário a comprovação de vulnerabilidade social.


6 - As ações de apoio às vítimas de escalpelamento ocorreram por etapas, conforme cronograma estabelecido pela Secretaria de Estado da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, responsável pelos agendamentos das cirurgias.


7 - Atualmente a equipe da SIMS faz visitas sistemáticas às pessoas já submetidas às cirurgias reparadoras com a proposta de auxiliar na recuperação da sua autoestima. A maioria das vítimas de escalpelamento assistidas pela SIMS tem baixo poder aquisitivo e o apoio do governo é fundamental para que a recuperação desses pacientes ocorra de forma eficaz.



Escalpelamento
O acidente acontece quando as vítimas, ao se abaixarem para tirar a água do fundo da embarcação – que são artesanais, têm o motor descoberto e localizado no centro para ajudar no equilíbrio –, têm seus cabelos violentamente puxados pela rotação ininterrupta do motor. O escalpelamento é uma lesão considerada grave porque as vítimas têm o couro cabeludo e outras partes do rosto arrancados de maneira parcial ou total. 

O combate ao escalpelamento conta com o apoio da Lei Federal de número 12.199/2010, que consiste em ações de prevenção contra este tipo de desastre, e pretende melhorar a qualidade de vida das vítimas do mesmo. Porém, somente esse mecanismo não alcança o nível de eficiência necessário, pois no Amapá, ainda é grande o número de embarcações sem a proteção no eixo do motor, visto que, muitos condutores recebem o produto, mas preferem não utilizá-lo, porque ele diminui a área útil interna do barco.



“Mutirão de Cirurgias Reparadoras em Vítimas de escalpelamento do Amapá”

As ações atenderam 53 pessoas (entre homens e mulheres) vítimas de escalpelamento, no qual pretendia ajudá-las a melhorar sua aparência, por meio de cirurgias reparadoras divididas em várias etapas. Primeiramente os ribeirinhos passaram por avaliações médicas; depois, 32 pacientes receberam próteses expansoras do couro cabeludo, e logo após, os cirurgiões pretendiam cobrir áreas onde não há cabelo.

A iniciativa é do Governo do Amapá, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), com apoio da Secretaria de Estado da Inclusão e Mobilização Social (SIMS), Defensoria Pública da União (DPU), além de 42 médicos voluntários, da Sociedade Brasileira de Cirurgias Plásticas (SBCP), vindos de vários Estados do Brasil.


Em entrevista concedida ao jornal TA, o Cirurgião Plástico Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Augusto Púpio, deu o seu parecer técnico acerca dos procedimentos que devem ser desempenhados no pós-operatório de cirurgias plásticas reparadoras.

Tribuna Amapaense – Quanto tempo dura o acompanhamento médico do pós-operatório?
Augusto Púpio – Normalmente, pacientes vítimas de escalpelamento são acompanhadas por toda vida. Como os casos são completamente diferentes de paciente para paciente, não há um prazo definido para seguimento no pós-operatório.

TA – O paciente pode voltar para casa ou tem que ficar no hospital?
AP – Depende do porte da cirurgia. Cirurgias menores, consideradas ambulatoriais, podem receber alta e ir para casa até no mesmo dia! Cirurgias maiores exigem maior tempo de internação. Lembrando que a medicina, hoje, busca a alta mais precoce possível.

TA – O que pode e o que não pode fazer no pós-operatório?
AP – Depende do procedimento que foi realizado. De um modo geral, grandes esforços devem ser evitados. Mas, diferentemente do que era considerado há anos, os pacientes devem realizar suas atividades o mais próximo do normal possível. O mesmo se refere à alimentação. Os cuidados devem ser basicamente em relação aos curativos.

TA – Qual é o prazo entre as consultas?
AP – Não há um prazo fixo porque cada organismo tem um processo de cicatrização único e individualizado. Conforme for a evolução, as consultas, geralmente, são cada vez mais distantes.


*O que é expansor de tecido e válvula: 

As indicações para expansor são múltiplas, desde as reconstruções mamárias até correção de sequelas de queimaduras, passando por cirurgia de calvície, tumores faciais, cicatrizes em geral. Apresentado em dois tipos: expansor implantável para expansão lenta com diferentes válvulas e expansor transoperatório para expansão rápida, durante a cirurgia.

Fonte: http://www.silimed.com.br/silimed/expansor-de-tecido.asp



Mulher vai fazer endoscopia e sai de hospital de SP sem braço direito

30/05/2011 - 17:57 Atualizado em 30/05/2011 - 18:01

Ela sofreu trombose após injeção e teve membro amputado em 2009. CRM apura se houve erro médico; vítima quer R$ 1 milhão de indenização

G1

Kleber Tomaz/G1
Rosely Viviani, de 48 anos, segura foto dela tirada há 11 anos: ela teve o antebraço direito amputado após tomar injeção no pulso
Em 2009, uma vendedora do interior do estado de São Paulo entrou num hospital filantrópico da capital paulista para fazer um exame gastrointestinal, mas saiu de lá sem parte do braço depois de tomar uma injeção no pulso direito. A mulher se queixou de dores na região durante todo o dia 27 de abril daquele ano. Na manhã seguinte, seu membro não tinha mais circulação sanguínea. Foi constatada trombose no local e, após vários tratamentos sem solução, não restou outra alternativa aos médicos: eles amputaram o antebraço da paciente em 7 de maio.


Até sexta-feira (26) o Hospital Santa Marcelina, em Itaquera, na Zona Leste, não sabia explicar a Rosely Viviani, de 48 anos, como foi possível ela ter se internado para uma endoscopia (exame que introduz cânula com câmera pela boca do paciente para se verificar doenças gastrointestinais) e dez dias depois ter um membro aparentemente saudável retirado.


Rosely só havia ido ao Santa Marcelina porque semanas antes teve diagnosticado câncer no útero e ovário e precisava fazer a endoscopia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para saber se tinha mais tumores em outros órgãos - o que não se comprovou. "Entrei no hospital com o meu braço e saí de lá sem ele. E até hoje ninguém me disse o que ocorreu", disse a mulher, em entrevista  concedida em sua casa em Cerquilho, no interior de São Paulo. Ela é separada e mora com o filho André Luiz, de 11 anos. "Me disseram que tiveram de amputar do cotovelo para baixo senão eu ia morrer. Era meu braço ou minha vida."


Em busca de respostas, uma comissão interna do próprio hospital e uma sindicância do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) apuram o caso de Rosely para saber se houve erro médico. Existe a suspeita de que uma enfermeira tenha aplicado o sedativo para a realização da endoscopia na artéria em vez da veia. O remédio foi dado por meio de uma agulha, que já havia sido introduzida no pulso da paciente para ministrar outros medicamentos.


"Ela aplicou a injeção na artéria e não na veia. Fora isso, demoraram para ouvir meus pedidos de que eu estava com dor e havia algo errado. Passei mais de um dia com o braço dolorido", lembrou Rosely.


Hospital e Cremesp também deverão verificar se ocorreu demora no atendimento de Rosely. A vítima se queixou que logo que tomou Diazepan no braço se queixou de dores, mas só foi socorrida 26 horas depois. "Eu chorava de dor, mas ninguém me atendia. Aí já era tarde. Não havia mais circulação sanguínea no braço. As pontinhas dos dedos começaram a ficar pretas, depois começou a escurecer na altura do pulso", afirmou a mulher.


Caso haja comprovação de algum tipo de erro por parte do hospital, os médicos poderão ser punidos com suspensão administrativa pelo hospital ou até ter a licença para exercer a profissão cassada pelo Cremesp. Como o caso envolve uma enfermeira, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren) em São Paulo também foi procurado pela reportagem para comentar se apurava a denúncia. A assessoria de imprensa do conselho informou que não havia registro sobre o caso.


A outra hipótese que é apurada pelo Santa Marcelina e Conselho de Medicina é que o próprio organismo da mulher tenha reagido de forma inesperada a algum remédio. Se for constatada essa possibilidade, a equipe médica hospitalar é inocentada.


Punção arterial inadvertida e Fenômeno de RaynaudQuestionados sobre as apurações, hospital e Cremesp alegam que não podem dar detalhes antes das conclusões.


Procurada para comentar o assunto, a diretoria médica do Hospital Santa Marcelina informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que "o caso referente à paciente Rosely Viviani está com a comissão de ética médica". "A comissão está apurando minuciosamente o ocorrido para verificar se houve erro médico ou não."


Os médicos e enfermeiros que atenderam Rosely, não foram encontrados  para comentar o assunto.


Apesar disso, a equipe de reportagem obteve documentos do Santa Marcelina que confirmam que o braço de Rosely só passou a apresentar problemas após a injeção que tomou. "(...) a paciente, após punção [aplicação da injeção], evoluiu com obstrução arterial aguda de MSD [membro superior direito]. Foi submetida à trombolectomia e heparinização plena, sem sucesso. Ela foi submetida à amputação de antebraço direito", escreveu uma ginecologista do hospital no parecer médico de 2009.


Outro relatório do Santa Marcelina daquele mesmo ano sugere duas causas possíveis para explicar essa "obstrução arterial" que originou a amputação do membro: a injeção ou um fato surpreendente. "Sugeriu a solicitação de parecer para cirurgia vascular aventando a hipótese de Fenômeno de Raynaud ou punção arterial inadvertida", escreveu um médico.


Especialista e Associação das Vítimas de Erros MédicosSegundo o médico Marcos Arêas Marques, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), uma "punção arterial inadvertida" pode causar isquemia (falta de circulação sanguínea) e até necrose dos membros do paciente, sendo necessária a amputação.


"A punção arterial é qualquer tentativa de pegar a artéria em vez da veia. Teoricamente é um erro que não deve acontecer", disse o angiologista Arêas Marques, que estuda as doenças das veias e artérias.


Segundo o especialista, o Fenômeno de Raynaud é um espasmo involuntário das artérias das mãos e pode ter origem no próprio organismo humano ou ser causado por um fator externo, como uma injeção aplicada de forma errada.


"Esse vaso espasmo exagerado é percebido quando alguém coloca a mão na água fria e ela fica roxa. As extremidades ficam azuladas. Mas ele pode ser secundário a um trauma também. Por exemplo, uma punção inadvertida com medicação na artéria que era para ser feita na veia. A artéria leva sangue para a extremidade e caso seja aplicado algo nela, pode causar isquemia, falta de sangue, dor na mão e até a perda do membro", disse Arêas Marques.


Ainda de acordo com o angiologista é comum a aplicação de Diazepan em pacientes antes de endoscopias. "Esse remédio tem o efeito de sedativo porque deixa a pessoa calma para que o procedimento seja mais confortável para o paciente. Mas ele tem de ser aplicado na veia e não na artéria", afirmou Arêas Marques. "Se injetar remédio endovenoso em artéria pode ter problema, como a Iatrogenia, que é uma complicação adversa de um procedimento."


"No meu entender ocorreu uma série de equívocos, que caracteriza má prestação de serviço, onde através de uma ação ordinária indenizatória, a vítima deverá ser ressarcida por danos morais, danos estéticos, pensão alimentícia pela incapacidade parcial etc. Houve uma grande demora para que houvesse socorro, 26 horas", diz Célia Destri, presidente da Associação das Vítimas de Erros Médicos (Averme).




Reprodução
Documento do Hospital Santa Marcelina mostra que paciente pode ter sido vítima de erro. Trombose que ocasiou a amputação pode ter decorrido de uma aplicação de injeção na artéria: punção arterial inadvertida


Ação indenizatóriaQuase um ano depois da amputação, Rosely registrou queixa na Polícia Civil contra o Hospital Santa Marcelina, mas nenhuma investigação foi feita para apurar o que ocorreu com ela. "A declarante foi orientada a instruir ação civil, já que o prazo decadencial de seis meses para oferecer representação pela lesão corporal que sofreu expirou-se", escreveu uma delegada num boletim feito na capital.


Sem dinheiro para pagar um advogado, Rosely procurou a Defensoria Pública, que entrou na Justiça com uma ação indenizatória por danos morais e materiais em favor da vítima cobrando R$ 1,2 milhão do hospital e do Governo de São Paulo. A Defensoria entende que ocorreram falhas no procedimento médico e demora no atendimento à paciente.


"Houve erro médico porque há indicativos nas provas obtidas de que houve falha e demora no atendimento e procedimento de aplicação. Essa ação de indenização proposta pela Defensoria visa ressarcir a vítima pelos prejuízos sofridos. Ela teve danos materiais e morais", disse a defensora Renata Flores Tibyriçá, coordenadora da unidade da Fazenda Pública na capital paulista.


De acordo com a defensora, a ação também é contra o Estado porque, segundo ela, todo paciente com câncer atendido pelo SUS precisa de atendimento médico de alta complexidade e isso é responsabilidade do governo.


"Uma pessoa entra para fazer tratamento de câncer e sai sem braço? Isso é um absurdo", disse Renata Tibyriçá, que pede uma prótese de mão e antebraço, além de um carro adaptado e uma pensão para o filho dela, caso Rosely venha a morrer. A mulher ainda realiza quimioterapia para conter o avanço do câncer. Ela já passou por cirurgia para retirar útero e ovários.


"Continuo fazendo quimioterapia, mas tenho certeza de que o que ocorreu com o meu braço não teve a ver com a doença. Eu não tive câncer no braço, era no útero e ovários", disse Rosely, que deixou de trabalhar por conta da deficiência. Ela usava o carro, um Gol ano 1995, para comercializar roupas, mas, sem poder dirigir, vendeu o veículo por R$ 7 mil em dezembro de 2010. O dinheiro está servindo para pagar algumas parcelas das mensalidades da faculdade de pedagogia, que decidiu fazer após a amputação. Antes, ela cursava letras, mas desistiu ao entrar em depressão por conta da perda do membro.


Atualmente, ela recebe um salário mínimo por mês de um plano do Governo federal. "É um auxílio doença", disse a mulher, que improvisou uma tipoia azul, daquelas usadas para apoiar um braço quebrado, no membro amputado. "Eu uso para esconder o dano que me causaram. Tenho vergonha de mim. Tenho vergonha de sair na rua. Ainda não superei o trauma."


Rosely não usa mais maquiagem nem deixa o cabelo crescer acima da altura dos ombros.
"Perdi a vaidade", afirmou a mulher, enquanto mostrava uma foto produzida dela tirada em Campinas. "Eu tinha 27 anos. Usava batom. Namorava e pensava em casar. Não tinha esse cotoco e essa cicatriz feia no cotovelo. Você acredita que às vezes acordo pensando que ainda tenho a mão direita. Eu consigo ter a sensação de mexer os dedos, os nervos estão aqui, mas os dedos não estão."


O filho André Luiz ajuda a mãe nas atividades domésticas e a incentiva a escrever. "Eu era destra, agora tive de aprender a escrever com a mão esquerda. A letra ainda sai um pouco feia, tremida, mas estou melhorando a caligrafia", disse a mulher, que torce por uma decisão judicial favorável.


"Eu quero a indenização. Lógico. É o meu direito. Não sei quanto tempo isso vai levar, mas espero que a Justiça seja feita. Só espero que não seja depois de eu morrer porque ainda tenho essa luta contra o câncer. Quero uma prótese mecânica para poder voltar a abraçar meu filho e amarrar meus tênis sozinha novamente. Quero ter um carro adaptado para voltar a trabalhar vendendo roupas como antes. Quero o que tiraram de mim de volta. Quero minha vida pacata e simples."


A Justiça ainda analisa o pedido da indenização. De acordo com a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça, "a ação, que deu entrada em 11 de fevereiro deste ano, está em andamento na 4ª Vara da Fazenda Pública da capital". "Não há decisão a respeito do caso."


O que dizem hospital e governo de SPProcurado para comentar a ação de indenização que a paciente move contra o Santa Marcelina, o hospital respondeu que "o departamento jurídico também está acompanhando o caso, pois a paciente entrou com uma ação contra o hospital".


O governo do Estado de São Paulo também foi procurado para falar sobre a ação, mas não respondeu aos questionamentos do G1.



Rosely exibe fotos com o filho André Luiz (ao seu lado) tiradas quando ele era criança: Quero uma prótese mecânica para poder abraçar meu filho e amarrar meus tênis novamente :: temmais.com :: Mulher vai fazer endoscopia e sai de hospital de SP sem braço direito





quarta-feira, 4 de junho de 2014

Homem passa mal e morre na porta de hospital na BA

17/10/2013 07h24


 Depois de passar mal, o senhor de 59 anos, morreu na calçada em frente a uma unidade de saúde em Salvador. Um grupo de pessoas, que tentava ajudar o homem, pediu socorro no hospital, mas ninguém prestou o atendimento médico.

Homem morre em porta de hospital

Publicado em 12/11/2013 às 13h09:



 Homem que recebia tratamento contra tuberculose morre em porta de hospital

Corpo de fotógrafo que morreu na porta de hospital no Rio é enterrado

03/06/2014 17h04 - Atualizado em 03/06/2014 17h05


Amigo de Luiz Cláudio, Hélio de la Peña acha que 'descaso' fica 'no ar'.

Marcelo ElizardoDo G1 Rio
Corpo de fotógrafo foi enterrado no São João Batista (Foto: Marcelo Elizardo / G1)Corpo de fotógrafo foi enterrado no São João Batista (Foto: Marcelo Elizardo / G1)













O corpo do fotógrafo Luiz Cláudio Marigo foi enterrado por volta das 17h desta terça-feira (3), no Cemitério São João Batista, em Botafogo, Zona Sul do Rio. O idoso de 70 anos morreu após passar mal dentro de um ônibus em Laranjeiras. O motorista do coletivo chegou a levar o passageiro passando mal até a porta do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), no mesmo bairro, mas nenhum médico o atendeu porque hospital não tinha emergência. Luiz Cláudio foi atendido por socorristas de uma ambulância do Samu, após cerca de 30 minutos.
Cláudio faria 39 anos de casado com Cecília Banhara Marigo no dia 11 de junho. "Em março fez 40 anos que nos conhecemos e começamos a namorar. Dedicou a vida inteira para o bem", disse a viúva.
O ator Hélio De la Peña conheceu Luiz Cláudio no Clube dos Observadores de Pássaros (Coa), que promove atividades no Jardim Botânico, na Zona Sul, uma vez por mês. O artista foi ao enterro acompanhado da esposa. "Era um cara super saudável, ativo. Era bem instigador. Mas deixa também uma questão no ar, a do descaso", disse o humorista.
Negligência médica
A família de Marigo acredita que houve negligência por parte do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), que teria se recusado a prestar atendimento à vítima. Como mostrou o Bom Dia Rio desta terça-feira (3), imagens feitas por um celular registraram o momento em que o fotógrafo Luiz Cláudio Marigo, 63 anos, era socorrido pelos passageiros. O motorista parou em frente ao hospital, que é referência em doenças do coração, mas, segundo testemunhas, foi informado pelo INC que somente uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) poderia prestar o atendimento.
"É um absurdo completo ninguém ter prestado socorro. O motorista parou em frente ao hospital dizendo que um homem estava passando mal do coração e o hospital do coração não faz nada", lamenta Cecília Banhara, viúva de Luíz Cláudio.
Depois de dez minutos de espera, testemunhas contaram que funcionários do Samu que transportavam outro paciente para o Instituto de Cardiologia – fizeram a primeira reanimação. No vídeo, é possível ver uma tentativa de ressuscitar o idoso. Dentro do ônibus, bombeiros faziam massagens cardíacas, aplicavam injeções, mas já era tarde.
Victor Banhara Marigo, filho da vítima, pede que o caso seja investigado e acredita que não houve a atenção necessária por parte de uma instituição que é reconhecida na cidade como referência no atendimento cardiológico.
"Estava em frente ao hospital de cardiologia, que é referência no atendimento e tinha centenas de médicos. Eu acho que isso precisa ser investigado, mas me parece negligência e falta de respeito", disse.
Nota do INC
O INC informou, por meio de nota, que não houve tempo de prestar socorro ao homem que passou mal. "De acordo com a pessoa que o acompanhava, ele já apresentava dores fortes no peito quando o ônibus em que estavam parou em frente à unidade para pedir socorro. Apesar de não estar credenciado a atender emergências, o INC deixou a postos uma equipe de médicos e um leito para atendimento. Técnicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que estavam transportando outro paciente para o hospital, tentaram reanimá-lo, mas ele não resistiu. O homem não pode ser retirado do ônibus, pois o movimento dificultaria a reanimação", diz a nota.
Bombeiros
Quem viu a cena disse também que bombeiros foram chamados, mas que demoraram 20 minutos para chegar ao local. Nenhum médico ou enfermeiro do Instituto de Cardiologia apareceu no ônibus.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, a coordenação médica da corporação foi acionada às 11h39. Uma ambulância do Humaitá foi enviada para o local e chegou às 11h59. Os bombeiros informaram  que realizaram os procedimentos para reanimar a vítima, mas o homem, de aproximadamente 70 anos, morreu no local. "A corporação se solidariza com a família e vai apurar as circunstâncias do atendimento internamente."
De acordo com informações da 10ª DP (Botafogo), a perícia foi feita no local, e o motorista e o cobrador do ônibus já foram ouvidos no inquérito. Outras duas testemunhas serão intimadas a depor. Ainda segundo a polícia, caso haja indícios de omissão de socorro, será apurada a responsabilidade.

VÍDEO: Assassinato em hospital de Gravataí é registrado por câmeras de segurança

SEXTA-FEIRA, 18 DE NOVEMBRO DE 2011


Durante 30 minutos, dois homens circularam pelo local do crime

VÍDEO: Assassinato em hospital de Gravataí é registrado por câmeras de segurança Reprodução/Reprodução
Dupla ainda não foi identiicada pela polícia Foto: Reprodução / Reprodução
A Polícia Civil divulgou as imagens das câmeras do circuito interno do Hospital Dom João Becker, em Gravataí, que flagraram dois homens suspeitos de matar um paciente na segunda-feira, dia 14 de novembro.

A vítima foi executada a tiros dentro do quarto onde estava internado. Um homem invadiu a instituição de saúde e disparou diversas vezes contra Diego Telles de Carvalho, 25 anos.
O morto tinha antecendentes criminais por roubo, homicídio, formação de quadrilha, receptação, falsidade ideológica e documentos falsos.
A Polícia Civil ainda não identificou a dupla e pede ajuda da população para denunciar os homens. Se você reconhecer um dos suspeitos que aparece no vídeo ligue para 181 ou 3488-1775. Não precisa se identificar.
Fonte: Zero
Blog AÇÃO PREVENTIVA: VÍDEO: Assassinato em hospital de Gravataí é registrado por câmeras de segurança